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Casa Apostólica e Frente Parlamentar Evangélica lançam manifesto contra o antissemitismo

Documento protocolado no Senado e na Câmara reúne líderes cristãos de oito estados e defende educação sobre a Shoá, combate ao antissemitismo e fortalecimento das relações entre evangélicos e judeus no Brasil.

fonte: Guiame, Silas Anastácio

Atualizado: Quinta-feira, 16 Julho de 2026 as 1:50

(Foto ilustrativa: print do vídeo da Câmara dos Deputados)
(Foto ilustrativa: print do vídeo da Câmara dos Deputados)

A Casa Apostólica e a Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional protocolaram, no Senado Federal e na Comissão de Relações Exteriores, o Manifesto e Compromissos da Casa Apostólica aos Representantes da Comunidade Judaica e à Sociedade Brasileira.

O documento, assinado por líderes cristãos de oito Estados brasileiros, foi endereçado aos Presidentes do Senado, David Alcolumbre, e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, além dos chefes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, à sociedade brasileira e à comunidade judaica.

 

Conteúdo e objetivos do documento

O manifesto é estruturado em cinco grandes blocos: confissão histórica e arrependimento, reconhecimento e gratidão, declaração de princípios, declaração de compromissos e convocação à sociedade brasileira.

 

Confissão e arrependimento

Os signatários reconhecem a Shoá como o maior atentado à dignidade humana da história contemporânea e lamentam que a promessa de “Nunca Mais” não tenha sido plenamente cumprida. O texto menciona o massacre de 7 de outubro de 2023, atribuído ao Hamas, como prova de que o antissemitismo continua vivo. Os líderes pedem perdão à comunidade judaica por omissões e reafirmam a necessidade de reparar erros históricos e contemporâneos.

 

Reconhecimento e gratidão

O documento exalta a contribuição do povo judeu para a humanidade, destacando avanços em ciência, medicina, filosofia, artes e cultura. Reafirma o compromisso de preservar a memória das vítimas da Shoá e de combater toda forma de intolerância e perseguição.

 

Declaração de princípios

Entre os pontos centrais, o manifesto:

 

- Rejeita todas as formas de antissemitismo, explícitas ou veladas.

- Reafirma o direito do povo judeu à autodeterminação e à existência segura em Israel.

- Reconhece o sionismo como movimento legítimo e repudia seu uso como termo pejorativo.

- Defende Jerusalém como cidade de significado histórico e espiritual singular.

- Condena o terrorismo, incluindo os ataques do Hamas, e manifesta preocupação com o programa nuclear do Irã.

- Exorta o Brasil a reconhecer formalmente organizações como Hamas, Hezbollah e Estado Islâmico como entidades terroristas.

- Apoia iniciativas de paz e os Acordos de Abraão como instrumentos de estabilidade no Oriente Médio.

- Rejeita tanto o antissemitismo quanto a islamofobia, defendendo a liberdade religiosa e o respeito mútuo.

 

Educação e memória nas escolas

Um dos pontos mais relevantes do documento é o compromisso explícito com a educação nas escolas. Os líderes evangélicos defendem que o ensino sobre a Shoá e o antissemitismo seja incorporado de forma sistemática nos currículos, como parte da formação cidadã das novas gerações.

 

O manifesto propõe:

 - Educação sobre o Holocausto: incluir conteúdos sérios e responsáveis sobre a Shoá, a Segunda Guerra Mundial e o antissemitismo em programas escolares e comunitários.

 - Formação das novas gerações: preparar crianças, adolescentes e jovens para reconhecer e rejeitar discursos de ódio, tornando-os conscientes da responsabilidade de proteger o próximo.

- Parcerias institucionais: promover cursos, palestras e seminários em colaboração com instituições judaicas e centros de memória, garantindo rigor histórico e pedagógico.

- Revisão de materiais didáticos: corrigir conteúdos que promovam estereótipos ou preconceitos contra judeus e reforçar a valorização da diversidade cultural e religiosa.

Esse compromisso educacional é visto como essencial para que a expressão “Nunca Mais” se torne prática permanente, e não apenas lembrança histórica.

 

Convocação à sociedade brasileira

O manifesto conclama igrejas, universidades, escolas, meios de comunicação, lideranças políticas e cidadãos a rejeitarem o antissemitismo e a intolerância religiosa, promoverem a memória da Shoá e fortalecerem o diálogo entre comunidades judaicas e cristãs.

 

Significado político e social

A iniciativa é considerada um marco no diálogo entre lideranças evangélicas e a comunidade judaica no Brasil. Ao assumir compromissos públicos e concretos, os signatários buscam inspirar outras lideranças religiosas e sociais a se engajarem na construção de uma cultura de respeito, memória e convivência democrática.

O manifesto reforça que a expressão “Nunca Mais” não deve ser apenas lembrança da Shoá, mas compromisso permanente das gerações presentes e futuras contra o antissemitismo, o terrorismo e toda forma de desumanização.

 

Silas Anastácio (@silasas15) é referência na promoção das relações Brasil-Israel. Escritor, palestrante e articulador, fortalece o diálogo entre lideranças, defende a liberdade religiosa e combate o antissemitismo, conectando universos cultural, diplomático e social.

* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: Seis em cada dez judeus nos EUA relatam maior insegurança após ataque do Hamas

 

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