Cristão é morto em retaliação após família deixar trabalho escravo no Paquistão

Masih, de 35 anos, foi morto a tiros após sua família denunciar ameaças e se recusar a continuar trabalhando em condições de escravidão no Paquistão.

fonte: Guiame, com informações de Global Christian Relief

Atualizado: Quarta-feira, 17 Junho de 2026 as 12:37

Muitos cristãos vivem sob o regime de escravidão no país. (Foto: Reprodução/Global Christian Relief)
Muitos cristãos vivem sob o regime de escravidão no país. (Foto: Reprodução/Global Christian Relief)

Um cristão de 35 anos foi morto a tiros no Paquistão após sua família se recusar a continuar trabalhando para um proprietário de terras muçulmano em regime de escravidão para quitar uma dívida. 

Masih trabalhava na província de Punjab e era submetido a longas jornadas de trabalho, recebendo pouca remuneração além de alimentação e itens básicos em troca do serviço. 

Segundo o Pakistan Christian Post, quando a família decidiu deixar o trabalho, o proprietário exigiu cerca de 600 dólares para quitar uma suposta dívida e liberar os irmãos. 

Sem condições de pagar o valor, eles passaram a sofrer ameaças e intimidações constantes de muçulmanos locais.

Constantemente, os extremistas iam até a casa da família e atiravam contra os cristãos, além de ameaçar as mulheres de serem arrastadas nuas pelas ruas.

A negligência das autoridades locais

A situação se agravou em 14 de junho, quando muçulmanos armados retornaram ao local e abriram fogo contra a residência. Masih foi gravemente ferido e levado às pressas para um hospital em Lahore, mas não resistiu aos ferimentos e morreu horas depois. 

O caso gerou revolta entre cristãos no Paquistão. A organização LEAD Ministries, que monitora casos de violência, discriminação e perseguição contra cristãos no país, lamentou o assassinato e cobrou uma resposta das autoridades. 

“Após tomar conhecimento dos detalhes desse trágico incidente, parece que os cidadãos comuns, especialmente os membros de comunidades minoritárias, continuam a enfrentar sérios desafios para obter proteção e justiça”, disse o pastor Imran Amanat, do LEAD, à Worthy News. 

“Instamos as autoridades a conduzirem uma investigação completa e imparcial e a responsabilizarem todos os envolvidos perante a lei”, acrescentou.

A família informou que as ameaças e o assédio já haviam sido denunciados à polícia local antes do ataque. No entanto, nenhuma medida efetiva foi tomada para garantir sua segurança. 

A organização Voice of Pakistan Minority destacou que, até o momento, não houve uma resposta pública oficial às acusações da família. 

O assassinato aconteceu apenas quatro dias após outro caso semelhante na província. Zain Masih, de 22 anos, foi morto a facadas em outra cidade de Punjab. 

Para a organização Voice of Pakistan Minority, observou que o assassinato não foi um incidente isolado, mas parte de um padrão mais amplo.

“A discriminação, a exploração econômica e a insegurança se cruzam, muitas vezes deixando os mais marginalizados sem proteção significativa”, explicou a organização.

Os cristãos representam cerca de 2% da população do Paquistão, formada por mais de 240 milhões de habitantes. 

Na nação de maioria islâmica, eles enfrentam perseguição por meio de leis de blasfêmia, conversões e casamentos forçados, além de discriminação social e episódios de violência. 

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