Um pastor está sendo punido por realizar cultos em sua casa no Butão, um país asiático de maioria budista que restringe a fé cristã.
Segundo a Portas Abertas Brasil, os serviços de água e energia elétrica do prédio onde o pastor Rajen mora foram interrompidos por autoridades municipais.
Tudo começou quando Rajen planejou usar o porão da sua casa como local de culto para reunir cerca de 30 cristãos que estava discipulando.
Como não há igrejas reconhecidas no Butão, o pastor precisou pedir autorização ao governo para realizar os encontros em sua própria residência.
Porém, o pedido foi negado em julho de 2023, porque o cristianismo não é reconhecido oficialmente no país.
Em setembro de 2024, o pastor Rajen começou a realizar cultos aos domingos em sua casa, mesmo sem a permissão. Enquanto isso, o líder continuou lutando e aguardando a autorização oficial.
No mês seguinte, autoridades municipais cortaram o abastecimento de água e energia elétrica de todo o prédio onde Rajen mora.
A interrupção afetou não apenas a família do pastor, mas também outros moradores do edifício.
Rajen relatou que os serviços só seriam restabelecidos caso ele parasse de fazer cultos no local.
Ele entrou com uma ação na Justiça contra o governo local, defendendo seu direito à liberdade religiosa que é garantido na Constituição do Butão.
As autoridades acusam o pastor de converter pessoas através de manipulações, mas o pastor nega as acusações.
Ele explicou que apenas exerce sua fé e oferece um local para que outros cristãos participem de cultos.
De acordo com a Portas Abertas, como templos de igrejas não são reconhecidos pelo Estado, encontros de adoração são considerados ilegais.
“A situação enfrentada pelo pastor Rajen reflete os desafios vividos por cristãos em diferentes regiões do país, que frequentemente precisam se reunir de forma discreta para evitar problemas com as autoridades locais”, explicou a missão.
Perseguição no Butão
O nacionalismo religioso é a principal fonte de perseguição no Butão. O governo pressupõe que todos os cidadãos são budistas.
Quem se converte ao cristianismo é observado com desconfiança. Geralmente, há uma pressão por parte da comunidade local, dos líderes religiosos e da própria família.
A conversão traz vergonha para os familiares, tanto que os parentes se esforçam muito para trazer o convertido de volta à fé original. Se isso falhar, o cristão é repudiado.
As igrejas que existem no país não possuem reconhecimento oficial do governo, isso quer dizer que os seguidores de Cristo que cultuam juntos estão, tecnicamente, adorando de forma ilegal.
As autoridades locais, muitas vezes, se recusam a emitir aos cristãos um “certificado de não objeção”, que é necessário para pedidos de empréstimos, registro de propriedade, solicitação de empregos e renovação dos documentos de identidade.
Como o budismo está enraizado no cotidiano do Butão, os monges costumam rejeitar a presença de cristãos, principalmente em áreas rurais.
O país ocupa a 34ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2026 da Missão Portas Abertas.