Um menino cristão de 9 anos foi atingido com spray de pimenta enquanto andava de bicicleta em Israel, durante o “Yom Kippur” (“Dia da Expiação”), considerado o dia mais sagrado do calendário judaico.
O menino, identificado apenas como William, é de uma família cristã armênia. Ele foi atacado por um homem de 22 anos enquanto andava de bicicleta e ouvia música perto do Shopping Mamilla, próximo às muralhas da Cidade Velha de Jerusalém, quando o homem religioso se aproximou e pediu que abaixasse o volume.
Segundo o The Times of Israel, William atendeu ao pedido e respondeu em inglês. Porém, o homem gritou: “Nada de inglês, judeus!”.
Quando William tentou se afastar, o homem o atingiu com spray de pimenta que havia escondido nas costas. Um amigo que estava com ele também foi atingido.
“Ele estava escondendo o spray de pimenta atrás das costas. Então, eu passei por ele, e ele borrifou spray de pimenta em mim”, disse William ao Canal 13.
“Pensei que ia morrer”, acrescentou.
תסתכלו על וויליאם. הוא בן 9 . בריונים קיצוניים התיזו עליו פלפל. כל חטאו שהיה שביום כיפור הוא רכב על אופניים סמוך לממילא בירושלים ושמע, רחמנא ליצלן, מוזיקה באוזניות. הם ניגשו אליו באיומים, דרשו שיוריד את האוזניות. הוא עשה את זה , אבל אז הם שמעו שהוא מדבר באנגלית. No English ,… pic.twitter.com/ofcfJxDnak
— Yossi Eli (@Yossi_eli) September 24, 2026
Em um vídeo compartilhado nas redes sociais, William aparece sendo atendido dentro de uma ambulância após o ataque. A mãe do menino informou que ele passou a ter dificuldades para dormir depois do incidente.
George Deek, representante do Ministério das Relações Exteriores de Israel para assuntos relacionados aos cristãos, condenou o ataque e afirmou que incidentes como esse devem ser tratados “com seriedade, urgência e tolerância zero”, e que a polícia agiu dessa forma.
Suspeito é preso
No último domingo (27), a polícia israelense anunciou a prisão de um homem de 22 anos, morador de Ganei Modi'in, uma comunidade próxima a Jerusalém com maioria de judeus ultraortodoxos.
O suspeito foi localizado no norte de Israel, onde estava havia alguns dias, e levado para Jerusalém para ser interrogado.
“As autoridades afirmaram que levam a violência e o bullying contra crianças muito a sério, especialmente aqueles cometidos com motivação nacionalista ou racista. No entanto, a polícia inicialmente arquivou o caso e só o reabriu depois que a mídia começou a noticiar o ataque”, informou o Canal 13.
A família de William havia registrado uma denúncia, mas o caso foi inicialmente encerrado. A investigação foi reaberta depois que a imprensa israelense divulgou o ataque.
"Israel leva a violência contra cristãos muito a sério. E quando a vítima é uma criança, não pode haver desculpas nem se pode ignorar o ocorrido. O ódio deve ser condenado e os responsáveis serão responsabilizados”, afirmou Deek.
E continuou: “Para William e sua família: estou pensando em vocês e espero que sintam o apoio de tantas pessoas em Israel que ficaram horrorizadas com o que aconteceu. Vocês merecem muito mais do que isso”.
UPDATE: Israel Police have arrested a suspect in the appalling pepper-spray attack on a 9-year-old Armenian Christian boy in Jerusalem.
— George Deek (@GeorgeDeek) September 27, 2026
This is how such incidents must be treated: seriously, urgently, and with zero tolerance.
Police conducted an intensive investigation,… pic.twitter.com/EtCsCu1p5Z
O menino já havia sido alvo de outro ataque alguns anos atrás. Na ocasião, ele estava com o pai e a irmã quando um grupo de cinco ou seis adolescentes judeus cuspiu perto deles.
Ao reclamar com o grupo em hebraico, o pai de William foi atingido com spray de pimenta. A irmã do menino também acabou sendo atingida, e os adolescentes fugiram.
O Yom Kippur, conhecido como Dia da Expiação, é considerado o dia mais sagrado e importante do calendário judaico. A data é marcada por jejum e orações, e muitos judeus religiosos seguem regras semelhantes às do Shabat, o dia semanal de descanso. Para muitos, isso significa não dirigir e não usar aparelhos eletrônicos.