Uma moeda rara de aproximadamente 2.500 anos, originária de Chipre, foi encontrada recentemente em uma praia de Ashdod, em Israel.
Avi Chaprak, vice-diretor do Departamento de Praias da cidade – conhecido por ajudar banhistas a recuperar joias e objetos pessoais perdidos – desta vez se deparou com algo muito mais extraordinário: uma antiga e valiosa moeda cipriota.
Cumprindo a legislação israelense sobre antiguidades, Chaprak entregou a moeda à Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA, sigla em inglês). Após a análise realizada pelo Departamento de Moedas, os especialistas concluíram que se tratava de uma descoberta extraordinária: uma peça extremamente rara e a primeira desse tipo já identificada em território israelense.
Cidade de Barnabé
A moeda foi produzida na antiga cidade de Salamina por volta de meados do século V a.C. Na época, Salamina se destacava como um dos principais centros urbanos da costa leste de Chipre, exercendo papel significativo no comércio mediterrâneo e na vida cultural da região.
A mesma cidade também aparece no Livro dos Atos dos Apóstolos, onde Paulo e Barnabé chegam à ilha durante a primeira viagem missionária. Eles iniciam sua pregação justamente em Salamina antes de atravessar Chipre.
O relato bíblico registra: “Quando chegaram a Salamina, anunciavam a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus. João estava com eles, como seu ajudador.” (Atos 13:5).
A moeda pesa cerca de 11 gramas e corresponde ao padrão conhecido como “siglos”.
Segundo Yanniv David Levy, pesquisador e curador do Departamento de Moedas da IAA, a peça apresentou uma característica curiosa.
“À primeira vista, parecia ser feita de prata, mas uma análise mais detalhada mostrou que, na verdade, era feita de um metal apenas banhado a prata. Esse era um fenômeno conhecido em moedas de prata cipriotas desse período, dada a escassez de prata na ilha”, explicou Levy.
Extremamente rara
A moeda chama atenção de forma especial pelos detalhes presentes nas figuras gravadas em ambos os lados.
Um dos lados da moeda exibe a figura de um carneiro reclinado voltado para a esquerda. No verso, aparece a cabeça de um carneiro também orientada para a esquerda, inserida em uma moldura quadrada em baixo-relevo.
Ao lado dessa imagem, há um ramo de louro na vertical, acompanhado de três pequenos símbolos que, segundo os especialistas, parecem pertencer à antiga escrita silábica cipriota.
“Moedas desse tamanho e valor do período persa são extremamente raras no registro arqueológico”, explicou Levy.
“Normalmente, moedas de prata desse tamanho não eram preservadas intactas. Com o tempo, elas eram cortadas em pedaços menores para serem usadas como moeda de troca local.”
“Evidências desse uso são conhecidas principalmente em sítios arqueológicos do interior de Israel. Portanto, a descoberta de uma moeda completa na área costeira é incomum em todos os sentidos e tem especial importância histórica.”
A Dra. Evangeline Markou, pesquisadora sênior do Instituto de Pesquisa Histórica da Fundação Nacional de Pesquisa Helênica e especialista em cunhagem antiga de Chipre, destacou que as moedas produzidas em Salamina no século V a.C. circulavam amplamente pelo Mediterrâneo oriental.
“Moedas de Salamina do século V a.C. circulavam por todo o Mediterrâneo oriental. No entanto, achados com procedência exata são mais raros e, portanto, esta moeda oferece informações potencialmente significativas sobre as relações comerciais e a movimentação entre Chipre e a Terra de Israel durante esse período”, disse ela.
Laços econômicos e marítimos
Levy, representando a perspectiva arqueológica israelense, concordou com Markou.
“As circunstâncias da descoberta e o relato preciso permitem que nós, pesquisadores, não apenas identifiquemos a moeda em si, mas também a utilizemos como uma fonte confiável de informações sobre os laços econômicos e marítimos que existiam nesta região há cerca de 2.500 anos”, disse Levy.
Chaprak recebeu um certificado de agradecimento por relatar a descoberta e entregar a moeda ao Departamento de Numismática da IAA.
“Sinto-me honrado por ter participado de uma descoberta de valor histórico”, disse Avi. “Eu sabia que a moeda pertencia ao nosso patrimônio comum, então a entreguei imediatamente à Autoridade de Antiguidades de Israel. É um privilégio contribuir para a pesquisa e a história da Terra de Israel.”
O Ministro do Patrimônio de Israel, Rabino Amichai Eliyahu, também elogiou a atitude de Chaprak.
Segundo ele, a moeda – tão rara quanto significativa – oferece uma prova concreta das antigas conexões marítimas e comerciais entre Chipre e a Terra de Israel há cerca de 2.500 anos.
Ele também destacou a atitude exemplar de Chaprak ao comunicar a descoberta de forma responsável, garantindo que essa peça valiosa do patrimônio histórico fosse preservada, estudada e transmitida às futuras gerações.