Cristã sobrevivente de ataque do Boko Haram diz que fé permanece: 'Não abandonarei Jesus'

Após fugir de ataques do Boko Haram, Esther retornou à Nigéria e passou a encorajar cristãos perseguidos e crianças locais.

fonte: Guiame, com informações de Global Christian Relief

Atualizado: Sexta-feira, 22 Maio de 2026 as 4:59

Esher. (Foto: Reprodução/Global Christian Relief)
Esher. (Foto: Reprodução/Global Christian Relief)

Uma cristã perseguida pelos terroristas do Boko Haram na Nigéria retornou à sua comunidade para ajudar outras pessoas a permanecerem fiéis ao Senhor em qualquer circunstância. 

Esther cresceu em Gwoza, no estado de Borno. Filha de pastor, a família tinha uma rotina ativa na igreja. 

“Nós cultivávamos a terra, comíamos e bebíamos. Também éramos ativos na igreja. Eu participava do coral e ajudava como secretária da congregação. Essa era a nossa vida”, disse Esther ao Global Christian Relief.

Tudo mudou quando ataques do Boko Haram atingiram a região: “A princípio, o ataque era apenas um boato. Os moradores da cidade — quase todos cristãos — foram informados de que soldados viriam protegê-los. Mas, em vez disso, um morador os traiu”. 

“Pensamos que eram soldados, mas as pessoas começaram a gritar: ‘São do Boko Haram’. Antes que pudéssemos fugir, já havia pessoas mortas”, acrescentou.

Na época, ela vivia com o marido, os sete filhos e os sogros. O sogro ficou para trás para cuidar dos animais da família e foi morto pelos terroristas.

“Eles o assassinaram. Foi minha sogra quem o enterrou. A cabeça foi separada do corpo. Antes do amanhecer, todos já tinham fugido”, relembrou ela.

‘Deus nos protegeu’

Após o ataque, Esther e a família fugiram às pressas. O caminho os levou até uma região de montanhas, onde passaram cerca de duas semanas escondidos em uma caverna. 

Segundo ela, em busca de sobreviventes, os terroristas chegaram a lançar gás lacrimogêneo no local.

 “Se eles ouvissem alguém tossir, iam até lá e matavam. Mas Deus nos protegeu e isso não aconteceu conosco”, afirmou ela. 

Durante a fuga, a família desceu as montanhas durante a noite e caminhou por horas até conseguir atravessar a fronteira e chegar aos Camarões. Lá, enfrentaram outra fase difícil:

“Nós realmente sofremos em Camarões. Dormimos ao relento, até o chão onde deitávamos estava cheio de vermes. Sem esteira, sem nada”, contou Esther.

‘Não há como abandonar Jesus’

Após um ano, Esther decidiu voltar à Nigéria para se reunir com familiares e reconstruir a vida. Atualmente, ela já vive novamente no país há 13 anos.

Embora tenham enfrentado desafios no início, como falta de alimentos e recursos para recomeçar, aos poucos “Deus começou a abrir caminhos”.

Com apoio de uma organização parceira da Global Christian Relief, Esther recebeu assistência espiritual e ajuda para estudar, concluindo uma licenciatura em educação. Hoje, trabalha como professora em uma escola local dentro do próprio campo de deslocados. 

Apesar de tudo o que viveu, Esther ainda tem paz no coração e usa seu testemunho para encorajar outros cristãos perseguidos:

“Às vezes, você ouve que começaram confrontos em algum lugar. Mas aqui, para nós, é seguro. Às crianças da escola, eu digo para se apegarem firmemente à Palavra de Deus”.

“Devemos perseverar. Não há como abandonar Jesus, aconteça o que acontecer”, concluiu.

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