Muçulmanos aceitam Jesus em meio à guerra no Sudão: “O Espírito Santo ainda está agindo"

Apesar da guerra, muçulmanos estão aceitando Jesus e líderes locais compartilham o Evangelho no Sudão.

fonte: Guiame, com informações de Mission Network News e Portas Abertas

Atualizado: Segunda-feira, 23 Março de 2026 as 4:59

Imagem Ilustrativa. (Foto: Reprodução/Portas Abertas)
Imagem Ilustrativa. (Foto: Reprodução/Portas Abertas)

Em meio à intensificação dos conflitos no Sudão, um ministério testemunhou que muçulmanos têm aceitado Jesus em campos de refugiados, onde o Evangelho tem encontrado crescente abertura.

A Mission Network News informou que os confrontos mais recentes entre o exército sudanês e forças rebeldes deixaram 17 mortos e 123 feridos graves, em meio à escalada da violência próxima à fronteira com o Chade. 

A guerra civil, que já dura cerca de três anos, agravou uma crise humanitária marcada por fome, deslocamento em massa e colapso econômico. Apesar do cenário, líderes cristãos afirmam que há um despertar espiritual em andamento no país. 

“Há genocídio após genocídio, e muitas vezes isso não chega às notícias porque existem outros conflitos mais relevantes para a política dos Estados Unidos”, disse Jesse Griffin, da organização cristã unfoldingWord.

Segundo Jesse, o contexto de sofrimento tem contribuído para que mais pessoas estejam abertas ao Evangelho, incluindo muçulmanos.

"O Evangelho continua a se expandir no Sudão, e é maravilhoso ver como o Espírito Santo ainda está agindo", afirmou ele.

“Nossos irmãos no Sudão dizem que, por causa do conflito, há uma enorme receptividade ao Evangelho”, acrescentou.

‘Orem por eles’

As igrejas locais têm desempenhado um papel fundamental durante as atividades evangelísticas. Em parceria com a organização, líderes sudaneses têm sido treinados para traduzir a Bíblia e compartilhar as Escrituras em suas próprias línguas.

“Nossos parceiros treinaram pessoas de 89 tribos diferentes no Sudão. Essas pessoas estão voltando para suas comunidades e compartilhando o Evangelho, fundando igrejas e fazendo discípulos”, relatou Jesse.

Nos campos de refugiados, esse trabalho tem ganhado força. Tradutores e evangelistas utilizam as Escrituras em línguas locais para ensinar e levar a Palavra de Deus à prática.

“Semanalmente, eles também ministram a Bíblia no contexto de suas igrejas e compartilham as Escrituras nos campos de refugiados”, disse ele.

As equipes estão concluindo o Novo Testamento em árabe sudanês e masalit este ano: “Muitos muçulmanos estão se convertendo ao cristianismo depois de ouvirem o Evangelho em sua língua materna”.

“Orem pela proteção deles, porque muitos, ao tomarem essa decisão, correm risco de vida por pessoas próximas”, concluiu Jesse.

A situação no Sudão

Segundo a missão Portas Abertas, a situação dos cristãos no Sudão já era desafiadora há anos, mas se agravou significativamente nos últimos tempos. Atualmente, eles enfrentam uma crise crescente, marcada pela intensificação da violência e pelo deslocamento em massa da população. Esse cenário é resultado do golpe militar de 2021 e da guerra civil iniciada em 2023.

Desde então, o governo restabeleceu líderes opressores, retomou políticas cruéis de “moralidade” e tem utilizado leis islâmicas para justificar conversões forçadas e punições físicas. Como consequência, isso anulou os avanços na liberdade religiosa conquistados após a queda do regime opressivo de al-Bashir em 2021. 

O conflito também deixou um vazio de poder, que tem sido aproveitado por milícias dos dois lados, que perseguem cristãos sem medo de punição. Igrejas já foram bombardeadas, invadidas e até usadas como base por grupos armados. Além disso, cristãos sofrem forte discriminação na Justiça, no trabalho e nas escolas.

Convertidos do islamismo vivem com medo o tempo todo, enfrentando isolamento, violência e até rejeição da própria família. Igrejas também têm sido fechadas à força, impedidas de se registrar e até destruídas. Além disso, líderes religiosos e cristãos estrangeiros têm sido presos injustamente com cada vez mais frequência em meio ao conflito.

“Não sabemos como será o novo Sudão após a guerra, mas acredito que este é um tempo para a igreja se levantar e garantir nossos direitos, para termos um lugar e uma voz”, disse Rafat Samir, líder cristão sudanês e presidente do Conselho Comunitário Evangélico do Sudão.

O Sudão ficou novamente em 4º lugar na Lista Mundial de Vigilância 2026 da Portas Abertas, que avalia a perseguição enfrentada por cristãos em todo o mundo. 

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