Nos últimos anos, a defesa da maconha deixou de ser apenas uma pauta política ou cultural. Tornou-se também uma tentativa de legitimação moral e, em alguns casos, até espiritual. O mais grave é ver defensores do uso recreativo da maconha recorrendo à Bíblia para justificar uma prática que compromete a sobriedade, altera a consciência e pode agravar o sofrimento psíquico.
Esse argumento é perigoso e desonesto. O fato de Deus ter criado as ervas não significa que todo uso que o homem faz delas seja aprovado por Ele. A Bíblia não autoriza o entorpecimento como estilo de vida, nem apoia a busca de fuga emocional por meios químicos. Ao contrário, a Escritura chama o cristão à sobriedade, ao domínio próprio e à vigilância.
Nesse contexto, um novo estudo publicado na The Lancet Psychiatry, conduzido por pesquisadores da Universidade de Sydney, reforça o que há anos denunciamos: a maconha não pode ser vendida como aliada da saúde mental. A revisão analisou 54 ensaios clínicos randomizados, com 2.477 participantes, e não encontrou evidência de benefício para ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático, anorexia nervosa, transtornos psicóticos e transtorno por uso de opioides. Além disso, os canabinoides foram associados a maior risco de eventos adversos.
O alerta é claro: enquanto muitos romantizam a cannabis, a ciência séria pede cautela. E a fé cristã também.
Usar versículos fora de contexto para santificar o uso recreativo da maconha é manipular a Palavra de Deus para justificar desejos pessoais. Isso não é interpretação bíblica. É distorção. O cristão não foi chamado para viver sob efeitos que diminuem a vigilância espiritual, enfraquecem o discernimento e abrem espaço para fuga da realidade.
A fé cristã não aponta para a anestesia da mente, mas para sua renovação. Não aponta para a fuga química, mas para a transformação em Deus.
Há mais de 15 anos, o movimento Maconha Não sustenta essa verdade: não podemos normalizar uma substância com impacto psíquico, emocional e espiritual tão sério. O novo estudo apenas reforça o que sempre afirmamos com responsabilidade.
Nem a ciência séria confirma os supostos benefícios da maconha para a saúde mental, nem a Bíblia pode ser usada para legitimar o que compromete a sobriedade.
O cristão não foi chamado para adaptar a Bíblia aos seus desejos, mas para submeter seus desejos à verdade da Palavra.
Marisa Lobo (CRP 08/07512) é psicóloga, missionária, ativista pelos direitos da infância e da família e autora de livros sobre saúde mental, educação de filhos e autoestima infantil, entre eles "Por que as pessoas Mentem?", "A Ideologia de Gênero na Educação" e "Famílias em Perigo". Coordenadora nacional do movimento Maconha Não, especialista em Direitos Humanos e presidente do movimento Pró-Mulher.
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