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Acordos de Isaac: Entenda o compromisso firmado entre Milei e Netanyahu

A nova iniciativa, com base nos Acordos de Abraão, busca seguir esse modelo diplomático, mas com foco em nações latino-americanas e outros parceiros alinhados aos valores defendidos pelos signatários.

fonte: Guiame, Adriana Bernardo

Atualizado: Segunda-feira, 20 Abril de 2026 as 12:52

Milei e Netanyahu assinam Acordos de Isaac. (Foto: Kobi Gideon/GPO)
Milei e Netanyahu assinam Acordos de Isaac. (Foto: Kobi Gideon/GPO)

Vimos aqui no Guiame o presidente da Argentina, Javier Milei, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciarem, em 19 de abril, em Jerusalém, os chamados “Acordos de Isaac”.

Já havíamos falado aqui também sobre os “Acordos de Abraão”, uma iniciativa apoiada pelos Estados Unidos para promover a aproximação diplomática entre Israel e países árabes.

O primeiro compromisso foi assinado em 2020, reunindo Israel, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, com mediação do governo norte‑americano. Depois, Marrocos e Sudão também aderiram ao processo, ampliando o bloco de normalização.

Agora, ouvimos notícias sobre a assinatura dos “Acordos de Isaac”.

Mas o que exatamente significa esse novo termo?

Segundo a imprensa israelense, trata‑se de uma iniciativa estratégica voltada ao fortalecimento da cooperação entre Israel e países do Hemisfério Ocidental, com foco especial na América Latina.

O anúncio ocorreu durante a visita oficial de Milei a Israel, marcada também por reuniões diplomáticas, pela assinatura de novos entendimentos bilaterais e por uma visita ao Muro das Lamentações.

 
 
 
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Milei classificou o lançamento dos acordos como “um momento histórico para nossas nações”.

“Isso não apenas fortalecerá a relação entre a Argentina e Israel, unidos por valores compartilhados, mas também representa um passo rumo a um hemisfério mais livre e próspero”, afirmou Milei.

Segundo o The Times of Israel, os Acordos de Isaac abrangem áreas como segurança, inteligência artificial, comércio, inovação e cooperação política em fóruns internacionais.

A proposta também prevê o fortalecimento dos laços econômicos e tecnológicos entre os dois países, em um momento de aproximação cada vez maior entre Buenos Aires e Jerusalém.

Descendentes de Isaac e nações da tradição judaico-cristã

Como vimos, o nome “Isaac” faz referência direta aos Acordos de Abraão, firmados em 2020.

O vínculo é porque esta nova iniciativa busca seguir esse mesmo modelo diplomático, só que agora com foco em nações latino‑americanas e em outros parceiros identificados com valores da tradição judaico‑cristã e alinhados aos princípios defendidos pelos signatários.

Isso fica evidente na declaração de Netanyahu durante a cerimônia de assinatura dos Acordos de Isaac, realizada no gabinete do primeiro‑ministro.

Ele afirmou que as recentes mudanças políticas na América do Sul – em referência à ascensão de governos alinhados à direita e ao Ocidente, segundo análises de veículos internacionais – representam o retorno do que chamou de “aliança da liberdade”.

O primeiro‑ministro afirmou que “tudo começa com nós dois e com o apoio constante dos Estados Unidos às sociedades livres”, acrescentando que espera ver o modelo dos Acordos de Abraão aplicado também ao contexto latino‑americano.

“Tivemos Abraão, e agora temos Isaac. O que serão os Acordos de Jacó?”, brincou o primeiro-ministro.

Em declaração conjunta, os governos afirmaram que o projeto pretende reunir “os descendentes de Isaac e as nações da tradição judaico‑cristã” em defesa da liberdade, da democracia e no combate ao terrorismo, ao antissemitismo e ao narcotráfico.

Tentativas do Irã de expandir influência

O texto também menciona a preocupação com possíveis tentativas do Irã de ampliar sua influência e suas redes operacionais no Hemisfério Ocidental.

Durante a cerimônia, Netanyahu voltou a destacar que as mudanças políticas recentes na América do Sul representam, segundo ele, um retorno da “aliança da liberdade”.

Já Milei tem reforçado, nos últimos meses, seu apoio público a Israel e defendido uma política externa mais próxima de Washington e Jerusalém.

Sua visita ao país também simboliza um estreitamento inédito entre Argentina e Israel desde sua posse. Além dos Acordos de Isaac, os dois líderes anunciaram o lançamento de voos diretos entre Tel Aviv e Buenos Aires, ampliando a conexão diplomática, comercial e turística entre os países.

 

Adriana Bernardo (@adrianammbernardo) é jornalista, escritora e idealizadora do grupo feminino cristão “Amigas de Deus”. Professora de Teologia e Aconselhamento. Casada com Bene Bernardo, é mãe de Raphael, Aline e Guilherme, e avó de Raquel, Daniel e Júlia.

* O conteúdo do texto acima é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: Escatologia islâmica: Ideólogos xiitas associam Trump à figura apocalíptica do “Dajjal”

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