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Memorial do Holocausto expõe fragilidade da memória histórica no Brasil

Evento em São Paulo reuniu sobreviventes e apresentou pesquisa que revela desconhecimento sobre Auschwitz e o Holocausto.

fonte: Guiame, Silas Anastácio

Atualizado: Quinta-feira, 5 Fevereiro de 2026 as 1:25

Sarita Sarue, coordenadora de Educação e Cultura do Memorial do Holocausto. (Fotos: Silas Anastácio / Liane Zaidler)
Sarita Sarue, coordenadora de Educação e Cultura do Memorial do Holocausto. (Fotos: Silas Anastácio / Liane Zaidler)

Estive em um evento com a comunidade judaica no Memorial da Imigração Judaica em São Paulo, um espaço belo que preserva a memória do horror.

A apresentação do museu foi conduzida por Liane Zaidler, assessora da Confederação Israelita. Estavam também presentes comigo Victor Grinbaum (jornalista e escritor) e o Pastor Romualdo dos Santos (Presidente do Instituto Tzadik BaEmunah).

Enquanto caminhava pelo local, uma reflexão me acompanhava: como a humanidade pôde chegar a esse ponto?

Entre os organizadores do evento, estiveram Sergio Napchan (Diretor Executivo da Confederação Israelita), Sabrina Abreu (Diretora de Comunicação e Cultura da StandWithUs), Sarita Sarue (Coordenadora de Educação e Cultura do Memorial do Holocausto), Salus Loch (ISPO) e Carlos Reiss (Coordenador do Museu do Holocausto de Curitiba).

Ao conhecer Sarita Sarue, fui recebido por seu cumprimento carregado de emoção: os olhos marejados refletiam lágrimas de alegria e gratidão pelo significado que aquele evento tinha para ela e para todo o povo judeu.

No encontro, foram apresentados os resultados da pesquisa “Conhecimento sobre o Holocausto no Brasil”. A exposição dos dados foi feita por Hana Nusbaum, gerente de Educação da instituição, StandWithUs Brasil.

Dois sobreviventes, Hannah Charlier e Gabriel Waldman, compartilharam breves testemunhos de suas vidas — momentos de profunda emoção.

Em outro discurso, Sergio Napchan emocionou profundamente a todos ao recordar a história de seu avô, Majer Haker — o único sobrevivente da família Hacker, inteiramente dizimada pelos nazistas.

Os números revelados são alarmantes: apenas 38,5% dos entrevistados identificaram corretamente Auschwitz-Birkenau como um campo de extermínio, enquanto 51,6% declararam não saber responder.

Os judeus são um povo pequeno, uma nação de apenas 22.000 km², mas que, pelo simples fato de existir, incomoda. O antissemitismo tem raízes profundas — inclusive espirituais — e é essencial que o leitor compreenda isso.

No Brasil, há cerca de 120.000 judeus, que precisam do apoio dos cristãos diante do antissemitismo que se espalhou pelo mundo após os acontecimentos de 7 de outubro. Em contraste, somos hoje 47 milhões só de evangélicos no país, segundo dados informados pela CNN Brasil.

É importante lembrar: Jesus não era palestino, nem romano, não tinha olhos azuis nem cabelos longos. Ele era judeu. Como judeu, fez a Brit Milá (circuncisão, conforme Lucas 2:21), foi chamado de Rabino (João 1:38), amou seu povo (Lucas 19:41-42), iniciou seu ministério nas sinagogas (Lucas 4:14-21) e tornou Israel e os judeus conhecidos em todo o planeta.

 

Silas Anastácio é fundador do Ministério Davar, evangelista e expositor bíblico com sólida atuação há mais de uma década em temas relacionados ao Estado de Israel e à comunidade judaica. Também desempenha papel estratégico nos bastidores da mídia evangélica, contribuindo para a articulação e divulgação de conteúdos que fortalecem os valores da fé cristã.

* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: Pesquisa aponta baixo conhecimento sobre o Holocausto entre católicos no Brasil

 

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