O adolescente de 16 anos que foi preso em Cuba teve tratamento médico negado na prisão, causando preocupações com sua saúde.
A Missão Portas Abertas denunciou o governo cubano de impedir Jonathan Muir Burgos, que sofre de uma doença dermatológica chamada disidrose, de receber cuidados enquanto permanece detido em uma penitenciária de segurança máxima.
Para a organização, negar o acesso do adolescente ao tratamento é uma forma de pressionar seus pais, que lideram uma igreja evangélica não registrada.
Jonathan, filho do pastor Elier Muir Ávila, não teve acesso a medicamentos desde que foi detido, conforme a Portas Abertas.
Além disso, as condições precárias na prisão, incluindo uma infestação de percevejos, pioraram seu estado de saúde.
Sem passar por tratamento contínuo, o adolescente cristão corre risco de desenvolver infecções que podem ser fatais.
A Portas Abertas apelou ao governo cubano que Jonathan tenha acesso a cuidados médicos e pediu transparência nos processos criminais que ele enfrenta.
"A situação exige solidariedade e a defesa da dignidade humana, especialmente para aqueles que são mais vulneráveis. Como Corpo de Cristo, não podemos permanecer indiferentes à situação de um de nossos membros, especialmente quando envolve um menor”, afirmou um porta-voz da organização.
Jonathan Muir Burgos e seu pai Elier Muir Ávila foram detidos pela polícia em março, na cidade de Morón, na província de Ciego de Ávila, em meio à repressão do governo comunista contra cristãos.
Eles foram presos por participarem de protestos contra o governo que aconteceram em Morón, após quedas de energia constantes, e escassez de alimentos e remédios no país.
Mesmo sendo menor de idade, Jonathan passou por interrogatório sobre sua presença no protesto e sobre o que ele falou na manifestação, incluindo se ele pediu por liberdade. O pastor Elier foi libertado no mesmo dia, porém seu filho permaneceu detido.
Família pastoral perseguida
Ativistas pela liberdade religiosa relataram que a família do pastor Elier Ávila já tem enfrentado pressão do governo por suas atividades religiosas. Ele lidera a igreja Tiempo de Cosecha, uma congregação independente não registrada.
Em 2024, o pastor recebeu diversas visitas de autoridades locais, enviados pelo Escritório de Assuntos Religiosos do Comitê Central do Partido Comunista Cubano, que o alertaram que somente igrejas autorizadas pelo governo podiam funcionar e apenas líderes reconhecidos pelo Estado poderiam ministrar.
O Reverendo Mario Felix Lleonart Barroso, ativista cubano pela liberdade religiosa, afirmou que o caso recente se assemelha com a prisão do pastor Lorenzo Rosales Fajardo e seu filho adolescente após protestos em julho de 2021, em Cuba.
“O governo cubano tem um longo histórico de mirar os filhos de líderes da igreja como uma tática de pressão”, afirmou a Christian Solidarity Worldwide (CSW).
Perseguição em Cuba
Segundo o Banco de Dados Cristão Mundial, cerca de 85% dos cubanos se identificam como cristãos. A maioria é católica e cerca de 11% são evangélicos.
No país, os cristãos enfrentam detenções arbitrárias, ameaças e assédio. Participar de cultos é permitido, mas novas igrejas não podem ser abertas.
Diante da repressão, milhares de seguidores de Jesus têm encontrado abrigo espiritual nas chamadas igrejas domésticas.
Mesmo sob vigilância constante, essas pequenas comunidades continuam a se multiplicar e se tornam fundamentais para manter viva a fé na ilha.
As igrejas domésticas são grupos cristãos que se reúnem para realizar cultos dentro das casas de pastores ou de membros da comunidade.
De acordo com dados da associação ASCE Cuba, há entre 20 mil e 30 mil dessas igrejas ativas no país. Elas funcionam sem placas, sem autorização oficial e, muitas vezes, enfrentam o constante risco de repressão governamental.
Cuba ocupa o 24° lugar da Lista Mundial da Perseguição 2026 da Missão Portas Abertas.