Ataque em área cristã deixa 27 mortos no Domingo de Ramos na Nigéria

Homens armados abriram fogo em um local de encontro popular na comunidade Gari Ya Waye, no domingo (29).

fonte: Guiame, com informações de Portas Abertas Brasil e AP News

Atualizado: Segunda-feira, 30 Março de 2026 as 3:55

Homens armados abriram fogo na comunidade Gari Ya Waye. (Foto: Reprodução/Instagram/Seanfeucht/Reprodução/Instagram/Roots TV Nigéria).
Homens armados abriram fogo na comunidade Gari Ya Waye. (Foto: Reprodução/Instagram/Seanfeucht/Reprodução/Instagram/Roots TV Nigéria).

Um ataque deixou dezenas de mortos em uma comunidade de maioria cristã na Nigéria, durante o Domingo de Ramos (29).

Segundo a Missão Portas Abertas Brasil, por volta das 20 horas, homens armados abriram fogo em um local de encontro popular na comunidade Gari Ya Waye, na cidade de Jos, no estado de Plateau.

Moradores relataram à AP News que os criminosos chegaram de bicicleta ao local e dispararam aleatoriamente contra a população. Nenhum grupo reivindicou a autoria do ataque até o momento.

O número de mortos ainda não está claro, mas pelo menos 27 pessoas morreram no atentado. Nem todas as vítimas eram cristãs.

De acordo com a AP News, a comissária de informação de Plateau, Joyce Lohya Ramnap, confirmou o ataque, mas não divulgou o número de mortos.

Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram corpos ensanguentados nas ruas em um cenário de devastação e luto.

Um vídeo, divulgado pelo jornal local RootsTV Nigeria, mostrou uma loja da comunidade com manchas de sangue das vítimas do atentado.

“Esse é o sangue dos tiros de ontem”, contou um morador. E criticou: “A mídia não está contando a verdade ao mundo. Já tivemos conversas sobre segurança antes, nossa preocupação é: O que o governo vai fazer em relação a isso? Porque não podemos ficar de braços cruzados vendo isso acontecer. Não aguentamos mais, basta! Chega de assassinatos!”.

O governo estadual estabeleceu um toque de recolher de 48 horas por motivos de segurança. 

O governador Caleb Manasseh Muftwang divulgou um comunicado afirmando que “condena veementemente esse ataque bárbaro e não provocado contra cidadãos inocentes e assegura ao público que todas as medidas necessárias estão sendo tomadas para capturar os responsáveis e levá-los à Justiça".

A Missão Portas Abertas explicou que os cristãos na Nigéria podem se tornar mais vulneráveis a ataques durante a Semana Santa e pediu oração.

“Por favor, continue levando a nação em suas orações. Com a Semana Santa em andamento, que pode aumentar a vulnerabilidade dos crentes na Nigéria e em outros lugares ao redor do mundo, por favor, orem pela proteção de nossos irmãos e irmãs enquanto se reúnem para lembrar da morte e ressurreição de Jesus”, afirmou.

Mesmo com a presença militar dos EUA, os ataques contra cristãos continuam 

Em meio à escalada da violência no país, o reverendo Ezekiel Dachomo, presidente regional da Igreja de Cristo nas Nações (COCIN) em Barkin Ladi, afirmou que os esforços para obter proteção internacional às comunidades atacadas na região central da Nigéria ainda não trouxeram resultados concretos para as áreas mais afetadas.

Segundo Ezekiel, embora os Estados Unidos tenham realizado operações militares em partes do norte do país, o estado de Plateau não foi incluído entre as áreas prioritárias. 

Ele alegou que decisões da liderança de segurança nigeriana influenciaram o redirecionamento da atenção para outras regiões, como o estado de Sokoto e áreas vizinhas.

As declarações do líder cristão surgem em meio a relatos contínuos de ataques genocidas no centro da Nigéria, especialmente nos estados de Plateau e Benue, onde comunidades agrícolas cristãs enfrentam perseguições recorrentes há vários anos.

A organização International Christian Concern (ICC), apesar da presença de forças de segurança nigerianas e de operações de segurança periódicas, os ataques continuam sendo registrados. 

Sobreviventes e líderes locais relatam invasões de grupos armados a aldeias, destruição de casas e agressões contra moradores.

A Nigéria ficou em 7º lugar na Lista Mundial de Vigilância 2026 da Portas Abertas, que avalia a perseguição enfrentada por cristãos em todo o mundo.

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