Israel vai às urnas em eleição marcada por guerras e críticas ao governo Netanyahu

Eleições definirão os 120 integrantes do Parlamento israelense, em meio a disputas políticas e à influência de partidos religiosos na formação do governo.

fonte: Guiame, com informações da Reuters e Jerusalem Post

Atualizado: Terça-feira, 27 Outubro de 2026 as 11:25

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel (à esq.), e Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das IDF e líder do partido Yashar (à dir.). (Fotos: Avi Ohayon/Government Press Office of Israel/Wikimedia Commons; Yahav Trudler/Wikimedia Commons)
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel (à esq.), e Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das IDF e líder do partido Yashar (à dir.). (Fotos: Avi Ohayon/Government Press Office of Israel/Wikimedia Commons; Yahav Trudler/Wikimedia Commons)

Mais de 7,3 milhões de israelenses estão habilitados a votar nesta terça-feira (27) nas eleições parlamentares de Israel, que definirão a composição do Knesset (Parlamento israelense) e poderão determinar a permanência do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu no poder.

A votação acontece em um cenário marcado pelas consequências dos ataques terroristas do Hamas em 7 de outubro de 2023, pelos conflitos que se seguiram em Gaza, no Líbano e no Irã e ainda pelas divergências políticas e religiosas dentro do país.

Segundo a Comissão Eleitoral Central de Israel, 7.331.981 cidadãos estão registrados para votar. Ao todo, serão escolhidos os ocupantes das 120 cadeiras do Parlamento israelense.

Israel não realiza eleições diretas para primeiro-ministro. Os cidadãos votam em listas partidárias, e a formação do governo depende de negociações entre os partidos eleitos.

Para obter maioria absoluta no Knesset, uma coalizão precisa reunir pelo menos 61 dos 120 parlamentares.

Segundo a Reuters, se nenhum eleito conseguir formar uma coalizão de governo no parlamento, Netanyahu pode permanecer como zelador até que outra eleição seja realizada.

Netanyahu e as críticas sobre o 7 de Outubro

Líder do partido conservador Likud, Benjamin Netanyahu busca permanecer à frente do governo israelense, contando com o apoio de partidos da direita nacionalista e religiosa.

Entre as principais críticas ao primeiro-ministro estão as falhas de segurança que permitiram os ataques terroristas do Hamas, quando cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 sequestradas.

A ofensiva, que surpreendeu as autoridades israelenses, levantou questionamentos sobre a capacidade do governo de antecipar e impedir o ataque.

Relatos recentes apontam que Israel teria recebido alertas de países vizinhos sobre uma possível ação do Hamas, mas Netanyahu nega ter sido informado.

Netanyahu – o líder mais antigo de Israel, com 19 anos no cargo – também é criticado por resistir à criação de uma comissão independente para investigar as responsabilidades pelo episódio, que se tornou um dos principais temas da campanha eleitoral.

Nesse cenário, Netanyahu tem entre seus principais adversários Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (IDF) e líder do partido de centro Yashar, que defende uma investigação sobre a responsabilidade do atual primeiro-ministro pelos acontecimentos de 7 de Outubro.

Pilhas de carros incendiados por terroristas em Israel. (Foto: Facebook/International Christian Embassy Jerusalem - ICEJ)

Durante a votação desta terça-feira (27), Eisenkot manifestou esperança de uma mudança de governo ao visitar o kibutz Nir Oz, no sul de Israel, uma das comunidades atacadas pelo Hamas em 7 de outubro de 2023.

“Estou convencido de que, até o final de hoje, veremos uma mudança – um novo espírito para o Estado de Israel – que servirá para corrigir os rumos dos últimos três anos e daquele dia terrível”, declarou.

A oposição também reúne os ex-primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid, que participam da disputa por meio de uma lista conjunta.

Entre os aliados de Netanyahu estão o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, do partido Otzma Yehudit, e o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, do Sionismo Religioso.

As pesquisas divulgadas antes da eleição indicavam um Parlamento fragmentado, sem maioria assegurada para qualquer dos principais blocos políticos.

Partidos religiosos podem influenciar novo governo

A religião ocupa um espaço importante na política israelense, especialmente na composição das alianças necessárias para formar um governo.

De acordo com o Escritório Central de Estatísticas de Israel, aproximadamente 77% dos eleitores habilitados residentes no país são judeus, incluindo uma parcela ultraortodoxa equivalente a 10,5% desse eleitorado.

Partidos religiosos têm papel importante nas eleições israelenses e na formação do próximo governo. (Foto representativa: Miguel Baixauli/Unsplash)

Os partidos Shas e Judaísmo Unido da Torá representam setores religiosos ultraortodoxos e podem exercer influência nas negociações para a formação da próxima coalizão governamental.

Já o Sionismo Religioso e o Otzma Yehudit reúnem posições nacionalistas e religiosas, com participação na base política de Netanyahu.

Entre os assuntos mais controversos está o recrutamento militar de homens ultraortodoxos, tradicionalmente beneficiados por regras de isenção enquanto estudam em instituições religiosas.

A discussão ganhou força diante das necessidades militares do país e das divergências entre setores religiosos e seculares da sociedade israelense.

Além da segurança nacional, questões relacionadas à educação religiosa, ao financiamento de instituições e à relação entre religião e Estado também fazem parte do debate político.

O resultado das eleições, cuja apuração deve ser concluída até sexta-feira (30), com divulgação oficial prevista para 4 de novembro, determinará a distribuição das cadeiras no Knesset.

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