John Piper critica pastores que usam IA para escrever pregações: ‘É desonesto’

O pastor criticou o uso de IA para criar pregações e afirmou que os pastores devem ter a capacidade de ler a Bíblia, entendê-la e aplicá-la para edificar a Igreja.

fonte: Guiame, com informações de Church Leaders

Atualizado: Quarta-feira, 26 Fevereiro de 2025 as 12:15

John Piper. (Foto: Reprodução/YouTube/CROSS CON)
John Piper. (Foto: Reprodução/YouTube/CROSS CON)

Recentemente, o pastor John Piper criticou os pastores que usam a inteligência artificial (IA) para escrever pregações. Em um episódio de seu podcast “Pergunte ao Pastor John”, ele afirmou que usar a IA para criar sermões é “desonesto”.

Na última segunda-feira (24), Piper explicou que a IA não transmite emoção e citou sua definição: “'A inteligência artificial é uma tecnologia que permite que computadores e máquinas simulem o aprendizado humano, a compreensão, a resolução de problemas, a tomada de decisões, a criatividade e a autonomia'”. 

Então, o pastor destacou que a ausência de emoção é significativa, porque “o propósito final do universo é que Deus seja glorificado, e Ele é glorificado não apenas por ser corretamente pensado e logicamente compreendido. Mas, por ser corretamente exaltado, admirado e valorizado”.

“E Deus é mais glorificado quando estamos satisfeitos com Ele, o que significa que nenhuma inteligência artificial será capaz de adorá-lo”, disse Piper. 

“Adoração não é simplesmente pensar direito, o que os computadores podem fazer. Adoração é o sentimento certo sobre Deus", acrescentou Piper. 

Embora Piper tenha admitido que a IA pode produzir “uma pregação surpreendentemente bem escrita”, ele declarou:

“Isso é perverso — estou usando uma palavra forte porque é assim que me sinto sobre isso. Isso vai contra o coração de Deus e o significado do cristianismo, a integridade da igreja e de seus ministros”. 

E continuou: “Nem Deus, nem seu povo falam de maneira a trazer engano nas mentes com pensamentos que não são verdadeiros. Ou somos pessoas de verdade, com transparência e honestidade, ou não somos nada”.

‘O dom do pastor’

Ainda sobre usar a IA para escrever pregações e ministrar à Igreja, o pastor reforçou: “Não faça com que o ChatGPT escreva sua ministração. Não faça isso, a menos que você destaque no início: 'Esta pregação foi criada pelo ChatGPT' — isso é honesto, porém, seus membros não vão gostar”.

“Não faça com que o ChatGPT escreva seu primeiro rascunho para que você apenas ajuste e personalize. Francamente, estou horrorizado com isso”, acrescentou.

Embora tenha exortado outros pastores sobre o uso indevido da IA, Piper reconheceu que esses "recursos e sites existem desde sempre para ajudar a criar esboços, fornecer ilustrações, fazer pesquisas e mais". 

No entanto, para ele, a utilização desses recursos sempre foi “terrível” e explicou que uma das principais qualificações de um pastor é “ter a capacidade, o dom, de ler uma passagem das Escrituras, entender aquela realidade, sentir as emoções que ela se destina a provocar, e ser capaz de explicá-la, ilustrar e aplicá-la claramente aos outros para sua edificação”.

“Esse é um dom que você deve ter. É o seu trabalho número 1. Se você não tem isso, não deve ser um pastor”, declarou ele.

Por fim, ele exortou os líderes cristãos: “Vamos usar o ChatGPT e outras fontes que estão chegando para obter informações, até mesmo para inspiração, assim como você usa comentários, artigos, livros, músicas e poesia. Mas, não o use para composição, a menos que você dê crédito a ele por isso”.

“Então, se você vai fazer com que o ChatGPT escreva sua pregação, é melhor dizer aos membros: 'O ChatGPT, a inteligência artificial, criou a pregação da Palavra de Deus para vocês hoje'”, concluiu ele.

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