Terroristas forçam menino de 12 anos a comer cadáver de cristã, na Nigéria

O menino estava entre uma dúzia de cristãos sequestrados e foi libertado após meses em cativeiro, passando mal e precisando de atendimento médico.

fonte: Guiame, com informações de Baptist Press

Atualizado: Terça-feira, 11 Agosto de 2026 as 10:46

Imagem Ilustrativa. (Foto: Unsplash/TopSphere Media)
Imagem Ilustrativa. (Foto: Unsplash/TopSphere Media)

Um menino cristão de 12 anos foi forçado a comer parte do corpo de uma cristã morta por terroristas durante um período de cativeiro na região central da Nigéria

O relato foi divulgado por um advogado cristão, Jabez Musa*, que atua na defesa de mulheres e crianças perseguidas por sua fé no país.

Segundo ele, a mulher estava entre cerca de uma dúzia de cristãos sequestrados por militantes fulani. Após quatro meses em cativeiro, ela foi morta e esquartejada pelos terroristas.

O menino, que também era mantido em cativeiro, estava faminto quando foi obrigado a comer parte do corpo da vítima. 

“Imediatamente, é claro, o menino começou a vomitar e ficou doente. Ele acabou sendo libertado e grupos cristãos vieram em seu auxílio, e agora ele está sendo tratado em hospitais”, disse o advogado à Baptist Press em 10 de agosto, em uma entrevista organizada pela Open Doors US. 

“A mãe desse menino falou sobre o assunto e também foi sequestrada há algum tempo, com o marido”, acrescentou.

Episódios de violência contra cristãos

Musa, que atua na área desde 2010, afirmou que casos como esse fazem parte de uma realidade cada vez mais grave no país.

“O terrorismo que começou no nordeste da Nigéria com a fundação do Boko Haram em 2002 se espalhou para o noroeste, se tornou comum na região central do país e agora está se alastrando para o sul”, disse ele.

Segundo o advogado, apenas cerca de 20% a 40% do território da Nigéria, a maior nação da África e a sexta mais populosa do mundo, é considerado seguro para viver. 

Musa também relatou outros episódios de violência contra cristãos, incluindo mulheres que foram torturadas e ameaçadas para negar Jesus.

Em um dos casos, uma jovem que trabalhava no Corpo Nacional de Jovens da Nigéria (NYSC) teria sido espancada e torturada depois que seus sequestradores queimaram sua Bíblia. Os criminosos tentaram obrigá-la a negar Jesus, mas ela permaneceu firme na fé.

Outro episódio ocorreu quando uma mulher foi forçada a cortar com os dentes o cordão umbilical de uma companheira de cativeiro que havia acabado de dar à luz.

“Outras mulheres, supostamente muçulmanas, também foram levadas, provavelmente por estupro. E então começaram a espancá-la. Torturaram-na sem piedade. E para avisá-la, trouxeram um homem que estava entre as vítimas e o assassinaram, dizendo que se ela se recusasse, aquilo serviria de exemplo”, relatou ele. 

E continuou: “Então, não sei como a história terminou, mas me disseram que ela acabou sendo libertada e não renunciou a Cristo”.

‘A perseguição está se espalhando’

Especialistas do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos também alertaram que os assassinatos, sequestros, violência sexual, conversões e casamentos forçados atingiram níveis críticos na Nigéria, afetando particularmente cristãos e outras minorias religiosas. 

“Estamos particularmente alarmados com os riscos muito específicos e elevados de discriminação, violência e exploração a que as mulheres e meninas cristãs estão expostas”, disseram os especialistas em um comunicado à imprensa. 

“Os testemunhos que recebemos revelam um quadro horrível de medo, trauma, coerção e abandono. As vítimas e sobreviventes não devem ser deixadas sem proteção, justiça, reparação, incluindo reabilitação e apoio significativo”, acrescentaram.

Musa faz parte de uma rede de advogados cristãos apoiada pela missão Portas Abertas e por outros grupos cristãos para oferecer assistência jurídica a mulheres vítimas de perseguição. 

Ao longo dos anos, ele já defendeu centenas de vítimas nos tribunais, incluindo sobreviventes de casos de homicídio. Apesar disso, o advogado lamenta o aumento da perseguição aos cristãos e critica a falta de ações do governo para combater a violência. 

Conforme a Lista Mundial da Perseguição 2026 da Portas Abertas, que classifica os 50 países onde é mais difícil ser cristão, 3.490 cristãos nigerianos foram mortos por sua fé entre outubro de 2024 e setembro de 2025. 

“Gostaríamos de ver a comunidade internacional voltando sua atenção para a Nigéria, fazendo com que o governo nigeriano se mobilize e combata a violência. Acreditamos que, se o governo nigeriano se mobilizar, os cristãos talvez tenham um alívio. Até que isso aconteça, os cristãos continuarão sendo muito perseguidos. A perseguição está se espalhando”, concluiu Musa.

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