Uma análise de dados recentes dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) revelou uma queda significativa no percentual de adolescentes americanos que se identificam como lésbicas, gays ou bissexuais (LGB). A redução foi mais acentuada entre meninas de 14 e 15 anos.
Os números foram analisados pela psicóloga Jean Twenge, professora da Universidade Estadual de San Diego, e publicados em 28 de setembro no blog científico Generation Tech.
O levantamento utiliza informações do sistema de vigilância de comportamentos de risco entre jovens do CDC, que acompanha estudantes do ensino médio americano.
Com base nos resultados, Twenge classificou a redução na identificação LGB como “impressionante”. Segundo a pesquisadora, a queda é mais acentuada entre os adolescentes mais jovens, especialmente as meninas.
“Parece mesmo uma queda livre”, afirmou, referindo-se principalmente aos estudantes do 9º ano.
Entre as meninas do primeiro ano do ensino médio, equivalente ao 9º ano nos EUA, 30% se identificavam como lésbicas ou bissexuais em 2021. Em 2025, esse percentual caiu para 17%, uma redução de 13 pontos percentuais.
A queda foi ainda mais expressiva entre aquelas que se identificavam especificamente como bissexuais. Nesse grupo, o índice passou de 26% para 13% no mesmo período, uma redução pela metade.
Queda é maior entre adolescentes mais novas
Segundo a análise de Twenge, a redução também aparece quando são consideradas todas as estudantes do ensino médio. Entre as meninas, o percentual de identificação LGB passou de 27% em 2023 para 22% em 2025.
Entre os meninos, a mudança foi menor, com queda de 9% para 7% no mesmo período.
A pesquisa identificou diferenças importantes conforme a idade dos estudantes. Entre os adolescentes de 14 e 15 anos, independentemente do sexo, a identificação LGB caiu de 17% em 2023 para 11% em 2025.
Já entre os estudantes do último ano do ensino médio, geralmente com 17 e 18 anos, a redução foi mais discreta, passando de 18% para 16%.
Os resultados contrastam com o crescimento observado na década anterior. Entre 2015 e 2021, a identificação LGB entre meninas do ensino médio havia aumentado 128%. Entre os meninos, o crescimento foi de 99% entre 2015 e 2023.
Tendência não se repete entre jovens adultos
Apesar da redução entre os adolescentes mais novos, os dados não apontam a mesma tendência entre jovens adultos.
De acordo com Twenge, entre americanos de 18 a 24 anos, a identificação LGB se estabilizou após um período de crescimento acelerado entre 2014 e 2022.
A pesquisadora explicou que análises preliminares haviam indicado uma possível redução nessa faixa etária, mas a tendência desapareceu quando os dados completos de 2025 foram considerados.
Isso significa que a queda observada entre estudantes mais novos não pode ser generalizada para toda a população jovem americana.
Gallup aponta estabilização da identificação LGBT
Os resultados também foram discutidos em um artigo de opinião publicado recentemente pelo Christian Post, assinado por Glenn T. Stanton, diretor de Estudos Globais sobre Formação Familiar da organização cristã conservadora Focus on the Family.
Stanton relacionou os novos dados às pesquisas do instituto Gallup, que acompanha a identificação LGBT entre adultos americanos desde 2012.
Segundo o Gallup, o percentual de adultos que se identificavam como lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros ou outras identidades não heterossexuais passou de 3,5% em 2012 para 9,3% em 2024.
Entretanto, uma atualização divulgada em fevereiro de 2026 mostrou que o índice ficou em 9% em 2025, indicando estabilidade em relação ao ano anterior, e não necessariamente uma tendência de queda na população adulta.
O levantamento mais recente ouviu mais de 13 mil adultos americanos e identificou que 23% dos entrevistados com menos de 30 anos se declaravam LGBT, percentual superior ao registrado nas gerações mais velhas.
Especialistas investigam as causas
No artigo publicado pelo Christian Post, Stanton argumenta que o crescimento da identificação LGBT entre adolescentes teria sido influenciado por fatores culturais, políticos e sociais.
Na avaliação do autor, a redução recente poderia indicar mudanças nessas influências sobre as gerações mais jovens.
Entretanto, a interpretação apresentada por Stanton não constitui uma conclusão científica estabelecida.
A própria Jean Twenge reconheceu que ainda não consegue explicar as razões da redução observada entre os adolescentes mais novos.
A psicóloga também destacou que os resultados podem representar o início de uma mudança geracional, mas ainda é cedo para determinar se a tendência continuará nos próximos anos.
Além das respostas sobre identidade, Twenge analisou dados sobre comportamento sexual. Entre adolescentes sexualmente ativas, especialmente meninas mais novas, também foi observada uma redução na proporção daquelas que relataram relações com parceiras do mesmo sexo.
A pesquisadora ressaltou, porém, que identificação sexual e comportamento não são medidas equivalentes. Além disso, a análise dos percentuais de identificação excluiu respostas de estudantes que declararam outras formas de identidade ou que não souberam responder à pergunta.
Assim, embora os números indiquem uma mudança expressiva entre determinados grupos de adolescentes americanos, ainda não é possível afirmar que essa tendência represente uma transformação permanente na identificação sexual das novas gerações.