Primeiro pastor preso em 78 anos na Coreia do Sul por opinião bíblica é libertado

A prisão do pastor sul-coreano Hyun-bo Son reacende debate sobre liberdade religiosa no país.

fonte: Guiame, com informações da CBN News

Atualizado: Terça-feira, 24 Março de 2026 as 1:40

Pastor sul-coreano Hyun-bo Son durante entrevista após sua libertação, em sua igreja na Coreia do Sul (Captura de tela/CBN News)
Pastor sul-coreano Hyun-bo Son durante entrevista após sua libertação, em sua igreja na Coreia do Sul (Captura de tela/CBN News)

A prisão do pastor sul-coreano Hyun-bo Son provocou forte repercussão desde setembro. Foi a primeira vez, em 78 anos, que a Coreia do Sul deteve um líder religioso por se posicionar contra o governo.

Embora tenha sido libertado sob fiança, o episódio levantou preocupações sobre uma possível erosão da liberdade religiosa no país.

A CBN News visitou o pastor em sua igreja, a Igreja Segero, no terceiro domingo após sua libertação, depois de quase cinco meses de detenção.

Já de volta à rotina, ele cumprimentou os recém-chegados e orou pelos membros antes do culto.

O culto teve início com música vibrante e, em seguida, algo pouco comum aconteceu: uma sessão de perguntas e respostas com o pastor.

'Estado laico não interefere'

Son interagiu com as crianças, relembrando o tema do domingo anterior – a separação entre Igreja e Estado.

Um menino respondeu: “Separação entre Igreja e Estado significa que o Estado não deve interferir na Igreja.”

Então um adolescente explicou: “Se não tivesse sido estabelecida, o governo poderia interferir na igreja, e não seríamos livres para adorar a Deus de acordo com a nossa consciência.”

O pastor Son afirma que foi pensando nessa geração que tomou a posição que acabou levando à sua prisão.

A atitude resultou em sua condenação por violar a lei eleitoral, após entrevistar um candidato a superintendente escolar alinhado a princípios bíblicos, em vez do nome apoiado pelo governo, que defendia políticas LGBT no currículo escolar.

O pastor explicou ainda: “Quando o governo de esquerda chegou ao poder, a liberdade religiosa está sendo suprimida. Há uma emenda ao código civil proposta em janeiro que estabelece que, se houver discursos ou crenças religiosas relacionados à política, o governo terá o poder de desmantelar, dissolver a igreja e revogar sua autorização. Investigações e inspeções poderão ser realizadas sem mandado, e os bens e propriedades da igreja poderão ser transferidos para o governo.”

Perseguição religiosa

Lee Jong-Wook, congressista de Busan, disse: “Isso pode ser considerado perseguição religiosa. Acredito que a igreja é um lugar de consciência e de nossa fé, e, portanto, não há razão para o governo interferir no que a igreja pode ou não dizer, e esses direitos precisam ser protegidos.”

A prisão do pastor Son levou muitos líderes religiosos a afirmarem que despertaram para crescentes preocupações com a liberdade religiosa.

Em uma assembleia recente, eles se posicionaram contra o que classificam como supressão da liberdade de expressão e da fé por parte do governo.

Segundo os participantes, o encontro teve como objetivo defender o direito de viver e proclamar a verdade bíblica sem temor de punições estatais.

Defesa do Reino de Deus

Nesse contexto, o pastor Son encorajou líderes da igreja a não temerem a prisão por defenderem o Reino de Deus e afirmou estar disposto a pagar o preço necessário – até mesmo retornar ao cárcere.

O pastor Son também relatou como a graça de Deus o sustentou durante o período na prisão, quando evangelizou 85 detentos e chegou a escrever um livro em apenas três dias.

“Consegui evangelizar dentro da prisão de modo que, todos os domingos, aquilo não parecia um presídio, mas um santuário, porque todas as outras celas estavam adorando a Deus. Recebi recentemente uma carta de um detento. Na carta, ele dizia que sente um grande vazio e está triste porque o pastor Son não está mais na prisão”, disse à CBN News.

Milagres também se manifestaram fora da prisão – como o convite recebido por seus filhos para viajarem a Washington poucos dias antes da sentença do pastor.

Chance Son afirmou: “Uma semana antes do julgamento, fui convidado à Casa Branca e pude apresentar o caso e a situação do meu pai a várias equipes do Departamento de Estado – explicando por que ele tem sido alvo. Dois dias depois, o primeiro-ministro da República da Coreia visitou o vice-presidente Vance. Foi a primeira vez, em 41 anos, que um primeiro-ministro coreano visitou os Estados Unidos, e o caso do meu pai foi mencionado nesse encontro.”

Como consequência, dois representantes do Consulado dos EUA na Coreia do Sul estiveram presentes na audiência, o que pode ter contribuído para aumentar a pressão sobre a decisão do juiz.

Nação livre

Ao ser questionado sobre por que não olhou para sua família durante as audiências, o pastor Son respondeu:

“É claro que sinto falta da minha família, especialmente dos meus netos, mas, se eu olhasse para trás e os visse, isso poderia me desanimar. O mais importante agora é sacrificar-se e lutar.”

“A República da Coreia é uma nação livre. Isso se deve aos sacrifícios de nossos antepassados, dos americanos que lutaram na Guerra da Coreia e dos missionários. No entanto, com um novo governo de inclinação à esquerda, há preocupações de que nossos filhos possam ser influenciados por ideologias que contradizem os valores bíblicos e que podem se espalhar pelo mundo. Por isso, oro para que os cristãos na Coreia, nos Estados Unidos e em todo o mundo permaneçam unidos e lutem pela liberdade… e continuem lançando luz sobre essas questões por meio de veículos como a CBN. Agradeço por ajudarem a compartilhar essa mensagem. É por isso que estamos lutando.”

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