Dois cilindros de argila cobertos por inscrições foram encontrados na antiga cidade de Quis, no centro do atual Iraque. Eles trazem textos atribuídos a Nabucodonosor II, que reinou entre 605 e 562 a.C. Foi esse monarca babilônico quem sitiou e invadiu Jerusalém entre 589 e 587 a.C.
Os artefatos foram encontrados por moradores locais nas proximidades das ruínas do zigurate de Quis, um templo em formato piramidal com degraus. Os objetos foram entregues ao Conselho Estatal de Antiguidades e Patrimônio do Iraque (SBAH) e agora integram o acervo do Museu do Iraque, em Bagdá. A descoberta foi detalhada na revista acadêmica Iraq.
Segundo o estudo, os textos estão escritos em cuneiforme neobabilônico e são um relato em primeira pessoa sobre a restauração de dois templos dedicados aos deuses Zababa e Ishtar. Como é comum em inscrições reais do período, os cilindros não apresentam uma datação precisa.
Conforme o Jerusalem Post, na tradução publicada pelos pesquisadores, Nabucodonosor afirma ter realizado grandes obras e dado continuidade ao que dois reis anteriores haviam iniciado, mantendo “os santuários dos grandes deuses em bom estado”.
O texto também descreve a restauração das paredes e a ornamentação da fachada externa do zigurate.
“Coloquei sua estrutura de alvenaria em ordem. Reconstruí as seções desmoronadas e completei a grande estrutura. Embelezei sua aparência externa e a fiz brilhar como a luz do dia para Zababa e Ishtar.”
Os cilindros finalizam o registro com uma oração de Nabucodonosor II aos deuses, pedindo vida longa e vitória sobre seus inimigos: “Que eu alcance idade muito avançada, conquiste meus inimigos [e] mate meus opositores.”
Zababa era uma divindade babilônica associada à guerra e considerado o “protetor” da antiga cidade de Quis – também grafada como Kish – sendo, segundo algumas tradições, marido de Ishtar, também chamada de Astarote.
Ela era a deusa da guerra e da fertilidade, filha do deus Baal. No Antigo Testamento, é identificada como a “Rainha dos Céus” e mencionada em livros como Juízes, 1 Samuel, 1 Reis e Jeremias.
Paralelo com o Livro de Daniel
A tradução dos cilindros de barro apresenta paralelos com uma passagem do Livro de Daniel, que descreve Nabucodonosor caminhando sobre o telhado de seu palácio na cidade da Babilônia e se vangloriando de suas obras.
O capítulo 4, versículo 30, diz que o rei exclamou: “Acaso não é esta a grande Babilônia que eu construí como capital do meu reino, com o meu enorme poder e para a glória da minha majestade?”
Na narrativa bíblica, Nabucodonosor é chamado de “destruidor das nações” (Jeremias 4:7). Ele conquistou o Reino de Judá, sitiou Jerusalém e, em 586 a.C., destruiu a cidade e o Templo de Salomão. Os cilindros mostram o monarca como um rei poderoso que enxergava a restauração dos templos de seus deuses como um dever.
Embora não mencionada na Bíblia, Quis aparece com destaque no conhecido documento “A Lista dos Reis”. A placa com escrita cuneiforme afirma textualmente: “Depois que o Dilúvio varreu tudo... a realeza desceu do céu novamente, e a realeza ficou em Quis”.
Jarbas Aragão é pastor, jornalista e tradutor. Mestre em teologia, foi missionário da Jocum e da Junta de Missões Mundiais da CBB, além de professor do seminário Batista. Colabora com diferentes mídias no Brasil, nos Estados Unidos e em Israel.
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