Estamos nos dias intermediários da Festa de Tabernáculos (Kol Hamoed), uma Festa realmente especial, pois fala profeticamente da habitação de Deus entre os homens. O sacrifício de Yeshua nos permitiu sermos os tabernáculos de carne e osso em que seu Espírito habita. E assim será por toda a eternidade.
O livro de Apocalipse nos diz que, durante olam habah — o mundo vindouro —, Deus estabelecerá seu Tabernáculo entre os homens, repetindo em uma escala infinitamente maior o que foi sua habitação na nuvem de glória que encobria o Tabernáculo de Moisés no deserto. Assim, a Festa de Tabernáculos e a glória de Deus serão sinônimos, algo bem além de uma celebração festiva.
Face a face
Após o episódio do bezerro de ouro, Moisés (Moshe) intercede a Deus pelo povo e surge um grande impasse, pois o Senhor se recusa a subir com eles para levá-los à terra que mana leite e mel devido à dureza de seus corações. Segue-se um diálogo entre Deus e Moisés em que o foco é convencer o Senhor a não abandonar Israel. Essa conversa se dá entre duas de suas subidas ao Monte Sinai ou Horebe (nomes diferentes para o mesmo monte).
O Tabernáculo ainda não fora construído e Moisés falava com Deus em uma tenda fora do arraial, mais conhecida como tenda do encontro. Quem quisesse buscar o Senhor, precisava sair do arraial e ir à essa tenda, onde Deus se manifestava a Moisés em uma coluna de nuvem à entrada da tenda. Ali “falava o Senhor a Moisés face a face, como qualquer um fala com o seu amigo” (Êxodo 33:11).
O anjo da sua face
Então, Deus ordena Moisés que conduza o povo, ao que Moisés responde que precisa saber quem Deus enviará consigo. O Senhor responde: “A minha presença irá contigo, e eu te darei descanso” (Êxodo 33:14). Moisés, como que buscando uma confirmação, afirma: “Se a tua presença não for conosco, não nos faça subir deste lugar” (v.15).
A palavra original para presença é “face”, a mesma do verso 11. Portanto, Deus promete enviar literalmente sua “face” com Moisés e este reitera que, se a “face” do Senhor não for com ele, eles não sairão dali. No hebraico, até a face ou rosto ganha movimento!
Essa passagem fica mais clara quando lemos uma referência sua nos Profetas. Isaías diz que Israel foi salvo e conduzido pelo “anjo da sua face” (Isaías 63:9). Logo, a conversa de Moisés com Deus na tenda do encontro, “face a face”, bem como a “face” do Senhor que foi adiante do povo no deserto tratava-se de um anjo especial — o “anjo da sua face” (Malach Panav).
O Tabernáculo eterno
Traduzindo Êxodo 33:14 de modo mais claro, teremos: “o anjo da minha face” irá contigo e eu te darei descanso. Essa é precisamente a promessa de Yeshua no Evangelho de Mateus (Mattityahu) quando, falando de si, diz: “encontrareis descanso para vossas almas” (Mateus 11:29).
Portanto, isso nos permite concluir que Yeshua é o “anjo da face” ou “anjo da presença” do Senhor. Trata-se de uma das várias teofanias do Messias no Antigo Testamento. Ele conduziu o povo no deserto durante os quarenta anos de peregrinação. Ele foi o descanso para Israel em meio a uma terra árida e hostil. E continua a trazer descanso hoje para todas as almas que nele se refugiam.
Esta é a essência de Tabernáculos e por isso essa época é chamada de zman simchateinu — tempo de nossa alegria. Pois fala da habitação de Deus junto a seus filhos. Sua morada ocorreu, pela primeira vez, naquele Tabernáculo no Sinai. Posteriormente, Ele “tabernaculou” entre nós em carne e osso para salvar a humanidade. E voltará mais uma vez para estabelecer seu Tabernáculo eterno definitivamente entre os homens. Bendito seja seu glorioso Reino para todo o sempre!
Para saber mais, acesse https://www.aoliveiranatural.com.br/2023/10/01/tabernaculos-e-a-gloria-de-deus/
Getúlio Cidade é escritor, tradutor e hebraísta, autor de A Oliveira Natural: As Raízes Judaicas do Cristianismo e do blog www.aoliveiranatural.com.br.
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