Presença de Xi Jinping nos EUA intensifica apelos por cristãos perseguidos na China

Parlamentares americanos pedem que Trump cobre Xi Jinping pela libertação de cristãos presos, enquanto ChinaAid faz apelo por pastor com câncer.

fonte: Guiame, com informações do Christian Post e United States Senate

Atualizado: Quinta-feira, 24 Setembro de 2026 as 10:14

Trump e Xi Jinping durante a cerimônia de boas-vindas ao presidente chinês na Joint Base Andrews, em Maryland, nesta quarta-feira (23). (Foto: Senior Airman Gabriel Jones/U.S. Air Force).
Trump e Xi Jinping durante a cerimônia de boas-vindas ao presidente chinês na Joint Base Andrews, em Maryland, nesta quarta-feira (23). (Foto: Senior Airman Gabriel Jones/U.S. Air Force).

Um grupo bipartidário de senadores dos EUA pediu ao presidente Donald Trump que pressione o presidente chinês, Xi Jinping, sobre a perseguição religiosa na China durante o encontro entre os dois líderes em Washington.

 
 
 
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Em uma carta enviada à Casa Branca na terça-feira (22), dez senadores americanos pediram que Trump mantenha a liberdade religiosa entre os temas das conversas com Xi e defenda cristãos e integrantes de outras minorias religiosas que permanecem presos no país.

Carta enviada por senadores americanos ao presidente Donald Trump. (Foto: Reprodução/United States Senate)

A iniciativa foi liderada pelos senadores Ted Budd, republicano da Carolina do Norte, e Tim Kaine, democrata da Virgínia. Também assinaram o documento Chuck Grassley, Jeff Merkley, Roger Wicker, Peter Welch, Katie Britt, James Lankford, Tim Scott e Ted Cruz.

Na carta, os parlamentares agradeceram a Trump por ter levantado anteriormente junto a Xi o caso do pastor Ezra Jin, fundador da Igreja Zion, em Pequim. Jin foi libertado e chegou aos EUA em 3 de julho, após 266 dias de detenção.

Os senadores afirmaram, porém, que a pressão internacional em defesa das pessoas perseguidas por sua fé deve continuar.

“O governo dos Estados Unidos deve continuar promovendo a liberdade religiosa internacional, pedindo ao governo da República Popular da China que ponha fim ao assédio e à perseguição de membros de organizações religiosas”, afirmaram na carta.

O documento também pede a libertação incondicional de pessoas que, segundo os parlamentares, foram detidas injustamente pelo exercício da liberdade religiosa e tratamento humano aos que permanecem presos.

Pastores estão entre os casos apresentados

Os senadores pediram especificamente que Trump apresente a Xi os casos do pastor Gao Quanfu e de sua esposa, Pang Yu, além do pastor Tang Bingyi, ligados à Light of Zion Church, em Xi'an.

Também foram citados oito líderes da Igreja Zion, em Pequim, que permanecem detidos: Gao Yingjia, Wang Lin, Yin Huibin, Wang Zhong, Wang Cong, Liu Zhenbin, Lin Shucheng e Wu Qiuyu.

Segundo a carta, Trump deveria manter em pauta a situação de grupos perseguidos por sua fé na China, incluindo cristãos e grupos étnicos e religiosos minoritários.

O pedido ocorre enquanto organizações de defesa da liberdade religiosa intensificam a mobilização durante a visita de Xi aos EUA.

ChinaAid pede ajuda para pastor com câncer

Além dos casos mencionados pelos senadores, a ChinaAid está fazendo um apelo urgente em favor do pastor John Cao, também conhecido como Cao Sanqiang.

Cao, de 67 anos e residente permanente dos EUA, cumpriu sete anos de prisão na China após seu trabalho missionário e humanitário entre comunidades pobres na fronteira entre China e Mianmar. Ele foi libertado em março de 2024, mas as autoridades chinesas continuam impedindo sua saída do país ao não lhe concederem um passaporte.

A situação se tornou ainda mais urgente porque o pastor enfrenta um câncer de próstata em estágio 4, que se espalhou para os ossos e a coluna. Ele já passou por quimioterapia e radioterapia e deseja retornar aos EUA, onde vivem sua esposa e seus dois filhos.

Em uma entrevista recente, Cao fez um apelo para voltar para casa.

“Gostaria que todas as pessoas que amam a paz me ajudassem a voltar para minha família”, declarou.

Petição entregue à Embaixada da China

Nesta quarta-feira (23), o pastor Bob Fu, fundador e presidente da ChinaAid, foi à Embaixada da China em Washington para tentar entregar uma petição com nomes de apoiadores pedindo que Cao seja autorizado a retornar aos EUA para se reunir com sua família e continuar o tratamento contra o câncer.

Segundo relato de Fu, junto à petição foi preparada uma carta dirigida a Xi Jinping, pedindo que, “por razões humanitárias básicas”, as autoridades chinesas devolvam o passaporte de Cao e permitam sua viagem aos EUA.

Fu contou que a embaixada estava sob forte esquema de segurança devido à presença do presidente chinês em Washington. Um funcionário teria recebido a carta assinada por ele, mas informado que representantes da embaixada estavam ocupados com os eventos relacionados à visita de Xi e não poderiam recebê-los naquele momento.

Diante disso, Fu e os demais integrantes do grupo decidiram enviar a petição também por meio da FedEx, buscando fazer com que o documento chegasse durante a visita do presidente chinês.

A ChinaAid também encaminhou o pedido à Casa Branca. Segundo Fu, a intenção é que Trump receba a petição por intermédio da pastora Paula White, que atua na área de fé da Casa Branca, antes de seu encontro com Xi.

“Apelo humanitário”

A campanha pela volta de Cao aos EUA já vinha sendo promovida pela ChinaAid e outras organizações cristãs nas últimas semanas.

“Isso não é mais simplesmente um caso de liberdade religiosa ou direitos humanos – é um apelo humanitário urgente”, afirmou Bob Fu ao divulgar a mobilização.

Segundo ele, Cao já cumpriu integralmente sua pena e enfrenta agora uma doença grave longe da família.

“Com um câncer avançado ameaçando sua vida, respeitosamente pedimos ao presidente Trump que peça pessoalmente ao presidente Xi que devolva o passaporte do pastor Cao e permita que ele volte para casa, para sua família”, declarou Fu.

A esposa de Cao, Jamie Powell, é cidadã americana, assim como os dois filhos do casal. O pastor também tem um neto de um ano que ainda não conheceu pessoalmente. Atualmente, ele vive em Changsha, na China, com sua mãe, de 90 anos.

O caso do pastor se soma aos apelos para que a situação dos cristãos chineses ocupe espaço nas conversas entre Washington e Pequim.

Em um evento realizado recentemente no Museu da Bíblia, na capital americana, líderes religiosos e defensores dos direitos humanos também denunciaram prisões, vigilância e outras restrições enfrentadas por igrejas não registradas na China.

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