Mulher com quadro terminal se despede da família, mas vive milagre: ‘Sem Deus não viveria’

Desenganada pelos médicos e prestes a entrar em cuidados de fim de vida, Monica passou por um procedimento raro de transplante que salvou sua vida.

fonte: Guiame, com informações da 11 Alive

Atualizado: Sexta-feira, 6 Março de 2026 as 2:57

Monica McFarlan viveu reviravolta após cirurgia. (Foto: Reprodução/Faithpot)
Monica McFarlan viveu reviravolta após cirurgia. (Foto: Reprodução/Faithpot)

Depois de 15 anos convivendo com insuficiência cardíaca, tomando nove medicamentos por dia, passando por várias internações e até uma cirurgia cerebral de emergência após sofrer um ataque cardíaco, parecia que as opções de tratamento para Monica McFarlan tinham se esgotado.

Ela recebeu o diagnóstico quando tinha apenas 37 anos e lutou pela vida durante muitos anos. Mas depois de ser avaliada em vários centros de transplante nos Estados Unidos, sua família recebeu uma notícia devastadora: não havia mais nada que os médicos pudessem fazer.

“Eu tinha entre dois dias e duas semanas de vida para me despedir”, contou Monica à emissora americana 11 Alive.

Os médicos explicaram que um transplante de coração tradicional não era possível. O corpo dela tinha altos níveis de anticorpos, proteínas de defesa do organismo que poderiam atacar e rejeitar rapidamente um novo coração.

Com isso, a equipe médica começou a discutir cuidados paliativos, que são oferecidos quando não há mais tratamento para curar a doença. A família se preparava para o pior.

Foi então que surgiu uma pergunta inesperada:

“Você já ouviu falar do procedimento HALT?”

O HALT — sigla em inglês para Heart After Liver Transplant (Coração após Transplante de Fígado) — é uma nova estratégia cirúrgica. Nesse método, o paciente recebe primeiro um transplante de fígado e depois um transplante de coração, ambos do mesmo doador.

O motivo é surpreendente: o fígado funciona como um “escudo” dentro do corpo, ajudando a neutralizar os anticorpos que poderiam atacar o novo coração. Assim, o risco de rejeição diminui.

Para Monica, era uma esperança quando já parecia não existir mais nenhuma.

Milagre através da medicina

O Dr. Victor Pretorius, diretor cirúrgico de transplante cardíaco da Emory University, explicou o desafio.

“Nós tínhamos uma boa compatibilidade entre doador e paciente, mas sabíamos que o coração seria rejeitado se não usássemos essa estratégia”, disse ele. “Foi um procedimento enorme. A cirurgia durou 16 horas. Mas a biologia por trás disso é incrível. O transplante combinado de fígado e coração oferece proteção ao coração novo e pode dar ao paciente um futuro.”

O detalhe é que essa técnica só havia sido desenvolvida em 2023. Antes disso, Monica já havia sido recusada por todos os centros de transplante que seus médicos procuraram.

“Depois de tentar vários hospitais pelo país, todos negaram o transplante”, explicou o médico. “A única opção que restava era encaminhá-la para cuidados de fim de vida. Ela já estava se preparando para isso quando nossa equipe decidiu tentar.”

A cirurgia de 16 horas foi um sucesso.

O caso marcou a primeira vez que o procedimento HALT foi realizado no estado da Geórgia e apenas a segunda vez em todo os Estados Unidos.

Três meses depois, Monica não está apenas viva — ela está vivendo bem novamente.

“É muito bom voltar a rir e voltar a me sentir eu mesma”, disse.

Ela deixa claro: se está viva, é por um milagre de Deus.

“Eu saí do ponto mais baixo da minha vida, quando estava me despedindo dos meus filhos, do meu marido e da minha mãe, para o ponto mais alto”, contou. 

“Ganhei uma segunda chance, uma terceira, uma quarta! Sou muito grata. Agradeço a Deus todos os dias. Minha fé ficou muito mais forte, porque sem Deus eu não estaria aqui.”

E a história ainda teve um detalhe extraordinário.

O fígado original de Monica, que estava saudável, pôde ser doado para outro paciente com insuficiência cardíaca, ajudando a salvar mais uma vida.

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