Elinor Young cresceu em uma pequena fazenda nos Estados Unidos. Aos 5 anos de idade, ela contraiu dois tipos de poliomielite.
A doença paralisou seus músculos do braço, perna e tronco; e prejudicou a respiração, deglutição e outras funções. Elionor passou a se movimentar com dificuldade e com ajuda de muletas.
“Antes da vacinação estar disponível pela primeira vez em 1955. Peguei poliomielite em 1952. Eu tinha poliomielite espinhal e bulbar, e fiquei no hospital por sete meses”, contou ela, em seu site.
“Os médicos disseram aos meus pais que, se eu vivesse, e talvez eu nem vivesse, seria inválida a vida toda. Tive um caso muito ruim. Na verdade, levou três meses até eu conseguir sequer mexer o dedão do pé. Mas o Senhor tinha outros planos para minha vida”, observou.
Enquanto crescia, Elinor testemunhou seus pais enviarem ofertas constantes para missionários – incluindo carne que produziam em sua fazenda. A menina também leu muitas biografias de cristãos que se dedicaram ao trabalho missionário.
Aceitando o chamado
Elinor ficou 17 anos nas montanhas da Indonésia evangelizando o povo Kimyal. (Foto: Elinor Young).
Até que na adolescência, ela se sentiu chamada para a missão. Certa vez, em um culto de sua igreja em uma área rural, o pregador perguntou à congregação quem atenderia ao chamado de Jesus de pregar para aqueles que ainda não conhecem o Evangelho.
Com apenas 12 anos, Elinor foi até o altar e disse: “Sim, acredito que o Senhor quer que eu seja missionária algum dia”.
Ela foi a única da congregação a atender o chamado, então um homem disse ao pregador: “Sinto muito, senhor, que a única pessoa que respondeu ao seu convite para se entregar ao Senhor na missão foi a garotinha aleijada que nunca vai conseguir”.
Mas, o pregador respondeu: “A quem o Senhor chamar, Ele usará”. Superando suas dificuldades físicas, Elinor cursou a universidade e fez diversos cursos teológicos.
Nas montanhas da Indonésia
Elinor ficou 17 anos nas montanhas da Indonésia evangelizando o povo Kimyal. (Foto: Elinor Young).
Mais tarde, Elinor foi enviada como missionária a um dos lugares mais remotos do mundo: a província de Papua, na Indonésia. Lá, ela trabalhou com a tribo Kimyal em uma região montanhosa chamada Korupun.
“Naquela época, embora eu não precisasse mais de muletas, minha claudicação profunda anunciava minhas pernas fracas para as pessoas quase do tamanho dos pigmeus chamadas Kimyal, que vivem naquelas montanhas”, lembrou ela, em artigo do site da missão Joni&Friends.
“Quando cheguei entre eles, alguns conheciam o básico do Evangelho, mas não tinham a Bíblia em seu idioma. Minha tarefa era aprender a língua e a cultura deles e traduzir a Bíblia para eles”.
A missionária aceitou o desafio de analisar seu sistema sonoro, criar um alfabeto para a língua tribal para então traduzir as Escrituras.
“Para aprender o coração e a língua dessas pessoas, passei tempo com elas. Eu ia às vilas aos domingos para ensinar histórias bíblicas às crianças, ou em outros dias simplesmente ia visitar”, contou Elinor.
“Cada vila era conectada às outras por longas e íngremes trilhas de montanha. Eu chamava isso de trilhas de cabras. Eram estreitas e às vezes ao longo de penhascos íngremes onde um passo em falso podia te fazer cair. Trilhas frequentemente cruzavam rios que desciam por uma ponte suspensa alta”.
Elinor ficou 17 anos nas montanhas da Indonésia evangelizando o povo Kimyal. (Foto: Elinor Young).
Com dificuldades para caminhar nas montanhas, Elinor recebeu ajuda dos moradores. “Minhas pernas não conseguiam andar pelas trilhas e não havia nada com rodas para pedalar. Então eu andava no que chamava de meu Sistema de Transporte de Montanha. Eram dois postes apoiados um pouco mais largos que eu, com uma bolsa de rede achatada presa de forma que uma tábua embaixo pudesse servir como assento”, explicou.
“Sentei ali entre os postes, e de dois a oito homens, dependendo de quão íngreme ou acidentada era a trilha, colocaram os bastões nos ombros, e partimos. Paguei eles, mas logo percebi que eles não faziam isso só pelo pagamento. Eu era alguém mais fraco que eles e precisava de ajuda. Eles se orgulhavam de me carregar”.
O povo Kimyal passou a chamar Elinor de “Pernas ruins”. Ela perguntou ao pastor local porque a tribo havia dado esse nome a ela.
“Ele disse: ‘Suas pernas ruins são importantes para nós. Pessoas com pernas boas vieram aqui por um curto período e tiveram que sair. E sabemos sobre pernas ruins. Nosso próprio povo com pernas ruins não consegue sair deste vale. Mas Deus te trouxe, mesmo com suas pernas fracas, e te manteve aqui para que pudesse nos dar a sua Palavra. Ele fez isso porque nos ama muito’”, relatou.
Após mais de 17 anos em Papoa, a missionária sofreu uma grave síndrome pós-poliomielite e precisou voltar para os EUA.
Mas, uma equipe formada por cristãos locais e um missionário terminaram o trabalho de tradução do Novo Testamento de Elinor.
Após deixar um grande legado ao povo Kimyal, hoje ela é autora, professora e mentora de novos missionários.