Polícia interrompe culto e leva 12 cristãos à delegacia na Argélia

Os cristãos foram levados para uma delegacia e podem ser acusados com base em uma lei que prevê até cinco anos de prisão por cultos não autorizados.

fonte: Guiame, com informações de Morning Star News

Atualizado: Terça-feira, 15 Setembro de 2026 as 4:55

Cristãos enfrentam restrições para realizar cultos na Argélia. (Foto: Ilustração/Unsplash/Daoud Abismail)
Cristãos enfrentam restrições para realizar cultos na Argélia. (Foto: Ilustração/Unsplash/Daoud Abismail)

A polícia das forças especiais da Argélia interrompeu um culto e deteve os 12 cristãos que estavam no local, no dia 4 de setembro. Os fiéis foram levados para uma delegacia sob suspeita de realizarem uma reunião não autorizada pelas autoridades.

A operação aconteceu em um prédio residencial em L'Ayaida, a cerca de 36 quilômetros de Oran. O local funcionava como abrigo e centro de recuperação para mulheres em situação de vulnerabilidade e suas famílias.

O prédio também tinha um salão usado para cultos, mas as autoridades determinaram o fechamento do espaço em outubro de 2019. Mesmo assim, os cristãos continuaram se reunindo em outro ambiente residencial dentro da propriedade para realizar os cultos.

Segundo fontes, o local já vinha sendo monitorado pelas autoridades há algum tempo. No dia da operação, os policiais invadiram a reunião com um mandado de busca e levaram os 12 cristãos para a delegacia de Bethioua.

Durante a ação, os agentes apreenderam Bíblias e outros materiais cristãos, além de celulares e documentos de identidade dos presentes.

O Morning Star News informou que as mulheres foram liberadas, mas tiveram que voltar à delegacia na manhã seguinte para serem interrogadas. Já os homens permaneceram detidos até tarde da noite. Alguns só foram liberados por volta das 3h da manhã.

Lei prevê prisão e multa para cristãos 

Os cristãos temem que o grupo seja acusado com base na Portaria 06-03, uma lei de 2006 que regulamenta o culto de religiões não muçulmanas na Argélia e criminaliza o culto coletivo fora das regras aprovadas pelo governo ou qualquer ação considerada como "abaladora da fé de um muçulmano". 

A legislação determina que os locais usados para cultos não muçulmanos precisam de autorização do governo. As regras preveem multas altas e penas de prisão para quem descumpri-las. 

As penas podem chegar a cinco anos de prisão e multas de até 1 milhão de dinares argelinos. 

Pedidos de autorização feitos por cristãos para regularizar seus locais de culto continuam sem resposta das autoridades.

Até o momento, os 12 cristãos ainda não haviam sido apresentados a um promotor, etapa que pode levar o caso a julgamento.

A situação faz parte de uma série de medidas contra cristãos na Argélia, principalmente na região de Oran.

Segundo a missão Portas Abertas, quase todas as 47 igrejas oficiais ligadas à Igreja Protestante da Argélia (EPA) receberam ordens de fechamento ou foram lacradas pelas autoridades.

Além disso, mais de 50 cristãos foram processados ​​por sua fé nos últimos anos.

Controle sobre os cristãos

A operação policial realizada em 4 de setembro faz parte de uma série de perseguições judiciais contra cristãos na Argélia, principalmente na região de Oran.

Para cristãos do país, as autoridades continuam tentando criminalizar a prática do cristianismo e controlar o funcionamento das igrejas.

A Argélia ficou em 20º lugar na Lista Mundial de Vigilância 2026 da Portas Abertas, que classifica os 50 países onde é mais difícil ser cristão.

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