Terroristas do Boko Haram aceitam Jesus e passam a fazer parte de igreja perseguida

Seis integrantes do Boko Haram aceitaram Jesus após ouvirem o Evangelho durante uma conferência na Nigéria e hoje fazem parte de igrejas clandestinas no país.

fonte: Guiame, com informações de Baptist Press

Atualizado: Terça-feira, 13 Outubro de 2026 as 4:30

Os homens são discipulados e integrados a igrejas clandestinas no país. (Foto: Reprodução/Baptist Press)
Os homens são discipulados e integrados a igrejas clandestinas no país. (Foto: Reprodução/Baptist Press)

Seis integrantes do Boko Haram aceitaram Jesus após entrarem desarmados em uma conferência para pastores de igrejas clandestinas em Maiduguri, na Nigéria, e ouvirem o Evangelho.

O missionário Brad Brandon, fundador do projeto evangelístico Across Nigeria, voltado à evangelização de muçulmanos fulani, contou que o episódio ocorreu em 2025, na região conhecida como o berço do Boko Haram.

Os seis homens apareceram na porta do local durante a cerimônia de encerramento da conferência. Eles vestiam túnicas verdes que permitiam identificá-los como integrantes do grupo terrorista.

“Pensamos que, se eles estão aqui e realmente querem aprender e conhecer, não queremos impedi-los. É por isso que estamos aqui, para levar o Evangelho”, disse Brandon à Baptist Press.

“Então, nós os deixamos entrar e os permitimos participar do nosso trabalho missionário. Conseguimos levar todos os seis a Cristo. E eles se tornaram parte de nossas igrejas clandestinas”, acrescentou.

O missionário explicou que muitos evangelistas que lideram igrejas públicas e clandestinas na Nigéria vieram do Islã. 

Alguns atuam em regiões onde a conversão ao cristianismo pode resultar em perseguição e até mesmo em morte, especialmente em comunidades onde a lei islâmica, conhecida como Sharia, é aplicada de forma rigorosa.

7.600 muçulmanos para Cristo

O trabalho de Brandon é direcionado principalmente aos fulani. Embora a maioria viva pacificamente com seus vizinhos, alguns estão envolvidos em atividades extremistas e integram grupos terroristas, como o Boko Haram.

Há mais de uma década, Brandon sentiu o chamado de Deus para atuar no norte da Nigéria. Para se aproximar das comunidades fulani, ele começou construindo escolas sem atividades evangelísticas, com o objetivo de oferecer educação às crianças. Muitos fulani não sabem ler nem em hauçá, língua falada por eles, nem em inglês, idioma oficial da Nigéria.

Os professores são orientados a não evangelizar os alunos, pois isso poderia gerar problemas para o trabalho. Em vez disso, eles desenvolvem relacionamentos com os pais e, por meio dessa aproximação, compartilham o Evangelho.

“É através dos relacionamentos que nossos professores têm com os pais que podemos ter uma oportunidade para falar sobre Cristo”, explicou ele.

E continuou: “No geral, nos últimos 13 anos, eu diria que vimos 7.600 muçulmanos virem a Cristo”.

Em 2019, cerca de cinco anos depois de um líder fulani local apresentá-lo a uma aldeia da comunidade, Brandon lançou oficialmente o Across Nigeria. Desde então, o projeto tem recebido apoio de igrejas dos Estados Unidos.

Evangelização em áreas de perseguição

A Igreja Batista de Decatur, no Alabama, apoia o ministério há cerca de quatro anos.

Segundo o pastor sênior Joe McKaig, a congregação contribui financeiramente e realiza reuniões de oração pelos missionários e pelas iniciativas que ajuda a manter.

“Nós realmente admiramos o que Brandon está fazendo, abordando a questão de forma holística, certamente levando o Evangelho adiante. É simplesmente a maneira como ele ministra entre os muçulmanos fulani. Ele vai até lá, constrói escolas, educa as crianças e até mesmo oferece lugares seguros para aqueles que estão sendo ameaçados”, relatou Joe.

A igreja doou US$ 53 mil para a construção de uma das escolas administradas pelo projeto. No entanto, devido aos riscos de segurança, a congregação não envia equipes missionárias à região.

A Nigéria continua sendo um dos países mais perigosos para os cristãos. De acordo com a Lista Mundial da Perseguição 2026, da missão Portas Abertas, 3.490 cristãos foram mortos no país por causa da fé durante o período analisado, que corresponde a 2025. O número é superior aos 3.100 registrados no levantamento anterior.

“Há pouquíssimos que estão ministrando na Nigéria e especialmente no norte da Nigéria. Há pouquíssimos que ministram entre o Boko Haram e os muçulmanos Fulani. É uma situação difícil, e também valorizamos isso”, afirmou Joe.

Para proteger os evangelistas e as comunidades atendidas, Brandon adota diferentes estratégias, como infiltrar informantes em redes terroristas e verificar se os convertidos são sinceros. O missionário também mantém igrejas clandestinas em locais onde reuniões abertas seriam muito perigosas e constrói relacionamentos com os fulanis da região, que ajudam a proteger as escolas e o ministério.

Além disso, o ministério realiza verificações de antecedentes de todos como parte do processo de seleção, utilizando bancos de dados federais dos EUA e da Nigéria, referências locais, igrejas e outras fontes.


Reunião de cristãos em uma igreja clandestina. (Foto: Reprodução/Baptist Press)

“Realizamos uma verificação completa de antecedentes de todos antes de contratá-los, pois não queremos ninguém que esteja atualmente associado a um grupo terrorista ou que faça parte ativamente de um grupo terrorista”, disse Brandon. 

“Muitas vezes, não contratamos ninguém que conhecemos há menos de três anos e com quem não trabalhamos há três anos. Portanto, eles precisam fazer parte de uma igreja. Precisam fazer parte de uma comunidade”, acrescentou.

Apesar das precauções, o ministério não consegue evitar completamente o perigo. No início deste ano, homens-bomba suicidas mataram quatro membros de igrejas clandestinas em Maiduguri.

Por isso, as igrejas adotam medidas para evitar que os membros se reúnam sempre no mesmo local, dia e horário. Os encontros são alternados, e as congregações não se concentram em um único espaço.

Ex-terrorista se torna evangelista

Segundo o missionário, os fulanis valorizam a educação oferecida pelas escolas, que abre novas oportunidades profissionais. Com isso, as comunidades ajudam a proteger as escolas e o ministério.

Entre os frutos do trabalho está a conversão de um ex-integrante fulani do Boko Haram, que hoje atua como evangelista e viaja por diferentes países para pregar o Evangelho.

“Ele tinha ouvido falar da nossa organização, da nossa mensagem e do que estávamos fazendo. E ele era fulani, e tinha ouvido falar do nosso trabalho na comunidade fulani, então tínhamos certa simpatia por lá”, disse Brandon. 

“Acabamos tendo um encontro com ele e o levamos a Cristo. Ele é um dos nossos evangelistas que viaja por todo o país. Ele esteve no Chade recentemente, e no Níger no início deste ano, nos ajudando a fundar uma igreja lá. Ele é um evangelista muito poderoso e eficaz”, concluiu.

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