Pastor relembra mover dos anos 80 no Sul do Brasil: “Tudo começou com oração”

O pastor Joel Engel contou como um período de intensa oração em Faxinal do Soturno (RS) deu início a um avivamento.

fonte: Guiame, Luana Novaes

Atualizado: Sexta-feira, 15 Maio de 2026 as 5:08

Joel Engel relata avivamento em Faxinal do Soturno (RS). (Foto: Ministério Engel)
Joel Engel relata avivamento em Faxinal do Soturno (RS). (Foto: Ministério Engel)

O pastor Joel Engel relembrou, em uma ministração especial, os 39 anos de um marco que impactou o Sul do Brasil — quando o Espírito Santo desceu de forma poderosa sobre a cidade de Faxinal do Soturno (RS), dando início a um mover de oração, intercessão e avivamento.

“No dia 12 de maio de 1987, aconteceu um fato no Sul do país que mudou essa geração, mudou completamente o Sul, mudou famílias. Deus acendeu um fogo que foi se espalhando, descendo como um rio para a Argentina, subindo para o Canadá e alcançando as nações”, relatou no culto de terça-feira (12).

Engel afirmou que esse mover repercute até hoje:

“Esse rio e esse fogo ainda estão aqui. Pessoas sobem o monte todos os dias. Pessoas oram. Pessoas vêm de várias partes das nações para a Escola Profética e o Alinhamento Profético; e todo esse mover nasceu de um fogo que acendeu no dia 12 de maio de 1987.”

O início em Faxinal do Soturno

Ao relembrar a história, Joel Engel contou que chegou a Faxinal do Soturno em 25 de dezembro de 1985. Segundo ele, a cidade era um lugar de muita resistência ao Evangelho.

“Era uma cidade que parecia impossível”, lembra. “Foram dois anos de intensa oração, dia e noite. No primeiro ano, o máximo que conseguimos alcançar foi uma casa, a casa da dona Hermínia de Oliveira. Ela e o esposo foram curados, e eu ia toda quinta-feira fazer uma reunião ali.”

Nos primeiros anos, mais pessoas foram sendo atraídas, mas Engel sentia falta de ver o batismo no Espírito Santo naquela região.

“Comecei a clamar. Fui processado. O processo começou a apertar, e parecia que os inimigos começaram a contratar bandidos para nos matar. Eu estava jejuando dia e noite, sete dias por semana, sete vigílias por semana. Estava magro, fraco, no limite.”

A bola de fogo e o derramamento espiritual

No dia 12 de maio de 1987, enquanto Engel orava em sua casa, foi tomado pelo Espírito Santo.

“Deus me deu a visão dos novos ungidos. Me deu a visão de uma bola de fogo caindo, mas nada tinha acontecido ainda. Enquanto eu orava e gravava, fui tomado pelo Espírito Santo, caí, fui arrebatado, comecei a falar em línguas, com gemidos.”

Segundo ele, naquele momento, clamava para que Deus derramasse o Espírito Santo sobre Faxinal do Soturno.

“Eu pedia para Deus descer com o Espírito Santo. Naquela hora, veio do céu uma bola de fogo. Não era um cometa, não era uma estrela caindo. Era algo que veio e pairou sobre aquele lugar.”

O pastor disse que pessoas na cidade viram o fenômeno e algumas pensaram que era o fim do mundo.

“As pessoas olharam para cima e viram aquilo. Alguns pensaram que era o fim do mundo e começaram a gritar.”

Enquanto isso, em um conjunto de pequenas casas conhecido como Pavilhão, o Espírito Santo começou a ser derramado sobre os moradores.

“Em um dos apartamentos, alguém começou a orar em línguas dentro de casa. Isso assustou as pessoas que estavam perto. Elas ficaram com medo de entrar. Dentro do quarto estava a primeira pessoa batizada no Espírito Santo em casa, falando em línguas, gritando e sacudindo o prédio todo.”

Ele contou que outros entraram no quarto e também foram cheios do Espírito Santo.

“Entrou o primeiro e ficou lá. Entrou o segundo e também ficou. O terceiro pensou: ‘Quem entra não volta mais’. Mas entrou também. Depois o quarto. Todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas.”

Engel disse que só soube do que havia acontecido dois dias depois, quando chegou à cidade.

