“Faço das ruas o meu púlpito”, diz jovem missionário que prega desde os 14 anos

Gustavo Emanuel evangeliza em escolas, hospitais e ruas do Brasil. Em entrevista ao Guiame, ele conta como deixou o lar aos 14 anos para seguir o chamado de Deus.

fonte: Guiame, Adriana Bernardo

Atualizado: Quarta-feira, 3 Junho de 2026 as 1:10

Missionário Gustavo Emanuel compartilha o Evangelho em ações de rua. (Foto: Instagram/@gustavoemanueloficial)
Missionário Gustavo Emanuel compartilha o Evangelho em ações de rua. (Foto: Instagram/@gustavoemanueloficial)

Gustavo Emanuel nasceu em Minas Gerais e cresceu em um lar cristão ouvindo da mãe que seria um “pastorzinho”. Aos 14 anos, deixou a casa da família para viver integralmente o chamado missionário.

Desde então, tem levado o Evangelho a escolas, hospitais, ruas e comunidades, movido por uma oração que se tornou o lema de sua vida: “Deus, eu quero te fazer conhecido em todo canto.”

Hoje, aos 22 anos, o jovem missionário afirma não ter um campo específico de atuação. “Onde eu vejo a oportunidade de falar do nome de Jesus, lá estou indo”, resume.

Em breve, Gustavo embarcará para uma missão na África com uma equipe da JOCUM (Jovens Com Uma Missão) da Malásia. “Ainda estou levantando os recursos para a passagem, mas a missão já está paga”, conta animado.

Em entrevista ao Guiame, Gustavo compartilhou sua trajetória, experiências marcantes e o propósito que o impulsiona a percorrer diferentes lugares anunciando Cristo.

 

Guiame: Fale um pouco sobre sua trajetória dentro do cristianismo.

Gustavo Emanuel: Cresci em um lar cristão. Quando minha mãe estava grávida de mim, ela dizia: “Esse será o meu pastorzinho”. Com o passar do tempo, percebi que Cristo me chamava para as ruas, e foi assim que entendi meu chamado missionário.

Não conheci meu pai e aprendi, desde cedo, o quanto a ausência paterna pode marcar a vida de alguém. Por isso, levo a mensagem da paternidade de Deus às nações, ensinando que podemos vencer a rejeição quando encontramos Aquele que é maior do que quem nos feriu.

 

G.: Como surgiu o seu chamado missionário?

G. E.: Eu sempre soube, desde muito pequeno, que um dia seria missionário. Mas isso ficou mais evidente quando uma professora da igreja, a “tia da salinha”, nos perguntou o que queríamos ser. Todos responderam pastor, levita ou presbítero. Eu disse: “Tia, eu só consigo me ver nas ruas”.

Então ela me perguntou se eu já tinha ouvido falar sobre missionários. Foi naquele momento que comecei a estudar sobre missões e me encontrei.

 

G.: O que aconteceu quando você decidiu sair de casa aos 14 anos?

G. E.: Quando eu tinha 13 anos, minha mãe, Dona Cida, recebeu uma palavra de Deus dizendo: “Seu tempo com seu filho está acabando”. Um ano depois, ela entendeu que havia chegado o momento de me enviar para o campo missionário.

Foi quando começou minha jornada. Passei por lugares como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraguai e Peru, entre outros.

 

G.: Sua família apoiou sua decisão?

G. E.: Diferente do que alguns enfrentam, eu tive total apoio da minha família. Minha mãe sempre dizia: “Eu te gerei para você ser do campo missionário”.

Missionário Gustavo Emanuel ministra o Evangelho a crianças. (Foto: Instagram/@gustavoemanueloficial)

G: Como é evangelizar em escolas e hospitais?

G. E.: Nas escolas encontramos realidades muito pesadas para crianças tão pequenas. Minha primeira experiência foi em uma escola do Rio Grande do Sul, após as enchentes. Uma criança me disse: “Tio, meu pai ainda não foi encontrado”.

Já havia passado um ano da tragédia. Naquele momento, eu apenas a abracei e chorei com ela. Depois de uma longa conversa, ela me disse: “Agora estou feliz porque meu pai está com o Papai do Céu”. Aquilo marcou minha vida e reforçou minha decisão de ministrar sempre nas escolas. Existe uma geração sedenta esperando por uma resposta dos filhos de Deus.

