Um pastor chinês foi preso em casa por supostamente “organizar atividades religiosas ilegais”. An Yankui lidera uma igreja protestante não registrada e já foi detido outras vezes em meio à repressão do governo contra cristãos no país.
Yankui, pastor da Igreja Reformada de Taiyuan Xuncheng, foi preso em casa às 10h30 do dia 29 de setembro.
Para justificar a prisão, o Departamento de Segurança Pública de Taiyuan citou o Artigo 96 da Lei de Punições da Administração de Segurança Pública, que diz:
“Os órgãos de segurança pública devem notificar as pessoas intimadas sobre os motivos e a base da intimação”.
Segundo o International Christian Concern (ICC), Yankui já foi preso outras vezes pela mesma acusação. As organizações que acompanham a liberdade religiosa no país informaram que sua detenção faz parte da crescente repressão contra igrejas que não são reconhecidas pelo governo.
Em 2020, Yankui foi detido por 15 dias e multado. Desde então, ele voltou a ser preso diversas vezes por diferentes acusações, incluindo a de deixar o país sob falsos pretextos.
A igreja de Taiyuan também já foi alvo de ações das autoridades. Ao longo dos anos, policiais realizaram prisões e buscas no local. Uma das operações aconteceu durante um culto, em outubro de 2025.
‘Ore pelos cristãos perseguidos’
A prisão de Yankui ocorreu poucos dias depois de outra ação contra cristãos na China. Em 16 de setembro, autoridades no sul do país apreenderam materiais bíblicos de membros de uma igreja doméstica não registrada. Na ocasião, os cristãos foram acusados de “promover um culto”.
Durante um interrogatório, um dos cristãos foi ameaçado e informado de que, caso não colaborasse com as autoridades, seus filhos poderiam ser alvo de uma investigação oficial. Além disso, a polícia obrigou a igreja a deixar o espaço que alugava para realizar os cultos.
Diante da perseguição, defensores da liberdade religiosa têm pedido que cristãos de outros países continuem intercedendo pelos crentes perseguidos na China.
O pastor chinês Ezra Jin, que foi libertado da prisão recentemente, falou sobre sua experiência durante o Encontro Global sobre Liberdade Religiosa de 2026, realizado na Universidade Batista de Dallas, nos Estados Unidos.
“Graças à sua defesa e ao fato de Deus ter ouvido suas orações, fui libertado da prisão, e é por isso que estou aqui e posso falar com vocês hoje”, disse Ezra.
Segundo Ezra, mais de 150 pastores e líderes religiosos ainda estão presos em diferentes regiões da China.
Ao lembrar do período em que esteve detido, ele pediu que os cristãos continuem orando e intercedendo pelos irmãos que enfrentam perseguição por causa da fé.
"Se não fizermos nada quando poderíamos ter feito algo, então um dia também teremos que perceber que ficaremos cara a cara com Deus", concluiu.