Igrejas no Paquistão se uniram para protestar pela menina cristã, de 13 anos, sequestrada e obrigada a se casar com um muçulmano, segundo a Portas Abertas Brasil.
Cristãos realizaram manifestações em diferentes regiões do país após o Tribunal Constitucional Federal (FCC) decidir entregar oficialmente a custódia da menor ao homem que a sequestrou.
A menor de idade, segundo documentos oficiais, foi raptada por um homem muçulmano em julho de 2025. Desde então, permaneceu sob poder do agressor por mais de seis meses.
Mesmo apresentando provas – como o B‑Form, documento oficial que confirma sua idade – o tribunal ignorou seu registro de nascimento, desconsiderou decisões anteriores que apontavam que o casamento era ilegal e ainda não levou em conta a investigação policial que mostrou que a certidão de casamento era falsificada.
Após a sentença do Tribunal, líderes cristãos, organizações de defesa de direitos humanos e grupos da sociedade civil criticaram o veredito e protestaram contra o casamento infantil de meninas de minorias religiosas.
Criação de comitê
A repercussão das manifestações levou o governo paquistanês a criar um comitê consultivo nacional com 37 integrantes, incluindo representantes cristãos católicos e protestantes.
O comitê será responsável por revisar o caso da menina e propor medidas de proteção contra conversões forçadas e casamentos infantil.
Em um comunicado, um porta-voz de advocacia da Missão Portas Abertas elogiou a mobilização da Igreja local diante da situação de perseguição contra a menina cristã.
“A resposta dos cristãos no Paquistão demonstra coragem ao defender meninas vulneráveis. Isso é um chamado para que a Igreja global se levante em oração e intercessão. Decisões como essa criam precedentes preocupantes e colocam outras crianças em risco”, afirmou.
Meninas cristãs vítimas de abuso
Defensores dos direitos humanos afirmam que esses casos seguem um padrão comum no Paquistão: meninas – incluindo cristãs – são sequestradas, forçadas a se converter ao Islã e submetidas a abusos sexuais sob o pretexto de “casamentos” islâmicos.
Muitas vezes, as vítimas são pressionadas a gravar depoimentos favoráveis aos sequestradores, enquanto os tribunais ignoram documentos que comprovam a idade real das meninas e acabam devolvendo-as aos próprios agressores como se fossem “esposas legítimas”.
O Paquistão, onde mais de 96% da população é muçulmana, ocupa o 8º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2026, da Portas Abertas, que identifica os países onde os cristãos enfrentam os níveis mais altos de perseguição.