Bahar Rad e sua família experimentaram a perseguição do regime islâmico após se converterem a Cristo no Irã.
Em 2013, eles precisaram fugir do país por segurança e recomeçar suas vidas em outro país.
Hoje, Bahar atua como Porta-voz da Missão Portas Abertas sobre o Irã e contou ao Guiame como é ser cristão em uma nação que proíbe o cristianismo.
Na adolescência, ela testemunhou Deus impactar sua família após seu pai aceitar Jesus.
“Ele teve contato com o Evangelho através de um programa cristão em língua persa na televisão por satélite e, a partir daquele momento, algo em sua vida mudou. Lentamente, essa mudança começou a impactar a todos nós como família”, contou ela.
“Eu ainda era jovem na época, mas pude ver a diferença nele, sua paz, sua esperança e a maneira como ele vivia”.
Nessa época, Bahar frequentou uma igreja doméstica apenas algumas vezes por causa dos riscos.
“Embora eu só tenha frequentado algumas vezes, esses momentos permaneceram profundamente em minha memória”, comentou.
Pai preso
Mais tarde, seu pai foi preso pelas autoridades devido a sua conversão à fé cristã. Bahar, seus irmãos e sua mãe enfrentaram momentos de luta espiritual e emocional diante da perseguição.
“Foi uma das fases mais difíceis de nossas vidas. Vivíamos com medo e incerteza, sem saber se meu pai voltaria para casa. Meus irmãos mais novos perguntavam constantemente sobre ele, e tínhamos que esconder a verdade”, lembrou ela.
Segundo a iraniana, sua fé cresceu mesmo em meio a dor de ter o pai preso. “Eu tinha muitas perguntas: Por que isso estava acontecendo se estávamos seguindo a verdade? Mas, naquele momento de confusão, experimentei a presença de Deus como um Pai amoroso de forma muito pessoal e real”, afirmou.
“Ele me deu uma sensação de paz e a certeza de que Ele ainda estava no controle. Foi então que minha fé se tornou pessoal, não apenas algo que eu tinha visto em meu pai”, testemunhou.
Bahar Rad disse que sua mãe foi a que mais sofreu durante a prisão do esposo. “Minha mãe carregava um fardo ainda mais pesado. Ela criava três filhos sozinha, trabalhava e enfrentava a pressão tanto das autoridades quanto de nossos familiares”, observou.
E ressaltou: “Como família, nos apegamos a Deus não porque fosse fácil, mas porque Ele era nossa única fonte de força. Foi isso que nos ajudou a permanecer firmes”.
Após 13 meses na prisão, o pai de Rad foi libertado. Então, a família fugiu do Irã e enfrentou dificuldades como refugiados até se estabelecerem em outro país. Hoje, Bahar mantém contato com cristãos iranianos, os encorajando em sua caminhada com Jesus.
Despertar espiritual no Irã
Sobre os relatos de um despertar espiritual no Irã, Rad confirmou que são reais e que o avivamento está acontecendo de maneira discreta.
“Apesar de toda a pressão e dos riscos, a Igreja está crescendo. As pessoas estão em busca de verdade, esperança e significado, especialmente em meio a dificuldades, injustiças e decepções”, relatou.
Os cristãos iranianos pregam o Evangelho não somente por meio de palavras, mas também por meio de suas vidas, ajudando e servindo as pessoas durante os momentos de dificuldade.
“Esse crescimento muitas vezes acontece silenciosamente. Muitos chegam à fé por meio de relacionamentos pessoais, atos de bondade ou até mesmo por meio de mídias como programas de satélite ou plataformas online”, disse Bahar.
“Mesmo na prisão, vimos vidas transformadas. Meu próprio pai compartilhou o Evangelho durante sua prisão e muitos se converteram. Então, sim, há um verdadeiro despertar espiritual, mas está acontecendo de uma maneira discreta e muitas vezes custosa”, avaliou.
“Os crentes iranianos desejam ser lembrados”
Bahar ainda relatou os principais anseios dos cristãos iranianos que precisam manter sua fé em segredo.
“Um de seus maiores desejos é simplesmente ter liberdade, a liberdade de crer, de adorar e de viver sua fé abertamente, sem medo”, declarou.
Os crentes também sentem falta de congregar em uma igreja com outros seguidores de Jesus.
“Há também um profundo desejo de conexão. Muitos crentes se sentem isolados, especialmente aqueles que não têm acesso a uma igreja doméstica. Eles anseiam por comunhão, por comunidade e por saber que não estão sozinhos”, contou Bahar.
E acrescentou: “Outro desejo é permanecer fiel ao seu chamado. Apesar dos riscos, muitos querem continuar servindo aos outros, compartilhando o Evangelho e sendo uma luz em suas comunidades”.
Bahar Rad enfatizou que os irmãos iranianos anseiam por ser lembrados por outros cristãos ao redor do mundo.
“Eles desejam profundamente ser lembrados. Saber que outros cristãos ao redor do mundo estão orando por eles e os apoiando traz força e encorajamento. Isso os lembra de que fazem parte de um só corpo, uma só família global em Cristo”, finalizou ela.