Cristão é incendiado por muçulmano no Paquistão

Zahid Morris sofreu queimaduras extensas no rosto e pescoço. O advogado alertou que, enquanto os agressores permanecerem impunes, a violência contra minorias continuará.

fonte: Guiame, com informações de Morning Star News

Atualizado: Terça-feira, 3 Fevereiro de 2026 as 9:39

O cristão Zahid Morris. (Foto: Reprodução/Morning Star News)
O cristão Zahid Morris. (Foto: Reprodução/Morning Star News)

Um cristão ficou gravemente ferido após ser atacado por um vizinho muçulmano no Paquistão, que o encharcou com gasolina e ateou fogo nele após uma discussão.

O caso ocorreu em 21 de janeiro na cidade de Bahawalpur, província de Punjab. Zahid Morris, de 36 anos, pai de dois filhos, foi atacado enquanto ia comprar frango em um mercado próximo de sua residência.

“O agressor, Ali Azhar, parou Morris na rua, o insultou verbalmente, despejou gasolina sobre o seu corpo e ateou fogo”, disse o advogado cristão Lazar Allah Rakha, ao Morning Star News. 

“Morris sofreu queimaduras extensas no rosto e pescoço, o que lhe causou dores físicas inimagináveis ​​e um profundo trauma emocional”, acrescentou.

Morris trabalhava como ajudante em uma joalheria e era o único provedor da família. Com os ferimentos, ele ficou impossibilitado de trabalhar, o que agravou a situação financeira do lar.

Segundo o advogado, o ataque foi desproporcional e teria origem em um desentendimento ocorrido dias antes, quando Morris questionou o agressor por estar olhando de forma insistente para ele. 

‘Ato de terrorismo’

Pouco depois do crime, a polícia prendeu o acusado e registrou o caso como tentativa de homicídio, com pena de até 10 anos de prisão. 

A defesa da vítima pretende apresentar acusações adicionais assim que o laudo médico de Morris for concluído.

“Vamos apresentar um pedido para adicionar artigos relacionados ao terrorismo e à queima de um corpo humano, especificamente o Artigo 336 do código penal, que prevê prisão perpétua ou um mínimo de 14 anos de prisão, juntamente com uma multa de 1 milhão de rupias paquistanesas”, informou o adbpgado.

Rakha afirmou ainda que Azhar teria agredido outros cristãos na região, sem sofrer consequências legais.

“Essas vítimas não entraram com uma ação judicial, o que parece tê-lo encorajado. Ele não hesitou em tentar queimar Morris vivo”, relatou ele.

Organizações de direitos humanos revelaram que o caso reflete um cenário mais amplo de discriminação e violência enfrentado por cristãos no Paquistão, que representam cerca de 1,8% da população. 

A minoria cristã costuma estar concentrada em empregos de baixa renda e frequentemente denuncia assédio, violência e dificuldades no acesso à justiça.

Perseguição a cristãos e falhas na Justiça

Nos últimos anos, outros casos de violência contra cristãos no país também ganharam repercussão, destacando as preocupações sobre a segurança das minorias religiosas e a responsabilização dos agressores. 

Especialistas afirmam que, embora a Constituição paquistanesa garanta igualdade de direitos, a aplicação das leis ainda é falha.

“Enquanto os ataques contra minorias não forem investigados de forma imparcial e os responsáveis ​​processados ​​com rigor, essa violência continuará”, disse o advogado.

O Paquistão ficou novamente em 8º lugar na Lista Mundial de Vigilância 2026 da Portas Abertas, que avalia a perseguição enfrentada por cristãos em todo o mundo. 

O relatório da missão citou discriminação sistêmica, violência coletiva, conversões forçadas, trabalho escravo e abusos de gênero, destacando que os agressores muitas vezes agem com impunidade devido à fragilidade da aplicação da lei e às pressões sociais.

veja também