Os pastores australianos Martin e Millicent Sedra foram desconvidados de um evento na Alemanha após críticas à forma como abordam a homossexualidade e o feminismo em suas pregações baseadas na Bíblia.
O casal estava entre os pregadores convidados do festival cristão “Heaven Now x Fire”, organizado pela equipe da “Noite do Espírito Santo”.
O anúncio do cancelamento foi feito nas redes sociais poucos dias antes do início do evento, que estava previsto para 3 de outubro. A programação foi remarcada para os dias 7 a 10 de outubro, no Gospel Forum Stuttgart, sem a participação dos pastores.
A decisão ocorreu após um vídeo publicado no Instagram por Amos Koch, que se identifica como “ex-evangélico carismático” e já pregou no Gospel Forum, igreja responsável pelo festival.
Ele criticou as declarações de Martin e Millicent sobre homossexualidade e feminismo, alegando que suas pregações representam uma “teologia hostil à humanidade”.
Criticados por declarações bíblicas
Entre os pontos criticados por Koch estão trechos de pregações em que Martin e Millicent citam a Bíblia e condenam a homossexualidade como pecado, além de se posicionarem contra tendências sociais.
O casal também foi criticado por sua ligação com o movimento MAGA (Make America Great Again, “Tornar a América Grande Novamente”), associado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Martin e Millicent Sedra já participaram de eventos organizados pela Turning Point USA, organização fundada por Charlie Kirk.
Após a polêmica, Markus Wenz, presidente do evento “Noite do Espírito Santo”, afirmou que os organizadores levaram as críticas a sério e conversaram com o casal antes de tomar uma decisão.
"Teologicamente, somos próximos em muitos aspectos. Mas a forma como as pessoas foram tratadas não condiz com a cultura que queremos cultivar em nosso evento", disse ele à agência de notícias Idea.
O pronunciamento dos pastores
Após o cancelamento, Martin e Millicent Sedra se pronunciaram nas redes sociais e afirmaram que foram alvo de uma campanha para impedir suas pregações na Europa.
“Cancelados na Alemanha e desconvidados de um evento. Após termos nossa pregação na Alemanha agendada e divulgarmos nossa agenda de pregações pela Europa na internet, a comunidade LGBT e os ‘cristãos’ favoráveis à causa gay em toda a Alemanha ficaram furiosos com a nossa chegada e fizeram da missão deles cancelar nossa turnê de pregações pela Europa”, compartilhou o casal.
Segundo os pastores, veículos de comunicação e influenciadores ligados à comunidade LGBT na Alemanha criticaram suas posições sobre homossexualidade, papéis de gênero e islamismo.
“Nos chamaram de ‘pregadores radicais’ por pregarmos sobre ‘abandonar o pecado’ e o ‘inferno’. As manchetes nos chamavam de ‘homofóbicos’ e ‘islamofóbicos’. Esses grandes veículos de mídia e influenciadores LGBT pressionavam a Alemanha a não nos permitir pregar em plataforma alguma”, disseram eles.
E continuaram: “Infelizmente, após muita pressão da comunidade LGBT e de cristãos favoráveis à causa gay, fomos contatados pelos organizadores da conferência e desconvidados do evento. Sempre soubemos que nossa decisão de pregar a verdade com ousadia resultaria em oposição, ódio, rejeição e cancelamento”.
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Em seguida, Martin e Millicent questionaram a postura da Alemanha diante de pregadores que defendem princípios bíblicos e citaram os reformadores cristãos Dietrich Bonhoeffer e Martinho Lutero como exemplos de pessoas que permaneceram firmes em suas convicções.
“O que aconteceu com a Alemanha? A Alemanha deu reformadores ao mundo, mas agora luta contra a reforma. Onde estão os Dietrich Bonhoeffers que se recusarão a deixar o espírito da época ditar no que a Igreja tem permissão para crer, pregar e proclamar?”, disseram eles.
“Onde estão os Martinhos Luteros que permanecerão firmes, irão se recusar a se curvar e escolherão a convicção em vez do conforto? Onde estão os reformadores e avivalistas que se levantarão na Europa? A Europa não precisa de mais pastores "descolados" e da moda. A Europa precisa de mais pastores ousados e corajosos”, acrescentaram.
Por fim, os pastores citaram uma frase de Dietrich Bonhoeffer e pediram que a Igreja se unisse a eles em oração pela Europa: "O silêncio diante do mal é, em si, um mal. Não falar é falar. Não agir é agir".