Bar no Rio é multado por discriminação após placa “cidadãos de Israel não são bem-vindos”

O Bar Partisan, que chegou a publicar uma foto da placa em uma rede social, foi punido com uma multa de 9.500 reais.

fonte: Guiame, com informações de Revista Oeste e DW Brasil

Atualizado: Terça-feira, 7 Abril de 2026 as 12:29

O Bar Partisan exibiu uma placa contra israelenses. (Foto: Reprodução/Redes Socias/@ideiasvermelhas).
O Bar Partisan exibiu uma placa contra israelenses. (Foto: Reprodução/Redes Socias/@ideiasvermelhas).

Um bar na cidade do Rio de Janeiro foi multado por discriminação após exibir uma placa informando que não atendia cidadãos de Israel e dos Estados Unidos.

O Bar Partisan colocou uma placa em sua entrada com a frase em inglês “US e Israel citizens are not welcome” (“Cidadãos dos EUA e de Israel não são bem-vindos”).

O local, que se apresenta como “ambiente antifacista”, chegou a publicar uma foto da placa em uma rede social.

O PROCON (Programa de Proteção e Defesa do Consumidor) do Rio de Janeiro considerou o aviso discriminatório, por restringir o acesso ao estabelecimento com base na nacionalidade.

No sábado (4), o órgão puniu o bar com uma multa de 9.500 reais. O PROCON entendeu que a placa expõe os clientes ao constrangimento e compromete princípios da boa-fé e transparência.

A Secretaria Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor afirmou que a ação do Bar Partisan viola o Código do Consumidor, que proíbe recusar atender clientes sem justificativa legítima.

O Código também proibe qualquer forma de discriminação em estabelecimetnos comerciais abertos ao público e estabelece o tratamento igualitarios aos clientes, independente de origem ou nacionalidade.

Aumento do antissemitismo no Brasil

A organização pró-Israel StandWithUs condenou a conduta do bar e destacou que o caso aconteceu em meio ao feriado de Pessach, um dos mais importantes do calendário judaico.

“O caso chama atenção para o aumento do antissemitismo no país, especialmente em um momento em que se discute o PL 1424/2026, que visa estabelecer no Brasil a definição de antissemitismo da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA)”, afirmou a organização, em postagem no Instagram.

“Infelizmente, casos como esse de discriminação contra judeus têm se tornado cada vez mais comuns no Brasil, o que ressalta a importância da nova legislação”.

Cabeças de porcos em cemitério judaico

Na última sexta-feira (3), o jornal Deutsche Welle Brasil informou que cabeças de porcos foram jogadas na frente de um cemitério judaico, em Porto Alegre, em um episódio antissemita.

 
 
 
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Casos semelhantes de profanação já foram registrados em outros países. Em 2008, cabeças de porco foram deixadas na entrada de um cemitério judaico em Gotha, na Alemanha.

Em 2014, caixas com cabeças de porcos também foram deixadas em locais judaicos de Roma, na Itália: na principal sinagoga da cidade, na embaixada de Israel e em um museu sobre o Holocausto.

Um novo relatório da Confederação Israelita do Brasil (Conib), divulgado em março, informou que o antissemitismo no país aumentou 150% desde 2022.

Em 2025, 989 casos de antissemitismo foram registradas. De acordo com o documento, a maior parte dos casos (800) aconteceu no ambiente digital e 189 foram offline. As plataformas onde mais ocorreram os episódios de ódio foram: Instagram (37%), X (13,8%) e Facebook (11,6%). 

Conteúdos antissemitas também foram divulgados no YouTube, WhatsApp e outras plataformas.

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