O Iêmen é o terceiro país mais perigoso para ser um cristão. Na nação islâmica, se tornar um seguidor de Jesus é crime e, se um crente é descoberto, pode ser punido com a morte.
Mesmo diante dos riscos, Zaid* decidiu se converter à fé cristã. Segundo a missão Portas Abertas, o iemenita cresceu em um lar muçulmano rígido, em que seguir o Alcorão era obrigatório.
“Eu orava e ia regularmente à mesquita. Seguia todos os ensinamentos e rituais. Eu queria que Deus me amasse e se agradasse de mim”, contou Zaid.
Porém, aos 16 anos, ele passou a se questionar se iria para o paraíso após a morte. O Islã não lhe deu a paz que sua alma tanto clamava.
Se sentindo vazio, Zaid abandonou o ismalismo, passou a vender drogas e também se tornou viciado.
“Comecei a usar khat [uma droga estimulante leve, amplamente utilizada e legal no Iêmen]. Não tinha nenhum senso de propósito. Eu estava completamente perdido”, lembrou.
Sonho com Jesus
Durante a crise emocional e espiritual, o jovem conheceu o Evangelho através da internet. Impactado pela mensagem de salvação, pediu para o Senhor se revelar a ele.
Certa noite, Zaid teve sua oração respondida. O ex-muçulmano sonhou com Jesus, que lhe disse: “Eu deixei as 99 e vim atrás de você”.
“Naquele momento, senti como se o mundo tivesse parado. Eu descobri Deus!”, testemunhou.
Após a experiência sobrenatural, o jovem entregou sua vida a Cristo não se importando com os riscos de perseguição.
Hoje, Zaid vive sua fé em segredo e decidiu permanecer no Iêmen. O cristão declarou que não abre mão de seu relacionamento com Deus.
“Um dia, a polícia pode me levar, ou alguém pode me matar, mas Deus estará comigo”, ressaltou ele cheio de convicção.
Perseguição no Iêmen
Em uma sociedade majoritariamente muçulmana e profundamente marcada por conflitos políticos e religiosos, a fé cristã costuma ser vivida em segredo.
Reuniões, discipulados e momentos de oração frequentemente acontecem de forma clandestina para evitar represálias.
Apesar da pressão crescente, líderes cristãos afirmam que o número de pessoas interessadas no cristianismo continua aumentando no país.
A Igreja no Iêmen está enfrentando uma repressão sem precedentes, com mais de 50 crentes presos nos últimos meses.
Em fevereiro deste ano, convertidos foram presos ou sequestrados após operações realizadas principalmente por autoridades ligadas ao grupo terrorista Houthi.
Muitos são levados para locais desconhecidos e mantidos sem comunicação com familiares ou advogados.
*Nome alterado por motivos de segurança.