Cristãos têm acesso à água negado por extremistas na Índia

O pastor Somaji denunciou a perseguição e violência contra cristãos e relatou como a Palavra de Deus fortalece fiéis no norte da Índia.

fonte: Guiame, com informações de Global Christian Relief

Atualizado: Segunda-feira, 5 Janeiro de 2026 as 3:42

A igreja no norte da Índia passou a ser perseguida por líderes locais. (Foto: Reprodução/Global Christian Relief)
A igreja no norte da Índia passou a ser perseguida por líderes locais. (Foto: Reprodução/Global Christian Relief)

Um pastor que supervisiona diversas igrejas no norte da Índia relatou que cristãos locais estão enfrentando discriminação constante, assédio e episódios recorrentes de violência motivados pelo aumento da intolerância religiosa no país.

Somaji* aceitou Jesus há 15 anos e, desde então, passou a se dedicar a compartilhar o Evangelho em sua comunidade. 

Hoje, ele supervisiona diversas igrejas em uma região hostil onde o cristianismo é visto como uma “fé estrangeira”. 

“Quando entreguei minha vida a Jesus, eu sabia que não seria fácil, mas jamais imaginei o ódio que enfrentaríamos”, disse o pastor ao Global Christian Relief. 

A igreja perseguida na Índia 

Conforme o pastor, cristãos locais enfrentam discriminação constante, assédio e episódios recorrentes de violência motivada por intolerância religiosa.

A perseguição se intensificou devido à oposição do chefe da aldeia, conhecido como “sarpanch”, autoridade local responsável pela liderança comunitária, que vê o crescimento da comunidade cristã como uma ameaça direta à sua autoridade e às tradições locais. 

Em um dos episódios mais graves, o líder comunitário liderou uma multidão até a igreja de Somaji, e interrompeu um culto de forma violenta.

Os extremistas acusaram o pastor de “lavagem cerebral”, o empurraram, derrubaram bancos da igreja e ameaçaram retornar com ainda mais violência caso os cultos continuassem.

Além das agressões diretas, membros da igreja também relataram outras formas de retaliação, como a proibição de acesso à água comunitária, atos de vandalismo contra suas casas e isolamento social imposto por vizinhos.

“O chefe da aldeia ameaça minha família, minha igreja e até mesmo minha vida, mas não posso parar de compartilhar a Verdade”, contou Somaji.

A Bíblia é a esperança

Com o aumento das ameaças, líderes locais passaram a tratar até a posse de uma Bíblia como um ato de desafio à autoridade da aldeia. Temendo que as atividades da igreja fossem proibidas, Somaji começou a distribuir Bíblias em segredo entre os cristãos da comunidade.

Para muitos, era a primeira vez que tinham acesso às Escrituras. A leitura da Bíblia em seu próprio idioma fortaleceu a fé das famílias, que passaram a realizar devocionais em casa. 

Pais começaram a ensinar histórias bíblicas aos filhos, mulheres organizaram estudos disfarçados de encontros de costura, e pequenos grupos passaram a se reunir de forma discreta.

“A Bíblia é a nossa força. Vejo a alegria nos olhos do meu povo quando eles seguram a Palavra de Deus pela primeira vez. Uma irmã me contou que lê o Salmo 23 todas as noites para seus filhos, e eles não temem mais a ira da aldeia”, destacou o pastor. 

E acrescentou: “Outro irmão disse que o livro de João lhe mostrou o amor de Jesus, dando-lhe coragem para permanecer firme”.

Mesmo diante da perseguição, os cristãos da região seguem encontrando consolo em passagens bíblicas como Mateus 5:10, que diz: “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus”.

*Os nomes foram alterados por medida de segurança.

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