Cristão que salvou 9 mil pessoas do Estado Islâmico é preso na Síria

Suleiman Khalil está na prisão há mais de 1 ano sem enfrentar acusações. O governo não informou o motivo da detenção.

fonte: Guiame, com informações de EWTN News

Atualizado: Quinta-feira, 17 Setembro de 2026 as 10:22

Khalil foi preso pelo governo sírio sem acusação. (Foto: Reprodução/YouTube/EWTN News).
Khalil foi preso pelo governo sírio sem acusação. (Foto: Reprodução/YouTube/EWTN News).

Um cristão, ex-prefeito da cidade de Sadad, foi preso pelo governo na Síria. Segundo a EWTN News, Suleiman Khalil está na prisão há mais de 1 ano sem enfrentar acusações.

Khalil foi detido em sua casa no dia 8 de fevereiro de 2025. As autoridades sírias não informaram o motivo da prisão.

“Já faz 19 meses desde que o pegaram. Não sabemos porque pegaram ele. Eles não alegaram que têm acusações contra ele. Não podíamos contratar um advogado. Eles vieram até nossa casa e disseram: 'Ele era procurado'", contou Natalie Khalil, filha de Khalil, em entrevista ao jornal "EWTN News Nightly”.

Suleiman Khalil é conhecido por sua fé cristã e, em seu mandato, organizou uma operação de defesa da cidade de Sadad durante um ataque do Estado Islâmico em 2015. O esforço do então prefeito salvou mais de 9.000 moradores.

"Suleiman Khalil é muito conhecido na Síria por salvar a cidade”, afirmou Joel Veldkamp, diretor de defesa pública do Christian Solidarity International (CSI), organização que apoia cristãos perseguidos.

Restrições na prisão

Natalie relatou que a família enfrentou limites durante suas visitas a Khalil na prisão, incluindo regras que proibiam que expressassem sua fé cristã.

“Mesmo quando íamos visitar, não podíamos ser nós mesmos. Fomos convidados a usar hijab para cobrir a cabeça e o cabelo. Íamos cobrindo o corpo inteiro. Mesmo assim, meu irmão foi usando um colar com uma cruz — tiraram o colar do pescoço dele. Não nos era permitido ser cristão naquele lugar”, denunciou ela.

E acrescentou: "Não consegui trazer uma Bíblia para dentro da prisão”.

Carta a Donald Trump

Natalie enviou uma carta ao presidente americano Donald Trump, pedindo ajuda para libertar seu pai.

“Eu acredito em Deus e continuo acreditando que compaixão e justiça podem alcançar até as situações mais difíceis”, escreveu ela, na carta.

"Peço humildemente que, por favor, investigue o caso do meu pai e, se houver alguma forma legal de ajudar, que o faça. Não estou pedindo tratamento especial. Peço justiça, compaixão e uma revisão justa do caso do meu pai". 

E continuou: "Senhor Presidente, o senhor defendeu a proteção dos cristãos perseguidos, e peço que faça isso novamente pelo meu pai, meu herói, Suleiman Khalil. Para o mundo, ele pode ser um homem, mas para mim, ele é meu pai, meu modelo e meu herói. Sou apenas uma filha pedindo ajuda para trazer o pai de volta para casa”.

Para Joel Veldkamp, Khalil está sendo punido por suas ações anteriores, quando protegeu sua cidade da ameaça de terroristas.

Joel explicou que Khalil não estava alinhado com o antigo regime, mas era um político cristão independente que agiu para salvar Sadad.

"Para o novo governo sírio, que está no poder há apenas cerca de dois anos, dizer aos Estados Unidos que estão entrando na luta contra o terrorismo, e depois colocar um homem como este na prisão, isso envia uma mensagem muito confusa aos EUA. Isso envia uma mensagem terrível aos cristãos na Síria, que estão realmente incertos sobre seu futuro sob esse novo governo", observou ele.

Cristãos em risco na Síria

Conforme o Christian Today, o novo governo sírio tem sido incapaz de impedir a violência de grupos militantes armados.

A vida se tornou mais desafiadora para os cristãos na Síria sob a nova liderança de Ahmed al-Sharaa – ligado a grupos islâmicos – que assumiu a presidência após a queda de Assad em dezembro de 2024.

O ataque terrorista à Igreja do Profeta Elias em junho de 2025 reacendeu os temores da comunidade cristã de sofrer mais perseguição de radicais islâmicos.

Em março do ano passado, confrontos entre forças governamentais e combatentes pró-Assad resultaram na morte de centenas de civis e soldados. Em menos de 24 horas, centenas de cristãos foram massacrados na região costeira da Síria por muçulmanos locais. 

Relatórios indicam que o ataque coordenado ocorreu nas regiões sírias de Jableh e Baniyas, onde comunidades cristãs e alauítas vivem historicamente.

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