Agora, nos hospitais, encontramos pessoas sem esperança, muitas desenganadas pelos médicos. É nesse momento que anunciamos que Cristo é a resposta para as nossas feridas. Deus ainda cura.

 

G.: Qual experiência mais marcou você nas ruas?

G. E.: Uma vez eu estava evangelizando em uma favela no Rio de Janeiro e entrei em alguns becos para compartilhar o Evangelho. Lá encontrei um rapaz segurando um fuzil.

Pelo costume, eu não tive medo e fui conversar com ele. Então ele me disse: “Estou há três anos esperando alguém me ajudar a sair daqui”. Naquele momento, ele largou a arma e entregou sua vida a Jesus.

 

G.: O que significa “fazer das ruas o seu púlpito”?

G E.: Muitos disputam títulos, cargos e posições. Mas as ruas carecem de pregadores. Por isso decidi fazer das ruas o meu púlpito.

Fazer das ruas o meu púlpito significa entender que o Evangelho não pode parar em mim.

 

G.: Como os jovens têm reagido à sua mensagem?

G. E.: Não podemos negar que às vezes enfrentamos resistência e rejeição. Mas quando isso acontece, lembro que Jesus foi o mais rejeitado entre os homens. Então, a rejeição faz parte.

Mas, em grande parte, tenho visto muitos jovens cristãos sendo inspirados a também ir às ruas, e outros que estavam perdidos se rendendo a Jesus.

O missionário Gustavo Emanuel ora por um homem durante uma pregação de rua. (Foto: Instagram/@gustavoemanueloficial)

G.: Qual foi o momento mais difícil da caminhada missionária?

G. E.: A distância da família. Estar longe da minha mãe, dos meus irmãos e perder momentos importantes, como aniversários dos meus sobrinhos.

A minha maior renúncia para viver no campo missionário é ter que lidar com a saudade.

 

G.: Como surgiu a oportunidade de ir para a África?

G. E.: Estou indo para a África com uma equipe da JOCUM da Malásia. Quando as inscrições foram abertas, eu orei e percebi que Deus estava me chamando para viver esse novo tempo.

Participei de algumas reuniões de seleção e fui aprovado para integrar a equipe missionária.

 

G.: O que você espera viver nessa missão?

G. E.: Creio que será um novo tempo. Vou conhecer uma nova cultura, novos costumes e estou disposto não apenas a levar a mensagem que carrego, mas também a aprender com aquele povo.

 

G.: Qual mensagem você gostaria de deixar para os jovens que sentem um chamado de Deus?

G. E.: Nós, cristãos, aguardamos o dia do Maranata, quando estaremos para sempre com o nosso Pai. Mas o apóstolo Pedro, em 2 Pedro 3:12, nos ensina que devemos esperar e apressar esse dia. Nós esperamos Maranata mas vivemos Ekballo.

Se o nosso Senhor voltará somente quando todos tiverem ouvido o Evangelho, nós precisamos ser os responsáveis em dizer “eis me aqui”

Eu creio que a minha geração se renderá ao chamado do nosso Deus, mesmo que isso custe a nossa vida.

 

G.: O que motiva você a viver no campo missionário e dedicar sua vida à evangelização?

G. E.: Nessa conferência, uma pessoa me perguntou: “Gustavo, por que você vive o campo missionário?”. E eu dei a ela a mesma resposta que costumo dar a todos.

Como eu disse, Pedro ensina que precisamos ser aqueles que esperam, mas também aqueles que apressam o dia da volta de Jesus. A Palavra de Deus ensina que o Senhor virá quando todos tiverem a oportunidade de ouvir a mensagem do Evangelho do Reino.

Eu vivo o campo missionário porque amo o Maranata. Amo o dia em que o Senhor descerá sobre as nuvens. Maranata é a mensagem que eu carrego. João Batista carregava uma mensagem de arrependimento; Jesus anunciava a mensagem do Reino. Já a mensagem que Deus colocou em meu coração é: Maranata.

Eu vivo o campo missionário porque anseio o dia em que toda dor terá fim. Vou aos campos e às nações perseguidas porque anseio o momento em que o Senhor enxugará dos olhos da Igreja perseguida toda lágrima. Eu anseio pelo dia do Maranata.

Por isso, quero percorrer os quatro cantos da terra anunciando, juntamente com o Espírito e a Noiva: “Vem, Senhor Jesus!”. (Apocalipse 22:17,20)

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