Líder cristão relata luta para cuidar de órfãos em Uganda: “São muitos desafios”

Em entrevista ao Guiame, Sila Simali conta como começou o King Jesus Bright Orphanage e relata os desafios para acolher crianças vulneráveis em Mbale, Uganda.

fonte: Guiame, Adriana Bernardo

Atualizado: Segunda-feira, 21 Setembro de 2026 as 12:37

Crianças atendidas pelo King Jesus Bright Orphanage, em Uganda. Em destaque, o Pr. Sila Simali, responsável pela missão. (Foto: Arquivo pessoal)
Crianças atendidas pelo King Jesus Bright Orphanage, em Uganda. Em destaque, o Pr. Sila Simali, responsável pela missão. (Foto: Arquivo pessoal)

O trabalho ministerial de Sila Simali nasceu do contato direto com crianças em situação de vulnerabilidade e cresceu em meio a limitações financeiras e necessidades que ultrapassam os recursos disponíveis.

À frente do King Jesus Bright Orphanage, em Mbale, Uganda, ele acolhe crianças órfãs e vulneráveis e também desenvolve ações de apoio a viúvas da comunidade.

Formado em Administração Pública, Sila também possui formação para professores e bacharelado em Teologia.

Ele afirma que pretende prosseguir nos estudos e concluir um mestrado em Teologia, caso tenha oportunidade.

Segundo o líder cristão, sua formação contribuiu para sua capacidade de orientar e servir outras pessoas.

Sua trajetória ministerial começou justamente entre as crianças, como superintendente da Escola Dominical e professor da Palavra de Deus. Hoje, ele afirma servir como bispo na Raising Saints Christian Ministries.

Foi antes mesmo da fundação oficial do projeto que Sila começou a ajudar crianças necessitadas. O ministério e o King Jesus Bright foram estabelecidos em 2016, quando ele também destinou cerca de 1,5 acre de terra – aproximadamente 6 mil metros quadrados – ao trabalho.

Durante anos, parte da manutenção veio de atividades como agricultura e criação de galinhas.

Ao lado dele está a esposa, Hellen Rose, que, segundo Sila, tem sido seu principal apoio desde o início da missão. Ela contribui com parte dos poucos recursos que possui, auxilia na formação dos professores e cuida das crianças. Mais recentemente, Simon, irmão de Sila, também começou a colaborar.

Em entrevista exclusiva ao Guiame, Sila falou sobre a realidade das crianças atendidas, os desafios para manter o projeto e o que espera que os brasileiros compreendam sobre o trabalho desenvolvido em Uganda.

 

Guiame: Como e quando nasceu a visão para o King Jesus Bright Orphanage e como o projeto tem se sustentado ao longo dos anos?

Sila Simali: O ministério da igreja e o projeto do King Jesus Bright foram estabelecidos em 2016, mas dois anos antes eu já havia começado a ajudar crianças. Em 2016, doei um terreno de aproximadamente 1,5 acre (aproximadamente 6 mil metros quadrados) para o projeto.

Ao longo dos anos, consegui manter o ministério e a missão por meio da agricultura local e da criação de galinhas.

 

G.: Quais são os maiores desafios enfrentados pelas crianças em Mbale?

S.S.: Os maiores desafios são a falta de alimentação suficiente, calçados, salas adequadas para estudar, dormitórios, atendimento médico, um salão com espaço suficiente para os cultos e uma biblioteca.

O orfanato não possui recursos próprios para suprir essas necessidades. Eu, minha esposa e o arquiteto brasileiro Lucas Zeitune – que nos ajudou com projetos voluntariamente e conseguiu contribuir durante algum tempo – temos mantido esse trabalho.

 

G.: Quem são as crianças atendidas pelo King Jesus Bright Orphanage e que realidade elas enfrentavam antes de chegar até vocês?

S.S.: Algumas das crianças foram deixadas com parentes depois que seus pais morreram. Algumas sofriam castigos físicos e não tinham acesso à escola. Outras não tinham onde morar e viviam nas ruas.

Quando me viram distribuindo alimentos e ensinando as crianças a orar, começaram a se aproximar. Vieram, ficaram conosco, passaram a dormir aqui e começaram a nos chamar de “papai” e “mamãe”. Agradecemos a Deus, e o número foi aumentando.

Temos crianças de diferentes idades. Algumas chegam até nós logo depois da morte dos pais. Temos crianças de 5, 6, 7 e 10 anos e também entre 11 e 15 anos.

 

G.: Seu trabalho também envolve viúvas e outras pessoas vulneráveis. Como essa missão tem marcado sua vida e seu ministério?

S.S.: Tenho ajudado, ao mesmo tempo, órfãos, viúvas e crianças em situação de vulnerabilidade, mas enfrento muitos desafios.

Às vezes, quando ajudamos as viúvas com enxadas para que possam cultivar a terra, aquelas que não recebem choram. Quando distribuímos alimentos e a quantidade não é suficiente, ou quando fico sem recursos, as crianças choram.

Uma das situações em que mais sofro é na hora de providenciar um lugar para os órfãos dormirem. São muitos desafios, mas eles fortalecem meu coração para orar e pedir a Deus que providencie ajuda para esses grupos que estão sofrendo.

Essa caminhada também tem me proporcionado crescimento espiritual e sabedoria. Aprendi que a perseverança é fundamental.

Uma das principais lições é que são poucas as pessoas que sentem em seu coração, da parte de Deus, o desejo de ajudar aqueles que sofrem.

Também percebi que muitos líderes espirituais têm o coração disposto a contribuir, mas eles próprios não possuem recursos para oferecer. A pobreza está em toda parte.

 

G.: Qual tem sido a participação de sua igreja nesse trabalho?

S.S.: A igreja é a Raising Saints Christian Ministries. Devido à pobreza e à falta de parceiros no exterior, ela não tem conseguido oferecer apoio ao trabalho. Precisamos da mão e da graça de Deus para que possamos construir um prédio para o ministério da igreja.

 

G.: Como sua esposa, Hellen Rose, participa dessa missão?

S.S.: Minha esposa tem desempenhado um papel muito importante. Mesmo com poucos recursos, ela contribui financeiramente, ajuda na formação dos professores e cuida das crianças quando retorna de seus estudos de formação profissional.

Embora ganhe pouco, Deus a capacita a contribuir com o que pode. Deus realmente abençoou seu coração.

Ela tem sido meu grande apoio. Meu irmão Simon também começou recentemente a contribuir com o pouco que possui. Fora isso, não tenho recebido apoio de outros familiares. Desde o início, temos contado principalmente comigo e com minha esposa.

 

G.: O que você gostaria que os brasileiros compreendessem sobre a realidade das comunidades onde você atua?

S.S.: Gostaria que os brasileiros entendessem o sofrimento e as dificuldades envolvidos em manter um trabalho como este. Desejo que tenham graça em seus corações para compartilhar, estabelecer parceria conosco e participar da luta para mudar a situação da minha comunidade.

 

G.: De que maneira sua participação como colunista do Guiame pode contribuir para essa missão?

S.S.: Com a divulgação desses conteúdos em diferentes meios profissionais e nas redes sociais para ampliar a visibilidade e incentivar o envolvimento de pessoas no fortalecimento do trabalho realizado com o orfanato e as crianças.

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