Justiça suspende lei que garantia a igrejas manter banheiros por sexo biológico em BH

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais derrubou a lei, em vigor desde 2023, que protegia a liberdade religiosa em templos.

fonte: Guiame, com informações de G1 e Gazeta do Povo

Atualizado: Sexta-feira, 29 Agosto de 2025 as 10:19

Imagem ilustrativa. (Foto: Unsplash/Serenity Mitchell).
Imagem ilustrativa. (Foto: Unsplash/Serenity Mitchell).

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) suspendeu a lei que garantia que igrejas e escolas religiosas mantivessem banheiros de acordo com o sexo biológico em Belo Horizonte, Minas Gerais.

A legislação, que estava em vigor desde novembro de 2023, permitia que igrejas, escolas confessionais e instituições religiosas continuassem separando os sanitários em feminino e masculino.

O texto garantia que homens transgêneros que se identificam como mulher não pudessem usar o banheiro feminino.

O projeto de lei foi proposto pela vereadora Flávia Borja, aprovado na Câmara Municipal com 26 votos favoráveis, e sancionado pelo prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD).

Conforme a vereadora, o objetivo da lei é proteger a liberdade religiosa, já que líderes religiosos podem ser atacados ou presos por defenderem o uso dos banheiros das suas igrejas segundo o sexo biológico. Na época, Flávia ressaltou que o PL não estava relacionado à discriminação ou segregação.

Pedido de organização LGBT

Entretanto, em agosto deste ano, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais suspendeu a lei após uma ação do Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais (CELLOS/MG).

A organização LBGT alegou que a lei é inconstitucional e pode causar discriminação contra pessoas transgêneros. 

O relator do caso, o desembargador Kildare Carvalho, acatou o pedido do CELLOS. A Prefeitura de Belo Horizonte informou que vai atender a decisão.

A ação é de caráter liminar, ou seja, é provisória, e ainda será julgada em definitivo.

A instituição de consultoria de direito religioso “Direito e Religião” alertou que a ação do TJMG pode abrir brechas legais para a restrição da liberdade religiosa.

“Na prática, a decisão abre caminho para que pessoas trans usem banheiros de acordo com sua identidade de gênero também dentro de organizações religiosas e escolas ligadas a elas”, afirmou.

“A questão ainda será julgada em definitivo. Mas já fica o alerta: quando a autonomia da igreja é limitada, toda a comunidade de fé é atingida”.

veja também