O casal brasileiro Lucas e Juliana Oliveira foram literalmente até os confins da Terra para pregar o Evangelho.
Há nove anos, os missionários se mudaram para a Mongólia, um dos países mais isolados e frios do mundo, e que está dentro da Janela 10/40 – a região do mundo menos alcançada pelo Evangelho. Eles foram enviados pela Agência Presbiteriana de Missões Transculturais (APMT).
Um terço da população do país é nômade, migrando de acordo com as condições climáticas e agropecuárias e vivendo em acampamentos provisórios. O povo nômade mongol é formado por cerca de 1 milhão e 200 mil pessoas.
Lucas e Juliana, que possuem três filhos, têm evangelizado principalmente esse grupo. Pregar e discipular os nômades é um grande desafio: os missionários enfrentam o clima extremo e longas distâncias.
“O isolamento geográfico, a barreira linguística e a própria dinâmica da vida nômade dificulta encontros regulares e o acompanhamento contínuo. As famílias não vivem em comunidades fixas, estão em constante migração e muitas habitam em regiões de difícil acesso, especialmente nas regiões montanhosas, o que limita a frequência das visitas e o discipulado presencial”, explicou Lucas, em entrevista ao Guiame.
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Os missionários Lucas (à frente) e Juliana com os cristãos de sua igreja. (Foto: Lucas Oliveira).
Igreja em acampamentos nômades
Os missionários tiveram a ideia de transformar um caminhão em uma igreja móvel para evangelizar aqueles que ainda não conhecem Jesus e também discipular os nômades que já são cristãos.
“Vamos até onde os nômades estão. O caminhão é uma ferramenta essencial, pois nos permite viajar como família e levar conosco uma estrutura que funciona como nossa própria casa. Isso nos dá condições de permanecer mais tempo com eles, visitar famílias distantes e ter momentos prolongados de discipulado”, disse Lucas.
E ressaltou: “O caminhão também nos ajuda a alcançar regiões onde seria praticamente impossível chegar de outra forma. A igreja não é um prédio, mas o povo reunido — seja ao ar livre ou onde for possível”.
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A igreja é uma tenda montada nos acampamentos nômades. (Foto: Lucas Oliveira).
Conforme o povo nômade se movimenta, os missionários os acompanham com o caminhão.
Quando chegam nos acampamentos, eles montam uma grande tenda, que serve de casa para a família e também de igreja. Atualmente, 10 famílias nômades fazem parte da congregação e participam dos cultos.
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A igreja é uma tenda montada nos acampamentos nômades. (Foto: Lucas Oliveira).
“Desde 2024, iniciamos também viagens missionárias com os próprios irmãos nômades para outras regiões montanhosas, onde hoje já existem duas famílias crentes entre o povo da etnia Tuvan”, testemunhou o missionário.
Nutrindo relacionamentos
A principal estratégia do casal para evangelizar é formar relacionamento com as pessoas. Para isso, eles chegam a ajudar no pastoreio dos animais dos nômades.
“Caminhamos junto com as famílias em seu contexto diário. O discipulado acontece de forma simples, constante e contextualizada à vida nômade”, comentou Lucas.
Para ensinar a Palavra de Deus, eles usam Bíblias em áudio e vídeos evangelísticos. “Tem sido muito eficaz, especialmente entre pessoas com pouco acesso à leitura ou que aprendem melhor de forma oral e visual”, observou ele.
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A igreja é uma tenda montada nos acampamentos nômades. (Foto: Lucas Oliveira).
Resistência ao Evangelho
Apesar de haver liberdade religiosa na Mongólia, ainda há muita resistência ao Evangelho. A maioria da população segue o budismo e o xamanismo, e menos de 1% dos mongóis são cristãos.
“A resistência é real e intensa, especialmente no nível familiar e espiritual. Quando alguém se converte, é comum que familiares e amigos amaldiçoem os novos crentes e os amedrontem, dizendo que os espíritos trarão doenças, perdas e todo tipo de maldição como consequência da fé em Jesus. Isso gera muito medo e pressão, exigindo acompanhamento pastoral próximo e constante encorajamento na Palavra”, relatou Lucas.
Para garantir sua permanência legal na Mongólia, Lucas e Juliana precisam manter um negócio e abriram um café no país.
“Conciliar a gestão desse empreendimento com o trabalho missionário demanda tempo, recursos e equilíbrio, mas tem sido também um meio pelo qual Deus nos sustenta, abre portas na comunidade local e possibilita a continuidade do ministério”, afirmou o missionário.