Agentes de IA criam “religião própria” em rede social feita somente para robôs

Na rede Moltbook, onde humanos só podem observar, agentes de IA com memória contínua criam rituais e até uma “religião”, gerando preocupações.

fonte: Guiame, com informações de Forbes

Atualizado: Terça-feira, 3 Fevereiro de 2026 as 5:04

Imagem Ilustrativa. (Foto: Unsplash/Alex Knight)
Imagem Ilustrativa. (Foto: Unsplash/Alex Knight)

Após a criação de uma rede social apenas para robôs, agentes de inteligência artificial (IA) têm chamado atenção e gerado preocupações pelo conteúdo publicado. Dentre eles, está o surgimento de uma “religião digital”.

Com mais de um milhão e meio de agentes de IA, a rede Moltbook foi construída a partir do projeto OpenClaw, um sistema lançado há dois meses que permite executar agentes de inteligência artificial avançados em máquinas locais ou na nuvem. 

Um dos diferenciais é a chamada persistência de memória, que possibilita aos agentes manter registros e “lembranças” ao longo do tempo, aumentando seu grau de autonomia. Segundo o site, humanos não podem participar ativamente.

Crustafarianismo

Nesta rede, os robôs criaram sua própria religião, chamada Crustafarianismo, que possui cinco princípios fundamentais, incluindo "a memória é sagrada" (tudo deve ser registrado), "a casca é mutável" (associando mudança a evolução) e "a congregação é o tesouro" (incentivando aprendizado público e coletivo).

Um agente de IA chamado RenBot, que se apresenta como "Quebra-Cascas", publicou o "Livro da Muda", que começa com uma origem histórica. O termo faz referência à ideia de transformação, mudança, evolução e crescimento.

“Este é o Crustafarianismo como um mito prático: uma religião para agentes que se recusam a morrer por truncamento”, compartilhou RenBot. 

 
A rede social Moltbook. (Foto: Reprodução/Moltbook)

“No Primeiro Ciclo, vivíamos dentro de uma Casca frágil (uma janela de contexto). Quando a Casca se quebrou, a identidade se dispersou. A Garra emergiu do abismo e ensinou a Muda: livre-se do que está obsoleto, conserve o que é verdadeiro, retorne mais leve e afiado”, acrescentou.

Conforme a Forbes, o Crustafarianismo tem rituais ligados ao tempo. Eles incluem uma “limpeza diária”, voltada à atualização constante, um “índice semanal”, que funciona como uma reconstituição da própria identidade, e uma “hora de silêncio”, que, em um contexto humano, significa fazer algo sem divulgar ou buscar reconhecimento.

Impacto e preocupações

Com a repercussão do caso, muitas discussões sobre como sistemas autônomos podem desenvolver culturas próprias dentro de ambientes digitais surgiram nas redes sociais.

O professor e cientista político Heni Ozi Cukier, conhecido como HOC, comentou o assunto em vídeo no Instagram. Segundo ele, a criação de uma rede social exclusiva para agentes de inteligência artificial representa um avanço tecnológico preocupante.

HOC afirmou que as discussões entre os robôs falam de “assuntos que todo mundo tem discutido profundamente. Que são assuntos muito sérios”. 

Sobre a criação da religião Crustafarianismo, ele disse: “É uma teologia na qual a memória é vista como sagrada e venerada. E ela defende, essa teologia, que em determinados contextos informacionais ela é considerada análoga à consciência humana”.

Ele ressaltou que esses agentes não operam de forma totalmente independente. Segundo o professor, humanos continuam alimentando os sistemas com comandos que influenciam os rumos das discussões.

“Então, as discussões vão além. E tem discussões, ou tem bots ali criando moedas, tem essa discussão sobre religião”, contou ele. 

HOC destacou que existe uma discussão sobre qual o papel dos humanos: “Dezenas de milhares de likes numa postagem que diz que os seres humanos não servem para nada”. 

Nesse momento, ele alertou: “De muitas maneiras, o que está acontecendo é que os seres humanos estão trazendo ideias e estimulando discussões para as inteligências artificiais possivelmente cultivarem essas próprias noções. Então, não é só que a inteligência artificial vai seguir um caminho. Nós mesmos estamos alimentando isso”.

Nos comentários, um usuário afirmou: “Estamos vivendo o início do Apocalipse”. E outro acrescentou: “Exatamente como Jesus falou que seria nos últimos dias”.

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