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Cada manhã é um útero

A misericórdia se encarna em forma de vida inédita, não como repetição, mas como revelação.

fonte: Guiame, Clarice Ebert

Atualizado: Sexta-feira, 2 Janeiro de 2026 as 10:54

(Imagem ilustrativa gerada por IA)
(Imagem ilustrativa gerada por IA)

Um ventre invisível que se abre ao que ainda não aconteceu ou não foi dito.

A aurora é sua primeira contração — tênue, mas cheia de promessa. Ela não grita, não exige. Apenas insinua: há algo novo vindo à luz. Cada amanhecer é gestação.

A misericórdia se encarna em forma de vida inédita, não como repetição, mas como revelação. Ela não vem guiada por almanaques ou previsões, mas pelas novidades que ousam nascer no escuro.

Há um útero novo a cada dia, silencioso e fértil, onde o tempo não é mera medida, mas se revela num compasso kairótico (experiência e vivência) e kenótico (entrega e relaxamento).

O silêncio é o primeiro espaço onde a misericórdia se forma —  não como ausência, mas como presença que ainda não tem nome. É no silêncio que a aurora se prepara, e é nele que a vida se deixa gestar.

A cada manhã, somos gestados de novo.

Não por méritos, mas por mistério. E a vida, em sua delicadeza, nos oferece

um convite à esperança que ainda não sabíamos precisar.

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Texto do Dr. Carlos José Hernández (médico psiquiatra, doutor em medicina) e Me. Clarice Ebert (psicóloga - CRP08/14038, terapeuta familiar e de casais, mestre em teologia).

 

Clarice Ebert (@clariceebert) é psicóloga (CRP0814038), Terapeuta Familiar, Mestre em Teologia, Professora, Palestrante, Escritora. Sócia do Instituto Phileo de Psicologia, onde atua como profissional da psicologia em atendimentos presenciais e online (individual, de casal e de família). Membro e docente de EIRENE do Brasil.

* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: Gente com jeito feliz

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