Um ex-muçulmano perdeu 13 dentes e foi agredido pela própria família após aceitar Jesus na Arábia Saudita. Hoje, ele é evangelista e ajuda outros cristãos a compartilhar o Evangelho com muçulmanos.
"O preço de acreditar em Jesus é real. Eu mesmo passei por isso. Tenho cicatrizes no rosto, nas costas. Perdi 13 dentes por causa disso”, disse Ahmed Joktan ao The Christian Post.
Ahmed foi criado em uma família muçulmana profundamente religiosa. Aos 13 anos, memorizou todo o Alcorão e pretendia seguir os passos do pai, uma autoridade religiosa islâmica, e permanecer no Islã.
No entanto, após terminar o ensino médio, Ahmed ingressou na faculdade de medicina. Como as aulas eram em inglês, ele teve dificuldades para acompanhar o conteúdo e decidiu viajar para Auckland, na Nova Zelândia, para aprender o idioma.
Cerca de dois meses depois, Ahmed teve um sonho em que viu as portas da varanda se abrirem, seguidas por uma luz intensa e a figura de um homem.
“Uma voz me disse: ‘Venha até mim’. Fiquei tão empolgado ao ver a luz que não calculei o custo", disse ele.
E continuou: “Vi a imagem de um edifício com pilares brancos e ouvi outra instrução: ‘Vá à casa dos pilares brancos, e lá você encontrará a verdade’”.
Conversão
Na manhã seguinte, Ahmed contou o sonho aos colegas de sua aula de inglês. Então, sua professora, que era cristã, disse acreditar que ele havia visto Jesus.
Mais tarde, enquanto caminhava pela cidade, ele encontrou uma igreja igual ao prédio que havia visto no sonho.
Lá, conheceu o pastor Brian Johnson, que vinha orando com os membros de sua congregação por uma oportunidade de compartilhar o Evangelho com alguém da Arábia Saudita.
Tempos depois, o pastor começou a explicar o cristianismo usando referências que Ahmed conhecia do Alcorão. Durante três dias, os dois conversaram sobre pecado, salvação e quem é Jesus.
O pastor também apresentou a ele o Evangelho de João. No início, Ahmed resistiu à leitura, mas, ao continuar lendo, foi impactado pelas palavras de Jesus em João 14:6: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim”.
Nesse momento, Ahmed se arrependeu dos seus pecados e aceitou Jesus: "Respondi que sim, sem saber o que aconteceria a seguir".
Rejeição da família
Quando voltou à Arábia Saudita, Ahmed levou escondido um Novo Testamento em árabe, entre seus livros de inglês. Ele lia a Bíblia em segredo, geralmente quando os outros membros da família já estavam dormindo.
Um dia, enquanto estudava para uma prova, ele se esqueceu de esconder a Bíblia. Uma funcionária da casa encontrou o Novo Testamento e a família descobriu que ele havia se convertido ao cristianismo.
“Naquela época, a Arábia Saudita não permitia a entrada de Bíblias e não havia igrejas no país. Ela (a empregada doméstica) viu que eu havia levado o livro cristão para a casa mais sagrada de todo o Islã, e isso era terminantemente proibido, pois traria vergonha para minha família”, explicou ele.
Em seguida, seus irmãos o espancaram e seu pai o ameaçou com um fuzil, acusando-o de envergonhar a família. Seu pai também ordenou que ele queimasse a Bíblia.
Ahmed contou que obedeceu, mas continuou firme na fé, acreditando que a Palavra de Deus permaneceria em seu coração mesmo sem as Escrituras.
Depois disso, ele foi deserdado e retirado da árvore genealógica da família. Ahmed se mudou para outra cidade na Arábia Saudita e continua afastado de seus parentes.
Apesar do que sofreu, ele destacou que a reação de sua família não representa todos os muçulmanos.
"Esta não é uma família muçulmana típica. Minha família é de muçulmanos ultra-fanáticos. Normalmente, os muçulmanos comuns não seguem esses ensinamentos do Alcorão”, relatou ele.
'Faça discípulos'
Hoje, Joktan é cofundador do Mecca to Christ Ministries International, ministério que trabalha com evangelização, discipulado e formação de líderes cristãos. A organização também apoia cristãos de origem muçulmana no Oriente Médio, no Norte da África e na América do Norte.
Depois de perder o convívio com a família, Ahmed encontrou apoio em cristãos de diferentes partes do mundo. Ao falar sobre essa experiência, ele destacou:
"Sempre que vou a uma cidade, país ou região nova, encontro outros crentes que me dizem: 'Somos da sua família'. Gostaria que mais crentes no Ocidente compreendessem as consequências que seus irmãos e irmãs enfrentam em outros países onde ser crente em Jesus não é permitido".
Ao falar sobre como compartilhar o Evangelho com muçulmanos, Ahmed incentivou os cristãos a começarem contando seu próprio testemunho, em vez de tentar vencer debates religiosos.
"Não há nada de errado em compartilhar seu próprio testemunho", disse ele.
Ele orientou os cristãos a contar como era sua vida antes de conhecer Jesus, como se converteram e como tiveram suas vidas transformadas pelo Espírito Santo. Depois, recomenda que perguntem à outra pessoa sobre sua própria história.
“Faça isso em menos de três minutos. E no final, não se esqueça de perguntar: 'E você?'", relatou ele.
Ahmed também destacou que conhecer as referências a Jesus no Alcorão pode ajudar os cristãos a conversar com os muçulmanos sobre a fé.
No Alcorão, Jesus é apresentado como um projeta. O livro relata seu nascimento e milagres, mas difere da Bíblia sobre sua divindade e crucificação.
“Essas referências podem proporcionar oportunidades para apresentar aos muçulmanos o relato bíblico de Jesus e levar a conversões. É realmente muito simples compartilhar o Evangelho com eles”, afirmou Ahmed.
O evangelista também alertou que os cristãos que se deparam com apologética islâmica nas redes sociais sem terem um sólido entendimento da própria fé.
Ele concluiu falando que a preocupação com o crescimento do Islã nos países ocidentais não deve levar ao medo ou à hostilidade, mas incentivar os cristãos a cumprir o chamado de Jesus para fazer discípulos.
"Ide e fazei discípulos de todas as nações, e não vos esqueçais dos vossos vizinhos. O meu desafio aos cristãos do Ocidente é que, enquanto obedecerdes às Escrituras, os planos, as ideias, tudo o que a Irmandade Muçulmana está planejando para o Ocidente será frustrado. Não se concretizará", concluiu.