“Naquela época não tinha telefone, não tinha celular. Dois dias depois, na quinta-feira, cheguei à cidade e vi aquele grupo vindo ao meu encontro. Eles queriam me contar, mas em vez de falar português, falavam em línguas. Não conseguiam explicar o que havia acontecido.”

Segundo o pastor, o fogo começou a se espalhar rapidamente.

“O vizinho dizia: ‘Não sei. Começou a gritar aqui do lado, depois passou para o outro, depois para o outro’”.

Foi então que Deus direcionou Engel a colocar uma placa no local onde fazia as reuniões com o nome “Escola Profética”.

“O Espírito Santo falou comigo: ‘Pega o prédio, coloca a placa Escola Profética e começa a ensinar. Esta é a geração. Estes são os novos ungidos. Esta unção que está vindo vai levantar um povo, vai incendiar o Sul, vai contagiar, multiplicar e correr do Sul até o Norte’.”

Vidas impactadas

O pastor relembrou o primeiro culto realizado após o derramamento. Segundo ele, havia 52 pessoas reunidas, mas não foi possível pregar.

“Nós começamos às oito da manhã de domingo. O título da mensagem era ‘Despertando Vocações’. Mas eu não consegui pregar, porque eles pulavam, falavam em línguas, se abraçavam e ficavam duas horas, quatro horas abraçados.”

Ele descreveu manifestações que nunca havia visto antes.

“Alguns rolavam no chão, outros urravam como leão. Eu perguntava: ‘O que está acontecendo com o meu povo, com a minha igreja? Eu nunca vi nada disso na minha vida’.”

Segundo o pastor, Deus lhe disse que seu papel era observar o que Ele estava fazendo.

“Deus falou comigo: ‘Eu te chamei para te dar Faxinal do Soturno, para você ser minha testemunha. Observe o que estou fazendo’. E eu estou observando até hoje.”

Engel relacionou o mover ao texto bíblico do profeta Joel.

“É isto que disse o profeta Joel: ‘Nos últimos dias, derramarei do meu Espírito sobre toda carne. Vossos filhos e filhas profetizarão’. Eles estavam profetizando o tempo inteiro.”

Apesar dos milagres e manifestações espirituais, Engel destacou que a principal marca daquele mover não foi o poder, mas o amor.

“O que eu observei é que as pessoas mudaram. Antes, eram rebeldes, egoístas, difíceis de tratar, fechadas, com cara séria. Agora estavam chorando, quebrantadas, cheias de amor.”


Legenda: Joel Engel relata avivamento em Faxinal do Soturno (RS). (Foto: Ministério Engel)

Para ele, esse foi o maior sinal da unção:

“A maior característica não é poder para curar ou expulsar demônios. O que eu vi transbordar nessa unção foi o amor de Deus. Pessoas choravam a noite inteira por um parente que não vinha ao culto. Choravam e gemiam por pessoas que nem conheciam.”

Perseguidores alcançados pela unção

O pastor também relatou que até pessoas enviadas para matá-lo foram tocadas por Deus.

“Começaram a vir pessoas para saber o que estava acontecendo, para espionar, e já caíam na unção. Até assassinos contratados para nos matar chegavam à porta e caíam na unção.”

Ele citou o caso de um homem chamado José.

“Diziam que ele era pistoleiro. Cortaram o dedo dele para ele parar de atirar. Contrataram esse homem para acabar com a minha vida’.”

Mas, segundo Engel, ao entrar no local, o homem foi tomado pela presença de Deus.

“Ele entrou só com a faquinha e ficou deitado no chão por uma semana. Ninguém sabia quem era. Só sabiam que ele rolava de um lado para o outro.”

Em outro episódio, quatro homens teriam ido procurá-lo para matá-lo.

“Vieram quatro pessoas de carro para me matar. Eu estava na frente da igreja, tomando chimarrão. Depois descobrimos que um deles também tinha sido contratado para me matar, mas Deus mudou o coração dele.”

O pastor afirmou que esse homem passou a querer protegê-lo.

“Ele disse: ‘Agora eu quero lhe proteger, porque sei que eles querem lhe matar’. Uma pessoa que chegou para matar teve o coração mudado por Deus.”

