Influenciadora cristã é condenada após gravar agente em sua casa em Cuba

Anna Bensi, de 21 anos, gravou o momento em que um oficial lhe entregou uma intimação, em Havana.

fonte: Guiame, com informações de The Christian Post

Atualizado: Segunda-feira, 5 Outubro de 2026 as 12:47

Anna Bensi foi condenada a dois anos de prisão domiciliar. (Foto: Christian Solidarity Worldwide).
Anna Bensi foi condenada a dois anos de prisão domiciliar. (Foto: Christian Solidarity Worldwide).

Uma influenciadora cristã, de 21 anos, e sua mãe foram condenadas à prisão domiciliar após gravarem um agente do governo na casa da família, em Cuba.

Na última quinta-feira (1), Anna Sofía Benítez Silvente, e sua mãe, Caridad Silvent, foram julgadas no tribunal municipal do Leste de Havana.

Conhecida nas redes sociais como Anna Bensi, a criadora de conteúdo costuma fazer críticas contra o governo comunista cubano.

A juíza Zamira Marrero Morgado condenou as mulheres a dois anos de prisão domiciliar, sob a acusação de "atos contra a privacidade pessoal e familiar".

Anna foi proibida de viajar ao exterior. A filha e a mãe também não podem mudar de residência sem permissão e enfrentam limites para viagens fora de sua província.

O caso começou em 10 de março deste ano, quando um agente do Departamento de Segurança do Estado de Cuba foi à casa da família em Havana entregar uma intimação.

Ele vestia roupas civis e foi gravado por Anna e Caridad e a influenciadora cristã compartilhou o vídeo nas redes sociais.

Duas semanas depois, o agente, chamado Yoel Leodán Rabaza Ramos, registrou uma queixa e pediu um pedido de desculpas em vídeo de Anna após "se sentir deprimido" quando o vídeo viralizou na web.

Os promotores se basearam no Artigo 393 do Código Penal de Cuba, que protege a imagem, voz e dados pessoais de uma pessoa, para condenar a filha e a mãe.

O advogado da influenciadora, Roberto Ortega, informou que planeja recorrer na Justiça.

Antes de entrar no julgamento na semana passada, Anna declarou: "Não concordamos com o sistema político do nosso país; isso não é crime. Cuba é uma ditadura, não podemos pensar diferente”.

Ela ainda relatou que o pastor Rolando Pérez Lora, que lhe acompanhava a caminho do julgamento, foi preso sem justificativa por policiais à paisana.

David Espinosa, pastor de jovens da Convenção Batista do Oeste de Cuba, e sua esposa também foram detidos naquele dia. A polícia libertou os líderes após o término do julgamento.

 

As jornalistas independentes Yoani Sánchez e Camila Acosta também denunciaram que a polícia as impediu de sair de casa para cobrir o julgamento da influenciadora cristã.

Segundo o Observatório Cubano de Direitos Humanos, as ações policiais fazem parte de uma operação para manter ativistas, repórteres e líderes cristãos afastados do tribunal.

Multidão orou do lado de fora do tribunal

Durante o julgamento, uma multidão louvou e orou do lado de fora do tribunal. Cerca de 30 representantes de comunidades religiosas participaram do ato.

Na última terça-feira (29), quatro das maiores igrejas evangélicas registradas de Cuba emitiram notas declarando apoio às mulheres: a Assembleia de Deus, a Convenção Batista do Oeste de Cuba, a Liga Evangélica de Cuba e a Igreja Metodista de Cuba.

A Convenção Batista de Cuba Ocidental afirmou que a filha e a mãe fazem parte da igreja e "possuem um testemunho poderoso da vida cristã”.

"Elas não são delinquentes, atacantes, traficantes de drogas, terroristas ou mercenárias. Por um senso básico de justiça, não podemos, não queremos e não vamos deixá-las sozinhas", afirmou a denominação.

"Em uma ilha que está se desmoronando, caracterizada por fome, doença, escassez de água, eletricidade e remédios, apatia e falta de proteção da polícia, a prisão dessas duas mulheres inocentes e justas será a gota que fará o cálice transbordar”.

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