A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, anunciou neste domingo (20) que seu governo pretende proibir o uso de burcas e niqabs nas escolas do país, como parte de novas medidas relacionadas à integração de estudantes estrangeiros.
Segundo a Reuters, Meloni afirmou que a proposta será apresentada em breve ao Conselho de Ministros e também incluirá um limite para o número de alunos estrangeiros por turma.
O anúncio foi feito durante o Fenix, evento da Gioventù Nazionale, organização juvenil ligada ao partido Irmãos da Itália (Fratelli d’Italia), liderado pela primeira-ministra. A edição teve como tema “Il Tempo del Coraggio” (“O Tempo da Coragem”).
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Ao defender a proibição das vestimentas islâmicas que cobrem o rosto, Meloni afirmou que os estudantes precisam frequentar a escola com a face descoberta.
“É preciso ir à escola com o rosto descoberto”, declarou a primeira-ministra, segundo a Reuters.
Meloni também associou a medida à defesa dos direitos das mulheres e afirmou que práticas culturais ou religiosas não podem se sobrepor ao princípio da igualdade.
“Não se pode permitir que alguém, em nome de uma suposta tradição, imponha a uma jovem que esconda o rosto. A igualdade entre homens e mulheres não é negociável”, afirmou.
Burca e niqab
A medida anunciada é direcionada especificamente à burca e ao niqab, duas vestimentas utilizadas por algumas mulheres muçulmanas.
A burca cobre todo o corpo e o rosto, incluindo os olhos por meio de uma tela de tecido. Já o niqab deixa apenas a região dos olhos visível.
A proposta, portanto, não representa uma proibição geral do véu islâmico. O hijab, que cobre os cabelos e o pescoço, mas mantém o rosto descoberto, não foi incluído na medida anunciada por Meloni, conforme a Reuters.
A iniciativa ainda não está em vigor e deverá passar pelo processo político e legislativo necessário para sua implementação.
Limite de alunos estrangeiros
Além da proibição das vestimentas que cobrem o rosto, Meloni anunciou que o governo pretende estabelecer um número máximo de estudantes estrangeiros por turma.
“Se houver apenas uma criança em uma turma que não entenda italiano, essa criança provavelmente conseguirá aprender o idioma e se integrar rapidamente com a ajuda dos colegas e professores. No entanto, se o número de crianças que não entendem o idioma se tornar grande – ou mesmo a maioria – isso deixa de ser integração e passa a ser negligência”, acrescentou ela.
A primeira-ministra não informou qual será o limite, mas argumentou que a concentração elevada de alunos estrangeiros em uma mesma sala pode dificultar o processo de integração.
Segundo a Reuters, estudantes sem cidadania italiana representam atualmente cerca de 11,6% do total de alunos matriculados nas escolas do país.
“Uma medida será em breve apresentada em reunião do Gabinete para estabelecer legalmente um número máximo de estudantes estrangeiros por turma. Ela também exige que os pais de estudantes estrangeiros que enfrentam sérias dificuldades de integração ao sistema escolar aprendam italiano e proíbe o uso de burcas e niqabs nas escolas”, disse Meloni.
As medidas fazem parte da política defendida pelo governo italiano de reforçar a integração de imigrantes à sociedade e à cultura do país.
Debate sobre integração
A questão do uso de vestimentas islâmicas nas escolas já vinha sendo discutida pelo governo italiano.
Em agosto, o ministro da Educação, Giuseppe Valditara, defendeu a proibição da burca nas instituições de ensino, argumentando que a escola deve promover integração e igualdade entre homens e mulheres.
O novo anúncio de Meloni amplia o debate ao colocar a medida entre as propostas que deverão ser analisadas pelo Conselho de Ministros.
A iniciativa também ocorre em meio às discussões na Europa sobre imigração, integração cultural, liberdade religiosa e o uso de vestimentas que cobrem integralmente o rosto em espaços públicos.