Alex Luz, o influenciador e fisiculturista conhecido nas redes sociais como “Lékão”, enfrentou dificuldades desde seu nascimento.
“Minha mãe me deu à luz com oito meses de gestação e faltou oxigênio no meu cérebro durante o parto. Fiquei 14 dias na UTI”, contou ele, em entrevista ao UOL.
“Aos três meses de idade, minha mãe suspeitou que eu tivesse alguma deficiência, pois meu pescoço era mole e caído, não conseguia levantá-lo. Com 1 aninho comecei a me rastejar no chão, não sentava, não engatinhava nem andava. Na época, não tive nenhum tipo de acompanhamento médico. Morávamos em um sítio no interior da Bahia e não havia hospitais perto de casa”, explicou.
Com 2 anos, sua família buscou atendimento médico em São Paulo e Alex foi diagnosticado com paralisia cerebral.
Para ter mais qualidade de vida, ele começou a fazer fisioterapia, fonoaudiologia e acompanhamento com neurologista.
“Minha mãe nunca aceitou que eu usasse cadeiras de rodas, ela me levava para os lugares no colo ou nos ombros e dizia que eu ia conseguir andar”, comentou Alex.
Em vídeo no Instagram com o fisiculturista Julio Balestrin, ele contou que enfrentou discriminação desde a infância.
“Falaram pra minha mãe: ‘Vai ser uma cruz pro resto da vida e hoje eu estou aqui vivendo’”, declarou.
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Começou a andar aos 8 anos
Com muito esforço, Lékão começou a andar se apoiando em objetos aos 8 anos, e aos 12 conseguiu caminhar sozinho sem ajuda.
“Vivia caindo e com as mãos e joelhos machucados, mas levantava e seguia em frente. Enfrentava as limitações e buscava evoluir a cada dia”, lembrou.
Praticando esportes
Nessa época, ele começou a praticar capoeira. O esporte ajudou o adolescente a ter mais força, equilíbrio e coordenação motora.
“A capoeira trouxe muitos benefícios físicos e mentais — os principais foram melhorar a minha autoestima e me ajudar a perder o medo de fazer as coisas e me machucar”, observou.
Aos 19 anos, Alex passou a fazer musculação em uma academia. “No começo, enfrentei dificuldades e preconceito. Passei por algumas situações que davam desânimo, mas segui em frente”, disse.
E acrescentou: “Eu chamava muito a atenção na academia, pois era um rapaz magrelo, só pele e osso, e com paralisia cerebral. Ia fazer os exercícios e me tremia inteiro. Tinha bastante dificuldade para executar os movimentos e todos ficavam me olhando. Uns ficavam quietos, outros falavam: 'Ele vai se machucar', 'O peso vai cair no pé dele', "Aqui não é lugar pra ele'. Eu ouvia e seguia treinando”.
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Ajuda da fé
O jovem perseverou na academia e o exercício físico trouxe vários benefícios para sua saúde e independência no dia a dia.
“Em um ano de musculação, indo para a academia seis vezes por semana, diminuí os tremores e melhorei a coordenação motora e o equilíbrio. Passei a executar melhor não só os exercícios, como também atividades do dia a dia: comer sem derrubar a comida, escovar os dentes, arrumar o cabelo, lavar a louça, caminhar e subir e descer escadas”, afirmou.
Em 2021, Alex iniciou um novo desafio: treinar para se tornar um fisiculturista. Desde então, ele tem participado de competições e compartilhado sua rotina de treinos no Instagram.
Lékão tem testemunhado como sua fé o fez superar os limites da deficiência. “Se eu estou aqui vivo é por causa de Deus. Se eu estou andando hoje, é por causa Dele. Foi por causa da fé que minha mãe teve Nele que eu estou aqui em pé e treinando”, testemunhou, em vídeo recente no Instagram.
“A luta mental é a mais difícil que tem, mas eu penso em tudo o que eu já superei. Hoje eu estou aqui me superando, alcançando os meus sonhos e ajudando a minha mãe. Deus é bom o tempo todo”.
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