O rabino-chefe de Tzfat (Safed) e membro do Conselho do Rabinato-Chefe, Shmuel Eliyahu, apelou ao primeiro‑ministro Benjamim Netanyahu e aos ministros do governo para que acelerem a construção de uma sinagoga no Monte do Templo.
O apelo ocorreu na manhã de sexta-feira, em meio às celebrações do Dia de Jerusalém, durante seu discurso diante do Monte do Templo.
Falas de Eliyahu exigindo a construção da sinagoga repercutiram na mídia e nas redes sociais israelenses:
A FIRST: FREEDOM OF RELIGION ON THE TEMPLE MOUNT
— Mossad Commentary (@MOSSADil) May 15, 2026
Chief Rabbi of Tzfat, Rabbi Shmuel Eliyahu, has called on the Knesset to approve the construction of a synagogue on the Temple Mount.
For years, Jews have been told that freedom of religion applies everywhere except the holiest… pic.twitter.com/svj6e4pz6x
“Vejam a mesquita atrás de mim, Al‑Aqsa – essa é do exílio”, afirmou o rabino, referindo‑se às estruturas atualmente erguidas no local.
Ele prosseguiu: “Durante 2.000 anos estivemos no exílio; nesse período, construíram esta estrutura aqui. Mas, na verdade, o Primeiro e o Segundo Templos estiveram neste lugar – e o Terceiro Templo estará aqui. Isso é um fato.”
Eliyahu enfatizou: “Enquanto isso, até que o Templo seja reconstruído, é necessário que haja uma sinagoga aqui. Os muçulmanos já entendem que este lugar não lhes pertence; precisamos assumi‑lo.”
Durante o discurso, o rabino também mencionou seu pai, o falecido rabino‑chefe sefardita Mordechai Eliyahu, que anos antes havia determinado que uma sinagoga poderia ser estabelecida nas áreas do Monte do Templo onde, segundo a lei judaica, os judeus têm permissão para ascender.
Concluindo sua carta, o rabino Eliyahu fez um apelo direto à liderança política: “Este é o papel dos líderes, dos ministros do governo, do primeiro‑ministro. Uma sinagoga no Monte do Templo – chegou a hora.”
Legislação
A Lei de Proteção dos Lugares Sagrados, aprovada pelo Knesset em 27 de junho de 1967 – no mesmo dia em que Israel estendeu sua jurisdição sobre a Jerusalém unificada – assegura que os locais sagrados permaneçam acessíveis a todas as religiões, sem interferências, e criminaliza expressamente qualquer ato que restrinja a liberdade de acesso de fiéis de diferentes tradições aos espaços que consideram sagrados.
Os infratores podem receber até sete anos de prisão por profanar um local sagrado e até cinco anos por impedir o acesso. Na prática, a lei se aplica tanto a judeus quanto a muçulmanos – ao menos em teoria.
Mas, segundo o Israel365, a lei jamais foi aplicada de forma igualitária. O acesso judaico ao Monte do Templo é rigidamente limitado: restrito a horários específicos, proibido às sextas‑feiras, no Shabat e durante a noite nos dias úteis. Com frequência, judeus são impedidos de rezar no local e não podem realizar rituais religiosos.
Os muçulmanos, por sua vez, têm permissão para entrar 24 horas por dia, sete dias por semana, e todas as orações islâmicas são autorizadas, afirma o Israel365.
Israel delegou a administração religiosa interna do Monte ao Waqf Islâmico, uma fundação controlada pela Jordânia.
O resultado, segundo a publicação, é um paradoxo jurídico: o Estado que aprovou uma lei garantindo acesso religioso a todas as fés, na prática, nega esse direito aos judeus.
Cristãos também enfrentam restrições e são proibidos de orar ou exibir símbolos religiosos no local. A polícia israelense igualmente proíbe a exibição de bandeiras de Israel.
Sinagoga no Monte do Templo
Josh Wander faz parte da ONG liderada pelo rabino Eliyahu, que defende a construção de uma sinagoga no Monte do Templo. Ele diz:
“Há décadas existe uma pressão para criar uma sinagoga no Monte do Templo, que começou imediatamente após a libertação do monte em 1967, iniciada pelo antigo Rabino Chefe das Forças de Defesa de Israel, o Rabino Chefe Yisrael Goren. Essa pressão continuou com os esforços do Rishon LeZion (Rabino Chefe Sefardita de Israel), o Rabino Mordechai Eliyahu.”
“A construção de uma sinagoga permitiria o acesso direto ao Monte do Templo. Ao mesmo tempo, restringiria o acesso a áreas do monte que são questionáveis do ponto de vista da Halachá (lei judaica), quanto à permissão de acesso. Isso garantiria que judeus que desconhecem a Halachá não se aventurassem inadvertidamente em áreas que possam ser questionáveis ou problemáticas.”
“Assim, a construção de uma sinagoga resolveria diversos problemas, além de cumprir a lei israelense e criar uma presença judaica constante na montanha. Espiritualmente, poderíamos praticar o judaísmo de uma maneira que atualmente não podemos. Poderíamos fazer as orações da noite e talvez até mesmo o Shabat e os dias sagrados. Os judeus poderiam usar o Talit (xale de oração) e o Tefilin (filactérios) e ler um rolo da Torá.”
“Houve algumas opções diferentes quanto à localização da sinagoga. Alguns sugeriram que fosse na parte nordeste, perto de Shaar HaShevatim. Outros sugeriram que fosse no topo de Shaar HaRachamim (O Portão Dourado).”