O que se viu na avenida não pode ser tratado como simples “manifestação cultural”. O desfile, amplamente financiado com recursos públicos federais, apresentou homenagem direta ao presidente Lula e incluiu encenações como ridicularização explícita da família e dos evangélicos. Não se tratou apenas de arte temática — foi um ato com evidente conotação política.
Quando há exaltação de uma liderança governamental em espaço custeado pelo contribuinte, inclusive por aqueles que professam a fé cristã, o episódio deixa o campo simbólico da cultura e adentra o território da militância ideológica. E quando, nesse mesmo contexto, valores religiosos são caricaturados, a situação se agrava: não é apenas política — é espiritual.
A Escritura é clara quanto ao escárnio. O Salmo 1:1 declara:
“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.”
O escárnio não é crítica legítima; é exposição ao ridículo. É transformar convicções sagradas em objeto de zombaria pública. Quando a fé cristã e a família — fundamentos estabelecidos por Deus (Gênesis 2:24) — são apresentadas em tom depreciativo em rede nacional, a mensagem transmitida não é pluralidade, mas desprezo.
Provérbios 14:9 afirma:
“Os loucos zombam do pecado.”
A zombaria institucionalizada, ainda mais quando ocorre sob a anuência política em um evento de homenagem presidencial, deixa de ser expressão artística neutra. Passa a ser gesto ideológico. A percepção é que houve intenção deliberada de desconstrução simbólica de sua identidade religiosa.
A Bíblia também nos alerta:
“Sabendo primeiro isto: que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências.” (2 Pedro 3:3)
Não é novidade que a fé cristã enfrente oposição. Jesus advertiu:
“Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro do que a vós me odiou a mim.” (João 15:18)
Contudo, quando o escárnio ocorre em evento financiado pelo poder público e associado à celebração de um chefe de Estado, a questão deixa de ser apenas espiritual e se torna institucional. O Estado laico não pode promover, direta ou indiretamente, a ridicularização de uma fé professada por milhões.
Romanos 12:21 orienta:
“Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.”
A resposta cristã não deve ser ódio, mas firmeza. Não deve ser violência, mas posicionamento. O povo de Deus não é chamado ao silêncio cúmplice diante da intolerância, mas à coragem temperada pela verdade.
O Carnaval passa. O espetáculo termina. A política muda. Mas a Palavra permanece:
“A palavra do Senhor permanece para sempre.” (Isaías 40:8)
Se houve intenção política por trás do desfile, ela será julgada pela história e pelas instituições competentes. Mas, espiritualmente, o alerta está dado: quando a cultura é usada como instrumento de escárnio religioso, a sociedade revela mais sobre sua crise moral do que sobre a fé daqueles que tenta ridicularizar.
Que a Igreja permaneça firme. Que as famílias não se intimidem. E que, diante do deboche, o povo de Deus continue caminhando não na roda dos escarnecedores, mas na direção da verdade.
Marisa Lobo (CRP 08/07512) é psicóloga, missionária, ativista pelos direitos da infância e da família e autora de livros sobre saúde mental, educação de filhos e autoestima infantil, entre eles "Por que as pessoas Mentem?", "A Ideologia de Gênero na Educação" e "Famílias em Perigo". Especialista em Direitos Humanos, preside o movimento Pró-Mulher.
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