O fogo chega ao Canadá

Engel também contou que, anos depois, foi chamado para ministrar no Canadá e se surpreendeu ao descobrir que a história do mover no Sul do Brasil já era conhecida por lá.

“No Canadá, ouvi dizerem: ‘Esse fogo que está aqui começou no Sul do Brasil. O Brasil não aceitou essa unção, ela foi para a Argentina, e nós, canadenses, fomos buscá-la na Argentina. Agora está chegando aqui Joel Engel, o homem da bola de fogo’.”

Segundo ele, os canadenses sabiam detalhes da história, inclusive a data.

“Eles sabiam tudo o que tinha acontecido, até a data. Eu nem lembrava da data. Depois saiu em um site, e milhões de pessoas conheceram a história.”

Engel ressaltou que a unção não pertence a uma pessoa, mas ao Senhor.

“A unção não é minha. A unção é do Senhor. Ela veio para o Sul do Brasil, está se espalhando do Sul até o Norte, está indo pelas nações e está procurando corações que querem mais de Deus.”

Jovens enviados para evangelizar

O pastor contou que preparou 70 alunos e recebeu de Deus a orientação para enviá-los de dois em dois.

“Eu preparei 70 alunos, e Deus mandou enviá-los de dois em dois.”

Dois desses jovens, segundo ele, foram para Nova Palma, onde entraram em um centro de macumba.

“Eram dois meninos, de 12, 13 e 14 anos. Eles chegaram em Nova Palma, entraram em um centro de macumba e disseram: ‘Paz seja nesta casa’. Todos que estavam lá dentro caíram.”

Segundo Engel, até o final da tarde, pessoas daquele local foram até Faxinal dizendo que haviam aceitado Jesus.

“Chegou um pai de santo com as roupas e disse: ‘Profeta, nós aceitamos Jesus com esses meninos. Fomos libertos e agora queremos servir a Deus’.”

Engel afirmou que eles foram treinados e enviados de volta para evangelizar outras pessoas.

“Eu disse: ‘Vocês vão ficar um tempo aqui, serão treinados e enviados de volta para ganhar todos os seus clientes para Jesus’.”

Segundo Engel, aquele período deu origem a uma comunidade profética, onde a marca central era o amor.

“Ninguém se preocupava em dormir no chão, em dar o travesseiro para o irmão, em dormir no monte ao relento. O mais importante que vi nisso foi o amor de Deus derramado.”

Esse amor, segundo ele, gerou fome pela evangelização.

“As pessoas sentiam amor por Deus e fome de levar a Palavra. Queriam ir para as praças, pintar os muros da cidade, escrever ‘Jesus’ nos postes.”

O pastor contou que chegou a ser chamado por um juiz por causa da evangelização intensa dos jovens.

“O juiz disse: ‘Vocês querem enfiar Jesus goela abaixo das pessoas. Todo dia de manhã tem um folhetinho embaixo da minha porta’. Eu respondi: ‘O senhor já começou a entender. É isso mesmo. Nós queremos virar o mundo de cabeça para baixo’.”

Compromisso com a oração 24 horas

Outra marca do ministério Engel é a oração ininterrupta, que acontece há mais de três décadas em Faxinal do Soturno.

“A nossa casa de oração foi homenageada. Ganhamos uma placa por ser a casa de oração mais antiga com oração 24 por 7 ininterrupta no mundo. Isso não é coisa pequena.”

Para o pastor, o segredo está na busca intensa por Deus.

“Deus recompensa a busca. Se você me buscar de todo o coração, você vai me encontrar. Você precisa ser um caçador de Deus. Quanto tempo temos que orar? Até que Ele venha. Pode durar décadas, pode durar cem anos. Busque com todo o coração, com toda a força.”

O pastor então reforçou o poder da permanência: 

“O Senhor tem a maior prova do teu amor e da tua aprovação: permanência. Essa unção permanece até hoje. A característica mais forte é o amor e a permanência de geração em geração.”

E finalizou: “Quero falar algo para todas as casas de oração do mundo: o segredo desta unção permanecer em um lugar é entender por que ela veio. Essa unção que transborda amor no coração veio para preparar a Igreja para se encontrar com Jesus nos ares.”

Veja a ministração completa:

 

veja também