Cristãos sofrem perseguição da Guarda Revolucionária do Irã, designada terrorista pela UE

A medida da União Europeia criminaliza as atividades da Guarda Revolucionária e busca enfraquecer sua influência política e econômica no continente.

fonte: Guiame, com informações do Jerusalem Post

Atualizado: Quinta-feira, 29 Janeiro de 2026 as 2:55

Integrantes da Guarda Revolucionária do Irã. (Captura de tela/YouTube/Washington Post)
Integrantes da Guarda Revolucionária do Irã. (Captura de tela/YouTube/Washington Post)

Em uma decisão histórica anunciada nesta quinta-feira (29), os ministros das Relações Exteriores da União Europeia (UE) concordaram em incluir a Força Quds e a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) na lista de organizações terroristas do bloco.

A inclusão da Guarda Revolucionária na lista europeia busca criminalizar suas atividades no continente, atingindo tanto a influência política quanto econômica do grupo, que controla parcela significativa da economia iraniana.

A chanceler da política externa europeia, Kaja Kallas, afirmou que “qualquer regime que mata milhares de seu próprio povo caminha rumo ao seu próprio fim”.

“Os ministros das Relações Exteriores da UE acabaram de dar o passo decisivo de designar a Guarda Revolucionária do Irã como uma organização terrorista. Qualquer regime que mata milhares de seus próprios cidadãos está caminhando para a sua própria destruição”, disse Kallas.

O ministro das Relações Exteriores, Gideon Sa'ar, elogiou a decisão em uma postagem na X na quinta-feira, chamando-a de "importante e histórica", observando que Israel trabalhou durante anos para "alcançar esse resultado".

"Designar a Guarda Revolucionária Islâmica como uma organização terrorista irá frustrar e criminalizar suas atividades na Europa", prosseguiu Sa'ar.

"Isso representará um duro golpe econômico para uma organização que controla uma vasta parcela da economia do regime iraniano."

"Isso envia uma mensagem importante aos bravos homens e mulheres do Irã que lutam por sua liberdade."

A decisão da UE ocorre após o anúncio feito pela França na quarta-feira de que apoiaria a medida, depois de uma hesitação inicial.

"A França apoiará a inclusão da Guarda Revolucionária Islâmica na lista de organizações terroristas da União Europeia", disse o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, na quarta-feira, em entrevista à emissora X.

"A repressão insuportável da revolta pacífica do povo iraniano não pode ficar sem resposta. A extraordinária coragem que demonstraram diante da violência cega desencadeada contra eles não pode ser em vão."

A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) deverá realizar exercícios com munição real no Estreito de Ormuz.

As forças navais da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) realizarão exercícios com munição real no Estreito de Ormuz nos dias 1 e 2 de fevereiro, informou a Press TV nesta quinta-feira.

O Estreito é a rota de exportação de petróleo mais importante do mundo, conectando os maiores produtores de petróleo do Golfo, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos, com o Golfo de Omã e o Mar Arábico.

Força repressora aos cristãos

A IRGC – Força Quds e demais divisões da Guarda Revolucionária – não atua apenas como uma força militar paralela no Irã.

Elas são reconhecidas como um dos principais instrumentos de sustentação do regime teocrático estabelecido após a Revolução Islâmica de 1979, com missão explícita de defender a ordem religiosa-política liderada pelo Líder Supremo e de reprimir qualquer expressão vista como ameaça à ideologia oficial do Estado.

Essa repressão se estende de forma particularmente aguda às minorias religiosas, especialmente aos cristãos convertidos do islamismo, que se tornaram alvos frequentes de vigilância estatal, monitoramento por serviços de inteligência e ações coordenadas das forças de segurança do regime iraniano.

Esses cristãos enfrentam prisões arbitrárias, acusações genéricas de “ameaça à segurança nacional”, interrogatórios coercitivos e o fechamento sistemático de igrejas domésticas.

Essas práticas que vêm sendo denunciadas por organizações internacionais de direitos humanos e de monitoramento da perseguição religiosa como violações recorrentes e estruturais da liberdade de crença.

Segundo o relatório mais recente da Portas Abertas, organização que anualmente publica a Lista Mundial de Perseguição – um ranking dos 50 países onde cristãos enfrentam os níveis mais extremos de violência e discriminação por sua fé – o Irã figura entre as nações com perseguição muito alta a cristãos, ocupando posição de destaque nesse índice global.

A Portas Abertas estima que o Irã tem uma população cristã de cerca de 800 mil pessoas, incluindo cristãos de origem muçulmana que enfrentam pressão constante do Estado e de setores da sociedade.

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