A história do movimento pentecostal no Brasil possui personagens e experiências que ainda são pouco conhecidos pelo grande público. Quando se fala sobre as origens do pentecostalismo brasileiro, geralmente a atenção se concentra no surgimento e desenvolvimento das denominações pentecostais. Entretanto, alguns registros históricos apontam para manifestações relacionadas à espiritualidade pentecostal em outros ambientes do protestantismo brasileiro.
Entre essas referências encontra-se Friedrich Matschulat, também conhecido como Frederico ou Fritz Matschulat (1879–1976). Sua história é particularmente interessante porque ele estava inserido na tradição batista e é apresentado como uma das mais antigas referências, no Brasil, do batismo no Espírito Santo acompanhado da manifestação de línguas estranhas.
Matschulat nasceu em 27 de junho de 1879, na Prússia Oriental, região pertencente à Alemanha. Em setembro de 1893, ainda jovem, veio para o Brasil com seus pais, estabelecendo-se na cidade de Formosa, no Rio Grande do Sul. Seu contato com o ambiente religioso ocorreu dentro da própria família. Seu pai, August Matschulat, era pastor e organizou naquela cidade a Primeira Igreja Batista Alemã no Brasil.
Sua trajetória também foi marcada pela formação teológica. Entre 1902 e 1909, Matschulat frequentou o Seminário dos Batistas Alemães em Rochester, nos Estados Unidos, onde recebeu sua formação. Posteriormente, casou-se com Ida Feuerharmel, com quem teve três filhos: Hilda, Ella e um menino que faleceu pouco depois do nascimento.
Ao retornar ao ministério no Brasil, Fritz Matschulat desenvolveu uma longa atividade pastoral. Foi pastor em Porto Alegre entre 1909 e 1920. Depois, entre 1921 e 1923, atuou como missionário itinerante. Em seguida, assumiu o pastorado da igreja em Panambi, onde permaneceu na presidência entre 1924 e 1949, ano em que se jubilou.
Esses dados mostram que Matschulat possuía uma trajetória consolidada dentro do protestantismo de tradição batista. Sua formação teológica e seus muitos anos dedicados ao pastorado e à atividade missionária ajudam a compreender o contexto no qual se desenvolveu sua espiritualidade.
Entretanto, existe um aspecto de sua vida que torna sua trajetória especialmente interessante para a história do pentecostalismo brasileiro. Os registros preservaram o testemunho de uma experiência espiritual associada ao batismo no Espírito Santo e à manifestação de línguas estranhas. É justamente essa dimensão pouco conhecida da vida de Frederico Matschulat que abordaremos na segunda parte.
Referência bibliográfica:
ARAÚJO, Isael de. História do movimento pentecostal no Brasil: o caminho do pentecostalismo brasileiro até os dias de hoje. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
Ediudson Fontes (@ediudsonfontes) é pastor auxiliar da Assembleia de Deus Cidade Santa (RJ), teólogo, pós-graduado em Ciências da Religião e mestrando em Teologia Sistemático-Pastoral pela PUC-Rio. Escritor, professor de Teologia, casado com Caroline Fontes e pai de Calebe Fontes.
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