Mais de 60 cristãos são mortos em ataques na Etiópia, incluindo crianças

Os criminosos ainda queimaram mais de 20 casas na região de Oromiya. Mais de 20 pessoas foram hospitalizadas com ferimentos graves.

fonte: Guiame, com informações de BBC e Reuters

Atualizado: Terça-feira, 27 Outubro de 2026 as 9:55

Os criminosos ainda queimaram mais de 20 casas na região de Oromiya. (Foto: Reprodução/X/Mossadil Commentary).
Os criminosos ainda queimaram mais de 20 casas na região de Oromiya. (Foto: Reprodução/X/Mossadil Commentary).

Mais de 60 cristãos foram mortos em uma série de ataques na Etiópia na última semana, segundo a Igreja Ortodoxa do país.

Um comunicado do Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa Tewahedo Etíope, divulgado na segunda-feira (26), relatou que os ataques aconteceram na região de Oromiya.

No dia 20 de outubro, 14 fiéis foram mortos na cidade de Merti Woreda. Quatro dias depois, 46 cristãos foram assassinados em Sherka Woreda. Uma testemunha afirmou à BBC Amharic que crianças estavam entre os moradores mortos.

Além disso, mais de 20 casas foram queimadas pelos criminosos e mais de 20 pessoas foram hospitalizadas com ferimentos graves.

“Estávamos completamente despreparados e não tínhamos conhecimento prévio. Eles nos cercaram de todas as quatro direções", contou um morador, que perdeu o pai de 75 anos no ataque, em entrevista à BBC Amharic.

Um funcionário da igreja classificou os ataques como um massacre. Ele declarou que as forças de segurança chegaram ao local, mas não conseguiram deter os criminosos.

Um vídeo compartilhado nas redes sociais mostra dezenas de corpos enrolados em tecidos enquanto pessoas choram e gritam em desespero.

Autoria não confirmada

O governo regional de Oromiya afirmou que os ataques são de autoria do grupo rebelde “Aliança pela Sobrevivência", que inclui o Exército de Libertação Oromo (OLA), com o objetivo de provocar conflitos religiosos. 

Já uma fonte ligada à aliança rebelde culpou o governo regional de Oromiya de realizar os assassinatos.

A OLA é um dos sete grupos armados que anunciaram, no mês passado, que formaram uma aliança para derrubar o primeiro-ministro Abiy Ahmed da Etiópia.

Falta de segurança 

A Igreja Ortodoxa condenou a violência e denunciou que ataques contra cristãos aumentaram recentemente. “Tais ações minam os valores do país de respeito mútuo e convivência pacífica", afirmou.

A igreja ainda revelou que havia informado às autoridades sobre a preocupação com a segurança dos cristãos, mas que "até agora não houve solução".

Segundo um relatório do Conselho Etíope de Direitos Humanos, 458 pessoas foram mortas em ataques na região, nos últimos quatro anos.

O documento afirma que grupos armados atacaram comunidades locais diversas vezes, principalmente seguidores da Igreja Ortodoxa Tewahedo Etíope por motivação religiosa.

A maioria dos etíopes são cristãos, cerca de 66% da população, e 33% são muçulmanos.

A Etiópia ocupa a 36° posição na Lista Mundial da Perseguição 2026 da Missão Portas Abertas.

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