Eleições em Israel: Netanyahu lidera apuração, mas ainda não alcança maioria no Parlamento

Com mais de 84% das urnas apuradas, bloco do primeiro-ministro tem 54 cadeiras estimadas, enquanto oposição e partidos árabes somam 66.

fonte: Guiame, com informações do Times of Israel e AP

Atualizado: Quarta-feira, 28 Outubro de 2026 as 10:51

Sede do Knesset, o Parlamento de Israel, em Jerusalém, composto por 120 parlamentares; no destaque, Benjamin Netanyahu e Gadi Eisenkot. (Fotos: Avi Ohayon/Government Press Office of Israel/Wikimedia Commons; Yahav Trudler/Wikimedia Commons/Wikipedia)
Sede do Knesset, o Parlamento de Israel, em Jerusalém, composto por 120 parlamentares; no destaque, Benjamin Netanyahu e Gadi Eisenkot. (Fotos: Avi Ohayon/Government Press Office of Israel/Wikimedia Commons; Yahav Trudler/Wikimedia Commons/Wikipedia)

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, lidera a apuração das eleições parlamentares realizadas na terça-feira (27), mas seu bloco político ainda não conquistou a maioria necessária para formar um novo governo.

Com 84,5% das urnas contabilizadas até o início da tarde desta quarta-feira (28), em Israel, o bloco de Netanyahu tinha 54 cadeiras estimadas no Knesset (Parlamento israelense), enquanto a oposição liderada por Gadi Eisenkot aparecia com 49.

Os partidos árabes, que não integram formalmente nenhum dos dois blocos, somavam outras 17 cadeiras.

Os números foram divulgados pelo Times of Israel, com base em dados da Comissão Eleitoral Central israelense.

Para garantir maioria absoluta no Knesset, formado por 120 parlamentares, uma coalizão precisa reunir pelo menos 61 cadeiras. Com os resultados parciais, Netanyahu permanece sete cadeiras abaixo desse número.

Apesar de liderar a disputa, o primeiro-ministro enfrenta dificuldades para assegurar sua permanência no poder. A oposição também depende de negociações com outras legendas para conseguir formar um governo.

A contagem dos votos continua, e a distribuição definitiva das cadeiras poderá sofrer alterações.

Partidos religiosos têm papel importante

O Likud, partido de Netanyahu, permanece como a maior força política individual nas projeções baseadas na apuração parcial, seguido pelo Yashar, liderado por Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (IDF).

Distribuição das cadeiras no Parlamento de Israel, com 84,5% das urnas apuradas. (Reprodução/Times of Israel)

Entre os aliados de Netanyahu estão partidos religiosos e ultraortodoxos, que desempenham papel importante na composição de sua base parlamentar.

O Shas e o Judaísmo Unido da Torá, representantes de setores judaicos ultraortodoxos, apareciam com cerca de sete cadeiras cada nas estimativas anteriores da apuração.

O bloco governista também inclui o Otzma Yehudit (Poder Judaico), liderado por Itamar Ben-Gvir, e o Sionismo Religioso, associado a Bezalel Smotrich, ambos identificados com a direita nacionalista e religiosa.

Esses partidos defendem pautas relacionadas à identidade judaica do Estado de Israel, à segurança nacional e à preservação de valores religiosos, embora apresentem diferenças políticas e doutrinárias.

Uma das questões que influenciaram a campanha eleitoral foi o debate sobre o serviço militar obrigatório para judeus ultraortodoxos, tema que provoca divergências entre setores religiosos e seculares da sociedade israelense.

O desempenho dessas legendas poderá influenciar diretamente as negociações para a formação do próximo governo.

Partidos árabes podem ser decisivos

Outro destaque das eleições é o desempenho dos partidos que representam principalmente os cidadãos árabes de Israel.

Na apuração parcial, a Lista Conjunta e o Ra'am somavam 17 cadeiras estimadas, número que poderá dar às legendas influência importante na definição da próxima coalizão.

Embora não façam parte do bloco liderado por Eisenkot, esses partidos se opõem à continuidade do governo Netanyahu e poderão participar de negociações ou apoiar uma alternativa política.

Yousef Jabareen, líder da Lista Conjunta, sinalizou disposição para dialogar com forças políticas interessadas em substituir o atual primeiro-ministro.

A possibilidade, entretanto, enfrenta resistências entre partidos da oposição judaica, que apresentam diferenças ideológicas e políticas em relação às legendas árabes.

Até o momento, não foi anunciado nenhum acordo de coalizão.

Como funcionam as eleições em Israel

Diferentemente do Brasil, onde os eleitores escolhem diretamente o presidente da República, Israel adota um sistema parlamentarista.

Nesse modelo, a população vota nos partidos que disputarão as 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento israelense, composto por deputados oficialmente chamados de membros do Knesset (MKs, na sigla em inglês), e não diretamente no primeiro-ministro.

As eleições utilizam o sistema de representação proporcional, no qual cada partido ou lista eleitoral recebe um número de cadeiras correspondente à sua votação nacional, desde que alcance o percentual mínimo de 3,25% dos votos válidos.

Após a divulgação dos resultados, o presidente de Israel consulta os representantes dos partidos e escolhe o parlamentar que considera ter melhores condições de formar um governo.

O escolhido precisa negociar alianças e reunir apoio suficiente no Parlamento. Para assegurar uma maioria absoluta, são necessárias pelo menos 61 das 120 cadeiras.

Por isso, o partido mais votado não garante automaticamente o cargo de primeiro-ministro. A definição depende da capacidade de construir uma coalizão parlamentar.

Em geral, o Knesset é eleito para um mandato de quatro anos, mas eleições antecipadas podem ocorrer em determinadas circunstâncias, como crises políticas e dissolução do Parlamento.

Netanyahu e Eisenkot disputam formação do governo

Mesmo sem maioria assegurada, Netanyahu declarou que pretende formar um governo de direita e rejeitou a possibilidade de uma administração dependente do apoio dos partidos árabes.

Eisenkot, por sua vez, defendeu a formação de um novo governo e afirmou que o resultado eleitoral representa uma oportunidade de mudança política em Israel.

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel (à esq.), e Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das IDF e líder do partido Yashar (à dir.). (Fotos: Avi Ohayon/Government Press Office of Israel/Wikimedia Commons; Yahav Trudler/Wikimedia Commons)

A disputa ocorre em um cenário marcado pelas consequências dos ataques terroristas do Hamas em 7 de outubro de 2023, pelas guerras envolvendo Israel e pelos debates sobre segurança nacional, economia e responsabilidade política.

As primeiras pesquisas de boca de urna, divulgadas na noite de terça-feira pelos canais israelenses Kan 11, Canal 12 e Canal 13, já indicavam dificuldades para os principais blocos alcançarem a maioria parlamentar.

A apuração oficial começou ainda durante a madrugada e deverá continuar com a contabilização dos votos depositados em envelopes duplos, incluindo os de militares, profissionais de saúde e representantes israelenses no exterior.

Enquanto a contagem não é concluída, Netanyahu permanece no cargo, e a definição do próximo primeiro-ministro dependerá tanto dos resultados definitivos quanto das negociações entre os partidos.

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